Mais extenso, show do Alice in Chains em SP foi impecável e superou o do Rock in Rio

Estadão

12 Outubro 2013 | 07h06

Flávio Leonel – do blog Roque Reverso

O Alice in Chains fez grande show em São Paulo no dia 26 de setembro no Espaço das Américas. Para um público que não lotou, mas tomou boa parte da casa em plena noite de quinta-feira, a banda norte-americana de Seattle fez uma apresentação impecável, superando a que havia realizado na semana anterior no Rock in Rio.

O fato de o grupo ter um palco só para ele, sem as imposições e limitações de horários de um festival, foi decisivo para que o show de São Paulo fosse melhor e bem mais longo do que o do Rio. Enquanto, na capital fluminense, o Alice in Chains tocou durante cerca de 1 hora, na capital paulista, a apresentação teve meia hora a mais.

Destaque, além da tradicional qualidade da banda, para o excelente som que podia ser ouvido no Espaço das Américas. Se, no passado, a casa sofria uma série de críticas por ser um galpão que se transformou num espaço para shows, agora, o local tem uma disposição de palco bem interessante e o som pode ser escutado nitidamente em praticamente todos os locais da casa.

O público paulistano torcia há tempos para um retorno da banda à cidade, fato que não acontecia desde o Hollywood Rock de 1993, quando o então vocalista Layne Staley ainda estava vivo. O grupo até chegou a tocar no Estado de São Paulo, em 2011, em Paulinia, no SWU Festival, mas não era a mesma coisa de estar na capital, local recheado de fãs do Alice in Chains.

 

Pontualmente às 21h30, a banda subiu ao palco para delírio dos presentes e até surpresa de alguns, como este jornalista, que estava na fila da cerveja. Correria à parte para ver a entrada do grupo, o show começou com a dobradinha tradicional nas apresentações recentes do Alice in Chains: “Them Bones” e “Dam That River”, ambas pertencentes ao álbum “Dirt”, de 1992, e tocadas tanto na abertura dos shows do SWU como do Rock in Rio.

As seis primeiras músicas em São Paulo, por sinal, seguiram sequência idêntica à verificada no festival carioca. “Hollow”, do álbum novo  “The Devil Put Dinosaurs Here”, lançado no fim de maio deste ano, mostrou que o público estava antenado com o lançamento, já que várias pessoas cantaram com se já conhecessem a faixa há um bom tempo.

O mesmo pôde ser visto em “Check My Brain”, do álbum “Black Gives Way to Blue”, de 2009, quando o vocalista atual William DuVall, estreou na volta da banda após o período de ostracismo. Com todos esses anos de estrada, não resta mais dúvida que ele possui as qualidades necessárias para assumir o posto do finado Layne Staley.

Com estilo próprio e grande personalidade DuVall é tudo aquilo que o Alice in Chains precisava para se reerguer e continuar na ativa por muito tempo. O guitarrista Jerry Cantrell continua sendo o coração e a mente da banda e, relembrando os bons tempos com Staley, faz a dupla de vocais com DuVall com extrema maestria, uma marca do grupo que continua intacta, para alegria dos fãs de carteirinha.

Após a execução de “Check My Brain”, o vocalista saudou o público, comemorou o fato de estar em São Paulo e emendou dois grandes sucessos do Alice in Chains: “Again”,  do álbum “Alice in Chains”, de 1995, e o megaclássico “Man in the Box”, do primeiro álbum “Facelift”, de 1990.

Nesta última especialmente, é claro que o show teve seu maior momento de êxtase, com o Espaço das Américas tremendo e o público pulando e cantando a plenos pulmões. Na bateria, Sean Kinney prestava sua homenagem não apenas a Staley como também ao antigo baixista Mike Starr, que morreu em 2011. Nos bumbos, as iniciais LSMS lembravam esses dois ex-componentes do grupo.

Na sequência, mais duas músicas do “Black Gives Way to Blue”: “Your Decision” e “Last of My Kind”, que mantiveram o público vidrado. “Stone”, do novo álbum, e “No Excuses”,  do EP “Jar of Flies”, de 1994, vieram na sequência, mostrando que o set list seria bem mais extenso do que o do Rock in Rio e alimentando esperanças de que mais coisas boas estavam por vir.

A sensação foi confirmada quando o Alice in Chains trouxe nada menos que “It Ain’t Like That”, uma das faixas mais pesadas do grupo e que também não havia sido executada no Rock in Rio. Quem é fã das antigas da banda, sabe a importância desta canção do primeiro disco e vibrou muito com mais aquele momento espetacular do grande show, que teria ainda outro clássico (“We Die Young”) para manter a nostalgia em alta.

Para surpresa de muitos, duas músicas que não haviam sido tocadas tanto no SWU como no Rock in Rio levaram os fãs mais dedicados ao êxtase: “Sludge Factory” e “Grind”, do disco “Alice in Chains”, mostraram o quanto quem estava no Espaço das Américas era um privilegiado.

A última música da primeira parte do set list foi simplesmente “Nutshell”, do EP “Jar of Flies”. Foi, mantendo já uma tradição, a música de homenagem a Layne Staley e Mike Starr, com a banda colocando camisas da Seleção Brasileira, com o nome dos dois nas costas, penduradas nos cantos do palco.

Ovacionado, o grupo deixou o palco e fez com que o público gritasse seu nome até que o retorno fosse confirmado. Em mais um momento de grande simpatia, o Alice in Chains voltou trajando a camisa canarinho. Com exceção do baixista Mike Inez, todos os outros três integrantes vestiram o símbolo nacional e foram bastante aplaudidos pelo gesto.

Na sequência, o bis continuou com duas grandes músicas do álbum “Dirt”: “Would?” e “Rooster”, em linha com o que aconteceu no Rock in Rio. Acabava assim um dos maiores shows de 2013 em São Paulo.

Os músicos saudaram o público, distribuíram uma penca de palhetas para quem estava na Pista Vip e mostraram que estavam satisfeitos com a receptividade paulistana.

Os fãs ainda tentaram pedir mais uma, mas, sem sucesso, foram embora cientes que haviam visto uma grande apresentação. Com uma postura extremamente profissional e esbanjando competência, o Alice in Chains finalmente voltou a São Paulo para mostrar que ainda tem anos de estrada a oferecer, sem parecer uma banda caça-níquel.

Set list

Them Bones
Dam That River
Hollow
Check My Brain
Again
Man in the Box
Your Decision
Last of My Kind
Stone
No Excuses
It Ain’t Like That
We Die Young
Sludge Factory
Grind
Nutshell

Would?
Rooster

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