Mais blues e menos pop, Cyndi Lauper faz dois shows em SP

Estadão

22 de fevereiro de 2011 | 00h52

Pedro Antunes 

Cyndi Lauper é daquelas cantoras pop à moda antiga. Não se fazem mais divas como ela. Por isso, vê-la em ação, aos 57 anos, em dois shows que serão realizados hoje e amanhã, no Via Funchal, é uma oportunidade rara. Lauper é o tipo de diva do pop que alcançou o sucesso só aos 30 anos, com seu disco de estreia, “She’s so Unusual”, em 1983.

Já possuía uma maturidade musical que a garotada da cena atual não tem. Para comparação, por exemplo, também tocará em São Paulo na sexta-feira, a também cantora pop Kate Nash, nascida quatro anos depois de que [Girls Just Want to Have Fun] havia rodado o mundo na voz de Cyndi Lauper – nem vale a pena citar a precocidade do guri/fenômeno Justin Bieber, ok? Kate Nash, aos 23 anos, já tem dois discos nas prateleiras.

 Cyndi Lauper  não é mais uma menina que só quer se divertir, como ela cantava no início da longeva carreira. A música, aliás, não deve estar no repertório, mantido em sigilo pela cantora. “Tenho algumas ideias sobre o que vou tocar. Mas gosto de manter uma certa surpresa, se é que você me entende”.

Uma artista sempre mutante, Lauper agora solta a voz em canções de blues, em turnê com o disco Memphis Blues, lançado em junho do ano passado. Durante a divulgação do CD, a cantora disse que gostaria de voltar ao Brasil. Ela havia ate prometido que viria no início do ano. Dito e feito. Depois de duas passagens, em 1994 e 2008, volta ao país. “Amo muito o Brasil. Recebia reclamações dos fãs brasileiros pedindo para que eu voltasse”, conta.

A relação da cantora com o País é tamanha que, para a gravação de Memphis Blues , ela chamou o saxofonista brasileiro Leo Gandelman para participar e dar uma “brasilidade” no já suingado som do disco. Ele participa na versão de “I Don’t Want Cry” . Mas não espere ver uma senhora de quase 60 anos saltitando no palco, como uma adolescente. Suas canções agora são tristes, agoniantes, emotivas.

Trata-se de uma veia blueseira que sempre esteve presente na sua vida, desde a infância em Nova York. “Comecei a minha carreira como cantora cantando blues. No começo, quando eu era bem novinha, eu odiava. Conforme o tempo foi passando, fui entendendo o que o blues significa, a sua beleza”, diz.

Cyndi e o Grammy

O Grammy, o Oscar da música, é uma prova da versatilidade de Cyndi Lauper. Não importa o estilo que ela estiver cantando, seu nome estará entre os indicados. Ela coleciona 13 indicações ao prêmio. Embora só tenha vencido uma vez, em 1984, como cantora revelação. Lauper fica satisfeita, claro, ao ter seu trabalho reconhecido.

Ou você imagina que aquela mulher que cantava a melosa “True Color”, do disco homônimo, de 1986, com a qual foi indicada ao Grammy como a melhor performance vocal pop, poderia receber, 25 anos depois, uma indicação para o melhor álbum de blues do ano anterior?

“Não imaginava como seria a recepção para este disco”, diz ela. “Foi um ano testando músicas e mais músicas, até chegar ao resultado final”. No CD, ela conseguiu reunir a participação de um peso-pesado da música, cuja importância transcende o universo do blues: B.B. King.

Tudo o que sabemos sobre:

B. B. KingCyndi LauperLéo Gandelman

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.