Madame Saatan, Claustrofobia, Uganga, Worst: a explosão do metal em português

Estadão

27 de novembro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Preste atenção na safra nova de rock pesado brasileiro em 2012. Fazia tempo que o mercado não via tanta produção de boa qualidade como neste primeiro semestre. E quatro bandas novas são o grande destaque até o momento – duas de São Paulo, uma de Minas Gerais e outra do Pará.

O Madame Saatan é a revelação do momento. O quarteto paraense colocou nas lojas o CD “Peixe Homem”, uma pancada violenta em português que remete aos bons tempos dos Raimundos e ao começo inspirado da carreira de Pitty.

Como já virou tradição entre as bandas brasileiras desde o finado Toyshop, lá nos anos 90, os grupos nacionais que decidem colocar mulheres com cantoras o fazem também de olho no público: invariavelmente são muito bonitas. É o caso aqui, com Sammliz, seguindo a tradição de Shadowside, Ravenland, Holiness, Eclyptika e algumas outras. E, como nas bandas citadas, a garota canta muito bem.

O Madame Saatan não é exatamente novata. Lançou em 2007 o seu primeiro álbum, auto-intiulado, mas que teve pouca repercussão no Sul e no Sudeste, embora tenha ganhado o prêmio Dynamite de Música Independente de 2008 como o melhor álbum.

“Peixe Homem” tem ótima produção, que privilegia o peso e as guitarras “na cara”, dando estofo a canções que letras que fogem do óbvio – não são nada de extraordinário, mas fogem da mesmice que vemos no atual panorama raquítico do pop rock nacional em fase terminal.

 

Madame Saatan

Em alguns momentos o quarteto tenta inovar com o que chamam de mescla de “guitarrada com Megadeth” ou “Slayer com terreiro”. Sandices à parte, é possível identificar com nitidez a inclusão de elementos regionais, mas nada exagerado ou que destoe do bom e velho rock’n roll.

Embora a banda diga o contrário, a mistura com o regionalismo é apelas um elemento do som encorpado e vigoroso do conjunto, sem maiores ousadias, como pretendeu a banda paulista Huaska ao misturar samba e bossa nova com metal.
“Respira” e “Sombra em Você” são os destaques, mas preste a atenção também em “Fúria”, “Até o Fim” e “Sete Dias”.

O Claustrofobia, banda paulistana fundada em 1994, ressurge com o excelente “Peste”, lançado oficialmente no finalzinho de 2011 mas efetivamente divulgado no primeiro trimestre deste ano. Coeso, pesado e veloz, o grupo mantém a pegada dos anos 90.

O som é direto e muitas vezes cru, mas extremamente bem tocado, tudo realçado com uma ótima produção. “Nota 6.66” e “Metal Maloka” são amostra da pancadaria insana que domina quase todo o álbum.

Assim como caso do Madame Saatan, há a utilização de elementos de música brasileira, mas que em nada comprometem o bom trabalho de “Peste” – soa ao mesmo tempo exótico e interessante escutar a agressividade death/thrash característica do grupo com tais elementos.

Quem promete um som pesadíssimo e com letras cortantes e contundentes é a banda paulista Worst, em fase final de produção de seu primeiro álbum. O grupo liderado pelo insano baterista Fernando Schaefer, que já tocou com músicos do Biohazard e Sepultura, além de muitas outras.

As três primeiras músicas liberadas para audição mostram um peso e uma violência incomuns no heavy metal em português. Com produção muito boa, “A Violência te Ensinou”, “Sem Solução” e “Não Pode Ver Paz” remetem aos grandes momentos de Anthrax e Exodus, com vocais gritados e às vezes urrados. Desde já é um dos lançamentos mais esperados do ano.

Por fim, os mineiros do Uganga se preparam para o lançamento de seu primeiro disco ao vivo, “Eurocaos Ao Vivo”, o álbum foi gravado na Alemanha e Portugal durante a turnê europeia realizada pela banda. O CD virá com uma novidade, um documentário cobrindo todos os 18 shows da turnê dirigido por Eddie Shumway, contendo cenas das apresentações e bastidores, além de depoimentos dos músicos e equipe.

Uganga

“Eurocaos Ao Vivo” também trará gravações inéditas que farão parte de dois álbuns tributos aos quais o grupo está participando. A primeira música é uma versão para “Desespero”, da banda baiana de punk rock Pastel de Miolos.

A segunda é uma gravação de “Não Desista” da clássica banda de metal paraense Stress. A música fará parte do “Tributo ao Stress” que está sendo produzido pela gravadora Metal Soldiers, de Portugal e que também reunirá bandas como Taurus, Azul Limão, King Bird, Salário Mínimo, entre outros.

Tudo o que sabemos sobre:

ClaustrofobiaMadame SaatanUgangaWorst

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.