Lynyrd Skynyrd e John Fogerty: passado não condena

Estadão

30 de setembro de 2010 | 08h17

Marcelo Moreira

Artistas que vivem do passado ganharam mais prestígio nos anos 2000 com as inúmeras reuniões, relançamentos com bônus de discografias e coletâneas caça-níqueis. Praticamente todos os músicos de classic rock se beneficiaram desse revival.

Dois lançamentos do mês de agosto comprovam essa tese, embora não condenem os autores, donos de passados maravilhosos. John Fogerty, o líder e mentor do ótimo Creedence Clearwater Revival, recoloca  no mercado aquele que é considerado o seu CD solo mais expressivo, “Centerfield”, lançado em 1985.

A nova edição, de luxo, ganhou o subtítulo “25 Anniversary Edition”, é uma picaretagem por um lado. Traz duas faixas a mais como bônus em relação ao álbum original, que nada acrescentam em termos de qualidade. Portanto, é caça-níquel no sentido ruim da coisa. Mas ao mesmo tempo devemos comemorar por se tratar de um clássico do rock e do próprio artista.

“Live at the Freedom Hall” é o enésimo CD ao vivo do Lynyrd Skynyrd, o maior nome do southern rock ao lado dos Allman Brothers. Não se discute a qualidade do trabalho e da carreira do grupo, mas não dá para deixar passar o expediente discutível de lançar álbuns e DVDs ao vivo a cada dois anos. E o pior, sem que haja alterações significativas no repertório.

Estão lá as indefectíveis e maravilhosas “Travelin’ Man” , “Simple Man”, “Gimme Back My Bullets” , Tuesday’s Gone”,
“Red White and Blue”,  “Call Me The Breeze”, “Sweet Home Alabama” e “Free Bird”, entre outras. São clássicos fantásticos e hits mundiais, mas às vezes parece que não existe mais nada nos 37 anos de carreira do Lynyed que valha ser executado ao vivo – como o ótimo CD acústico “Endangered Species”.

De qualquer forma, os shows do grupo são impecáveis e mostram o que de melhor o rock pode produzir em cima de um palco. Mas esse é mais um produto destinado somente para fãs, já que nada acrescenta à extensa video-discografia do Lynyrd Skynyrd

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