Lovedrive e Tokyo Tapes, uma celebração ao Scorpions em Belo Horizonte

Estadão

26 de junho de 2013 | 17h05

Pedro Turambar -0 texto originalmente publicado pelo site Whiplash

Como é bom ouvir o bom e velho Rock N’Roll. Sem modinhas, sem meias palavras, apenas o velho e cru rock. Uli John Roth e Michael Schenker fizeram dois ótimos shows – principalmente Uli – para pouquíssimos e felizardos presentes no Music Hall em BH na última sexta-feira. A subestimada (pelo público mineiro) Lovedrive Reunion Tour, mostrou mais uma vez que o Rock jamais vai morrer.

Quando caiu na agenda para cobrir esse show, lá fui eu tirar o pó de algumas velharias da minha biblioteca musical. Para meu prazer descobri e redescobri muita coisa boa. Mas mesmo me preparando, ouvindo as set lists dos shows anteriores, o que eu vi na noite do dia vinte um de junho vai ficar marcado por muito tempo nos meus ouvidos e no meu coração.

Saí cedo de casa para ir em direção ao Music Hall – uma das casas de show que eu mais gosto em BH, principalmente em relação a acústica – para evitar, além de outras coisas o caos no trânsito causado pelas manifestações que tomaram conta do país todo nas últimas semanas. Foi chegar lá, me credenciar e esperar o Cleiton – que fez as fotos do show – para cobrir o show.

Logo de antemão eu sabia que o público seria mínimo, a divulgação não fora muito eficaz, e o público de BH pelo visto de fato subestimou o show. O que acarretaria um atraso um pouco maior que o normal, já que é de praxe a “casa” esperar encher um pouco mais para começar os shows. Tanto que só lá pelas 23h e alguns minutos as luzes se apagarem e Uli John Roth subir ao palco.

Uli que parecia saído da sua tenda multicolorida num descampado qualquer direto de 1969, fazia mágica com sua guitarra. Enquanto conversávamos com o segurança para liberar o pit para algumas fotos, eu olhava embasbacado. E reparava que mesmo tocando para no máximo 200 pessoas, eram profissionais ali, que no fim da primeira música, relaxaram a ponto deu conseguir captar um “já que só tem esses poucos, vamos fazer um show inesquecível para esse poucos”. Me surpreendi como a performance de todos na banda melhoravam a cada música.

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Uli Jon Roth e sua banda em São Paulo

A coisa começou a ficar absurda mesmo em “Crying Days”. Foi ali que percebi que estávamos vendo algo diferente. Realmente não tenho como dizer como foram os shows anteriores, mas por ter poucos e bons – a velha guarda do rock e do metal da capital mineira estava ali, e o clima não poderia ser melhor ao lado dos cabeças brancas -, foi algo diferente. Depois disso vieram na sequência “They Need A Million” (que música!), “The Sails of Charon” e “Sun in My Hand”, mantendo um nível fora do normal. Não sei se porque eu não esbarrava com o velho rock n’ roll a tanto tempo, mas Uli e seus rapazes me deixavam de boca aberta.

E o show que eu não queria que terminasse nunca mais, me prometia um clássico “Fly to The Rainbow” (a partir daí com Francis Buccholz e Herman Rarebell no baixo e na bateria) com Uli fazendo sua guitarra cantar e chorar. Para terminar três porradas com “Yellow Raven”, “Virgin Killer” e “Dark Lady”. Com aplausos efusivos, e o barulho altíssimo de queixos despencando ao chão o público belo-horizontino se despedia de um ótimo show.

De trinta a quarenta minutos depois, foi a vez de Michael Schenker e Doogie White subirem ao palco pela primeira vez e fazerem o nível cair um pouquinho. Logo nas duas primeiras músicas eu já desejava que Uli e seu vocalista voltassem para o palco. Ao contrário da primeira banda que tocou para os poucos presentes ali, Schenker e sua turma parecia decidida a fingir que estavam em outro lugar, com milhares de pessoas. Doogie White só saiu do ‘personagem’ quando apontou contrariado para alguém que tirou uma foto com flash. Fechou a cara durante alguns segundos, mas logo voltou a incorporar o velho conhecido frontman simpático clichê de Heavy Metal.

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Michael Schenker em São Paulo

Não me entenda mal, o show tecnicamente era muito bom, apesar das derrapadas de Doogie, mas parecia muito engessado, muito coreografado. Cumpriram a set list dos shows anteriores sem nenhuma mudança. Nem o que o vocalista falava entre as músicas mudou. Parecia que eu estava em casa ouvindo o disco ao vivo Michael Schenker – Temple of Rock – Live in Europe. “Não subam ao palco” – informava Doogie White – “Temos três escorpiões vivos aqui em cima”.

O clima ainda era festivo e o pessoal cantava e seguia a banda. Mas a energia que a banda passava era muito diferente. E mesmo antes da banda ‘principal’ subir ao palco, eu já cantava a pedra que seria muito difícil que o segundo show superasse o primeiro. Enquanto Schenker cumpria o contrato (de destaque apenas “Lovedrive” e “Armed and Ready”) e tocava seu set list, eu ia prestando atenção em outras coisas e registrando o pessoal já meio bêbado, esperando ansiosamente por “Rock You Like a Hurricane”.

No fim, após ver Uli mais uma vez na última música do show “Doctor Doctor”, saí do Music Hall com os pés grudando no chão e feliz por ter tido uma dose cavalar e uma aula de Rock com Uli Jon Roth, Schenker e sua turma ex-Scorpions.

Uli John Roth – Tokyo Tapes
All Night Long
Longing for
Crying Days
They Need a Million
The Sails of Charon
Sun in My Hand
Fly to the Rainbow
Yellow Raven
Virgin Killer
Dark Lady

Michael Schenker – Temple of Rock
Lovedrive
Another Piece of Meat
Assault Attack
Armed and Ready
Into the Arena
Rock My Nights Away
Attack of the Mad Axeman
We’ll Burn the Sky
In Trance
Horizons
Before the Devil Knows You’re Dead
Coast to Coast
Shoot Shoot
Only You Can Rock Me
Let It Roll
Too Hot to Handle
Lights Out

Encore:
Holiday
Rock You Like a Hurricane
Rock Bottom
Blackout
Doctor Doctor

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