Longa vida ao long play

Estadão

21 de abril de 2013 | 07h00

Renan Dissenha Fagundes – O Estado de S.Paulo

Não dá mais para falar que os discos de vinil estão voltando: eles já voltaram. A venda de LPs é celebrada em todo o mundo no Record Store Day, criado em 2007 nos EUA no dia 20 de abril para unir músicos, gravadoras e lojas de discos. 

Produção de vinis da Polysom dobrou em 2012 - Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Produção de vinis da Polysom dobrou em 2012

Mas a data não existe ainda nos mesmos moldes por aqui. “Lá fora, as gravadoras se juntam e organizam uma série de lançamentos”, afirma Marcio Custódio, proprietário da loja Locomotiva Discos, em São Paulo. “Aqui, é movimentado pelas lojas de discos independentes.”

Custódio aproveita a data para abrir uma segunda unidade da Locomotiva, na mesma Galeria Nova Barão em que fica a primeira. “É uma extensão, para poder expor todo o material com mais conforto”, diz. Nos dois anos desde que abriu a loja, Custódio viu o interesse por vinil crescer. “Os jovens passaram a comprar, a se interessar por esse ritual, e os mais velhos voltaram”, afirma.

Você pode olhar para vários lados e ver o crescimento do interesse por discos. A Polysom, única fábrica de LPs da América Latina, dobrou a produção entre 2011 e 2012. No mesmo período, a venda de bolachões na Livraria Cultura aumentou 200%. E no Mercado Livre, 81%.

“Mais do que um mercado estabelecido, o que se vê hoje é um mercado em crescimento contínuo”, afirma João Augusto, proprietário da gravadora Deck e consultor da Polysom.

Não que o vinil tenha deixado de ser um fetiche, embora o público esteja aumentando. “Continua sendo um mercado de nicho, mas um nicho que ainda tem espaço para expandir”, afirma João Paulo Bueno, analista de negócios na categoria CDs e LPs da Livraria Cultura.

Para Bueno, a queda do preço é um dos principais fatores para esse aumento. “Antes qualquer vinil custava mais de R$ 180, hoje chega por R$ 80, R$ 90.”

A Livraria Cultura, das grandes redes do País, é a que mais abraçou o vinil. Mas no começo, não foi pensado. “O primeiro vinil chegou por engano, no lugar de um CD”, diz Bueno. “A gente colocou para vender, e de repente começou a ter demanda.”

Ontem houve eventos em todas as 15 lojas da Cultura no Brasil para comemorar o Record Store Day. “Teve uma venda muito grande no ano passado”, afirma Bueno.

Resta esperar que a data cresça no Brasil, junto com as vendas. “Eu gostaria de que no ano que vem as gravadoras organizassem lançamentos especiais de música brasileira para vender nesse dia”, diz Custódio. “Seria legal ter uma união entre as gravadoras e as lojas de disco, uma linguagem mais consolidada.”

 A Locomotiva Discos abre uma segunda loja na Galeria Nova Barão (R. Sete de Abril, 154) hoje. A galeria tem várias outras lojas, como a Big Papa, que recebeu esta semana um carregamento com mais de 600 discos. Amanhã a London Calling, na Galeria Presidente (R.24 de Maio, 116), comemora o dia na seguda (22) com uma tarde de autógrafos com a banda Dead Kennedys

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