Lobão lança caixa com 4 CDs

Estadão

04 Abril 2011 | 16h28

Adriana Dal Ré

Aos 53 anos, o cantor e compositor Lobão passa por uma fase de balanços. O da vida rendeu a biografia 50 anos a Mil, escrita com o jornalista Claudio Tognolli e lançada no final do ano passado pela editora Nova Fronteira. O da música chega pelo box Lobão 81-91 + DVD Acústico MTV, sob a chancela da Sony Music.

Pelo título do projeto, já se sabe que os quatro discos nele contidos não revisitam amplamente seus mais de 30 anos de carreira, mas, sim, fazem um recorte de períodos significativos dela.

O repertório de três discos dessa caixa recuperam os dez primeiros anos de Lobão como artista solo. São faixas selecionadas dos sete discos de estúdio, lançados pela BMG nesse período, de Cena de Cinema (1983) a O Inferno é Fogo (1991).

Tem, ainda, o sucesso Decadence Avec Elegance, lado A do compacto de Lobão e Os Ronaldos de 1985. “Eu só deixei de fazer discos com gravadoras a partir de 1999. Ainda gravei, pela Virgin, o Nostalgia da Modernidade (1995) e, pela Universal, o Noite (1998)”,afirma o músico carioca. 

Nos discos 1 e 2, está concentrada boa parte de sua obra mais notória. Incluem-se aí sucessos como Me Chama, Vida Bandida, Blá, Blá, Blá… Eu Te Amo, Por Tudo Que For e Essa Noite, Não. No disco 1, em específico, Noite e Dia (parceria dele com Júlio Barroso) ganhou fama na voz de Marina Lima, num disco da cantora, o Desta Vida, Desta Arte (1982). “Eu tocava na banda dela. Foi minha primeira música gravada e meu primeiro hit nacional”, diz ele.

Já o disco 3 foi destinado aos, digamos, lados B de Lobão, como Amor de Retrovisor, Bambina, Robô, Roboa, Love Pras Dez, além das parcerias com o amigo Cazuza em Baby Lonest e Glória (Junkie Bacana). O disco 4, na verdade, é o DVD de seu Acústico MTV (2007), que foi “dizimado pela crítica”, como desabafou Lobão em entrevista ao JT.
 
Como nasceu a caixa ‘Lobão 81-91 + DVD Acústico MTV’?
Já tem uns 20 anos que eu estou tentando relançar os meus álbuns originais e, a partir do momento que assinei com a Sony para realizar o Acústico MTV, foi inserido, como cláusula do contrato, o relançamento de todos os meus discos pela gravadora. O formato da caixa foi definido em conjunto com Rui Mendes (fotógrafo) e Ricardo Kóvacs (diretor de criação).

Então, procede a história do projeto de relançar todos seus discos.
Sim, e está amarrado em contrato. Mas eu senti um desinteresse tamanho da gravadora que decidi fazer o que seria “possível” numa situação dessas.

Qual a importância desses dez primeiros anos de sua carreira solo?
Esses foram os anos que, mal ou bem, me colocaram no circuito, me lançaram no mainstream.

Os compositores Júlio Barroso e Bernardo Vilhena foram seus grandes parceiros nesse período. Como essas parcerias aconteciam?
Com o Júlio, era sempre na esbórnia (coisa que eu preferia sempre). Com o Bernardo, era mais dever de casa.

O box traz canções de seu primeiro disco como artista solo, o ‘Cena de Cinema’. É verdade que ele foi gravado em segredo do pessoal da Blitz, banda da qual você fazia parte na época?

Nunca houve segredo na gravação do Cena. Só era anônimo, pois eu não existia ainda. Toda a banda da Blitz participou dele: o Barreto, Antonio Pedro, Billy Forgueri… A Blitz, naquele período, estava quase germinada. Nós já estávamos na estrada há uns três anos e nada acontecia. Eu fiz o Cena pra arquivar e todo mundo da banda sabia disso. Eu detestava a ideia de ser artista solo (ainda acho isso cafonérrimo).

Fale sobre a música ‘A Deusa do Amor’, que também está na caixa e tem a participação do cantor Nelson Gonçalves.
Eu sou MPB. As pessoas é que me excluem desse movimento. Sempre disse isso: sou músico, não sou engenheiro. Sou popular, não erudito. Sou brasileiro, não chinês. Será que já não é hora da gente revisitar esses valores?

Qual a importância de resgatar o seu ‘Acústico MTV’?
É um grande trabalho que foi dizimado pela crítica especializada e, logo em seguida, ganhou o Grammy Latino de melhor disco de rock de 2007. É um trabalho muito importante pra mim.

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