Livre, Almah decola em bons shows em São Paulo e Brasília

Estadão

11 de setembro de 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

Os órfãos do Angra estão salvos. Os primeiros shows do Almah depois da saída oficial se deu vocalista, Edu Falaschi, da antiga banda, em maio, mostraram que o quinteto paulistanos de heavy metal tradicional está mais forte, mais focado, livre de qualquer incerteza e musicalmente revigorado.

A miniturnê por São Paulo, Santos e Brasília mostrou um Almah um pouco hesitante por conta das duas mudanças na formação, só que os músicos estão mais soltos. Como disse um fã veterano do Angra no Manifesto Bar no último sábado, “o Almah finalmente parece uma banda de verdade”. Será mesmo?

No dia anterior, no festival Porão do Rock, em Brasília, o grupo mostrou uma vontade insana de tocar. Gustavo di Pádua, guitarrista carioca que substitui Paulo Schroeber, e o baixista convidado Raphael Dafras, que entrou no lugar de Felipe Andreli (que ainda está no Angra), se esforçaram bastante, apesar de um nervosismo inicial, e conseguiram dar coesão a um Almah que recomeça sob novas perspectivas. Os fãs do Angra agradecem.

No shows de sábado, em um Manifesto Bar, na zona sul de São Paulo, lotado, Edu Falaschi recebeu tratamento de ídolo. Em apresentação bastante satisfatória, mostrou carisma, bom humor e uma reverência ao Angra, ao falar com carinho da importância que a banda teve em sua carreira e ao elogiar bastante o guitarrista Raphael Bittencourt como instrumentista e compositor.

Edu Falaschi no show do Porão do Rock

Tudo bem, Bittencourt acabou vítima do sarcasmo do vocalista, quando alguém da plateia gritou o indefectível e asqueroso “Toca Raul!!!!!”, em referência a Raul Seixas. Falaschi não deixou a bola cair e emendou de primeira: “Se o Raphael (Bittencourt) estivesse aqui ele cantaria, com certeza. Meu, o cara sabe todas as letras de todas as músicas do Raul, é insano!!!!”

Aos 40 anos de idade e com maturidade e inteligência suficientes para saber quando erra, o vocalista também fez um mea culpa no palco a respeito das declarações desastrosas e desnecessárias do ano passado, quando criticou e xingou aos palavrões em um programa de TV o “público roqueiro brasileiro” por preferir shows de artistas estrangeiros aos de bandas nacionais – foi ao final de um evento em São Paulo que reuniu grupos brasileiros e integrantes de vários outros para jam sessions e versões de clássicos do rock. Apenas 200 pessoas pagaram para entrar, em local que cabia 1,5 mil.

“Queria agradecer imensamente ao povo que veio aqui hoje nos prestigiar, uma banda nacional, no mesmo final de semana com shows de outras bandas brasileiras e estrangeiras. É bom ver que o metal nacional está prestigiado, em uma mudança visível em relação a outros tempos, quando eu manifestei minha fúria”, discursou Falaschi emocionado, mas tomando o cuidado de não pedir desculpas publicamente.

Seja como for, o Almah está revigorado e mais intenso, e a estrada vai aparar algumas arestas que ainda existem em uma banda que está com uma nova formação com pouco tempo de ensaios. Di Pádua é um guitarrista sóbrio e virtuoso, com uma técnica precisa.

É um bom complemento ao exuberante Marcelo Barbosa, o outro guitarrista e parceiro de sempre de Falaschi: ousado e também virtuoso, arriscou mais no show paulistano e deu um colorido diferente á até então apresentação reta e linear.

O baixista convidado foi outro que mostrou qualidades. Dafras ainda tem a experiência e o virtuosismo de Felipe Andreoli, mas deu ao Almah o que ele precisava: um som rítmico pesado, “gordo” e cheio, mesclando rapidez e técnica com competência. Uma boa escolha e não há motivos para que não seja efetivado.

Performance eletrizante no Porão do Rock

Sucesso total de público, Falaschi encerrou o show extasiado e prometendo nova apresentação no local ainda neste ano. O grupo ainda não tem hits, mas tem uma boa coleção de músicas pesadas, rápidas e certeiras, como “Hipnotized”, “Thorn”, “You Understand” e a bela “Late Night in 85”, composta em homenagem ao pai do vocalista.

Com o futuro do Angra indefinido – Kiko Loureira está morando temporariamente em Helsinki, na Finlândia, e tem tocado na banda da cantora Tarja Turunen (ex-Nightwish), enquanto Raphael Bittencourt tem se dedicado ao seu Bittencourt Project –, o Almah tem tudo para ocupar o espaço, tanto no Brasil como no exterior. Tem a vantagem de não ser tão progressivo e de soar mais moderno. O futuro do Almah é promissor, agora que se tornou mais realidade do que nunca.

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