Liberdade dos músicos estaria por trás da guerra contra sites de compartilhamento

Estadão

25 de janeiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

As teorias conspiratórias a respeito do fechamento do Megaupload, o maior site de compartilhamento de arquivos da internet, ganhou um ingrediente bastante perturbador ontem. O site teria sido alvo de investigação e perseguição do FBI, a polícia federal norte-americana, por conta de um poderoso lobby das grandes gravadoras mundiais.

Segundo texto publicado na seção Digital e Mídia, da versão online do carioca O Globo, o Megaupload se preparava para lançar um serviço que pretendia remunerar os artistas diretamente por suas criações, caso fechassem contrato com a empresa. Detalhe: os artistas receberiam 90% do fosse arrecadado com as vendas físicas e difitais de seus materiais.

O proprietário do site, preso na Nova Zelândia na semana passada, havia declarado em dezembro passado que o novo serviço se chamaria Megabox.com e que estaria prestes a ser lançado. Leia o texto publicado no site de O Globo aqui.

À primeira vista, a teoria conspiratória faz sentido. Se o serviço fosse implantado, o Megabox iria enterrar de vez a estrutura agonizante atual de vendas de música e conteúdo digital. Os artistas teriam muito mais controle sobre suas obras, ganhariam finalmente o que merecem pela produção de conteúdo e o que é melhor, o preço final ao consumidor seria mais baixo do que é praticado atualmente.

Seria o melhor dos mundos, mas é evidente que nada pode ser provado contra as gravadoras , por exemplo. A ação antipirataria dos Estados Unidos, é evidente, obedece a uma determinação que há tempos era exigida pelo próprio governo e pelo Departamento de Justiça. E é mais do que óbvio que tal ação contou desde sempre com o apoio de certa parte da indústria cultural, a parte mais poderosa e, convenhamos, a que mais sofreu com o compartilhamento de conteúdo livre e gratuito na internet.

Não é uma briga de santos, é sabido desde sempre. Também não existe bem ou mal nesta história. Pirataria foi, é e sempre será crime e precisa ser combatida. A questão é que a internet subverteu o mundo de tal forma que até hoje se discute como combater o tráfego livre de conteúdo supostamente protegido por direitos autorais.

O avanço da tecnologia destruiu os alicerces de uma indústria acomodada e pouco disposta a ceder milímetros, mas também enterrou toda uma legislação internacional de proteção à criatividade e ao produto intelectual. A música foi a primeira vítima, cinema e vídeo também sofrem (aindaq que menos) e os livros podem ser os próximos, embora o mercado editorial esteja se esforçando mais – e com mais inteligência – para evitar que seja aniquilado como o meio musical.

A ruptura finalmente veio, e de forma dura e inesperada para os adeptos da disseminação de conteúdo cultural completamente livre e sem pagamento de direito autoral e também para os apoiadores da mais pura e desavergonhada pirataria – nos dois casos, um tremendo absurdo, mas que chancelados pela realidade p0r muito tempo.O contra-ataque desse pessoal será avassalador, não há dúvidas disso.

O assunto é quente e terá desdobramentos nos próximos meses. Amanhã o nosso colaborador e integrante da equipe Combate rock vai esmiuçar o que está em jogo, na verdade, na luta entre as gravadoras e o governo norte-americano contra os sites de compartilhamento ameaçados de pirataria.

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