Liam Gallagher: 'Tem de evoluir sempre'

Estadão

05 de novembro de 2011 | 23h00

Jotabê Medeiros

Caim ou Abel? Escolher entre Liam ou Noel Gallagher parece ter um peso meio bíblico no mundo do pop rock. Ambos se detestaram durante os 20 anos em que tocaram no Oasis, e agora estão em projetos musicais diferentes pela primeira vez na vida.

Hoje, Liam apresentou sua nova banda, Beady Eye, aos brasileiros, pela primeira vez, no Planeta Terra Festival. O Beady Eye é como se fosse uma sucursal do Oasis. Além de Liam, três ex-integrantes do Oasis, seu antigo grupo, estão na banda: Gem Archer, Andy Bell e Chris Sharrock.

Seu disco de estreia contém músicas que carregam o melhor DNA do Oasis, como a pesada Standing on the Edge of the Noise. Já o disco de Noel é mais baladeiro, acústico, mas também tem seus inúmeros fãs – inclusive o pessoal das torcidas uniformizadas na imprensa, que se apressou em dizer que é melhor do que o de Liam.

A verdade é que o rock é o principal combustível do Beady Eye, como a acelerada Bring the Light – e é rock com cheiro de bandidagem, o que é sua marca registrada. A coisa entre Noel e Liam não parece que vai terminar como Zezé Di Camargo e Luciano, em um amigável talk show de televisão. Liam já está processando Noel por declarações a respeito de seu comportamento no grupo Oasis, que os dois integraram.

 

Beady Eye

Seu irmão Noel está para lançar um disco. Ouvi que você teve alguma participação nas ideias iniciais.

Não tenho nada a ver com aquilo. Ouvi o disco e já conhecia muitas das canções que ele gravou. Tem algumas músicas boas, mas meio aborrecidas. De qualquer modo, não quero saber daquilo, estou em outra, cara.

Recentemente, o Beady Eye gravou uma música dos Beatles, ‘Across the Universe’, para um show beneficente. E há também a sua canção ‘The Beats Go On’, que parece muito Beatles. Você acha que os Beatles ainda são muito influentes no que faz hoje com o Beady Eye?

Na verdade, somos muito mais influenciados por bandas desconhecidas de Manchester dos anos 1990. Abrindo os nossos shows, por exemplo, está Gaz Whelan, que está excursionando com o novo grupo dele, Hippy Mafia. Gaz tocou no Happy Mondays, que foi uma das melhores bandas de Manchester de todos os tempos.

É verdade que a sua banda já gravou o segundo álbum, e que já planeja lançá-lo?

Sim, já temos canções suficientes para fazer isso, então vamos lançá-lo. Quando começamos a compor para o primeiro disco, fizemos muito mais coisas do que pensávamos, foi um período bacana. Estamos pensando em entrar no estúdio no Natal, e lançar no início do ano que vem. Vai na mesma pegada do primeiro.

Steve Lillywhite foi o produtor do primeiro disco. Vai ser ele também o produtor do segundo, já que vocês fizeram as músicas na mesma levada?

Não. Acho que será outra pessoa, mas a banda ainda não decidiu. Já temos nosso som, já temos nossa direção, não é tão complicado assim produzir o álbum. Mas talvez seja necessário alguém que possa ter uma visão mais fashion do som, porque nós só queremos tocar. Nosso negócio é o palco, cara.

Aqui no Brasil, no festival de que você vai participar, estão os Strokes. O que você acha deles?

Legal. Eu já gostei mais deles. Eu os vi em Nova York antes de se tornarem famosos, e o primeiro disco deles era muito bom. Mas o segundo e o terceiro discos já não são tão bons, já não há material tão bom neles.

Você tem filhos, certo? Diga-me: o que faria se os encontrasse ouvindo canções de Justin Bieber?

Por que não? Não se pode forçar, todo mundo sempre ouve todo tipo de música. O que não pode é ficar naquilo, tem de evoluir. Mas não me importo com o que eles ouvem, é escolha deles. Não se pode reprimir a juventude, cara.

 

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