Les Paul, um dos maiores mitos da guitarra elétrica

Estadão

08 Maio 2011 | 10h33

Júlio Maria

Muita gente ouve o nome Les Paul e o associa apenas à marca de uma guitarra. Uma grande guitarra fabricada pela Gibson há mais de meio século. Bem mais que isso, Lester William Polfus, ou Les Paul, foi o inventor da guitarra elétrica de corpo sólido e de efeitos essenciais na história do rock and roll, como o overdubbing, a famosa gravação feita simultaneamente por vários canais.

Recursos usados não só por grupos vocais dos anos 40, como muitos pensam, mas também por gente da altura dos Beatles, no disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band; do Queen, em Bohemian Rhapsody; e de Michael Jackson, que abusou da técnica gravando sozinho todos os backing vocals de músicas como Off the Wall e Billie Jean.

O peso das criações de Les Paul levam a uma questão: afinal, o que seria do mundo pop sem elas? Eddie Van Halen respondeu ao próprio Les Paul, pessoalmente, em certa ocasião: “Sem as suas invenções, eu não seria capaz de fazer metade das coisas que eu faço.”

Nem tudo foi glória na vida de Les Paul. Vítima de vários acidentes, sendo o mais grave um de carro, passou meses na cama. Alguns amigos brincavam dizendo que ele tinha sete vidas.

O guitarrista e luthier Les Paul (REUTERS/Gene Martin/Gibson Guitars/Handout )

O cenário em que surge Les Paul não estava preparado para os solos de guitarra. Era o auge das danças de salão e as pessoas nem imaginavam o que poderia substituir as big bands com seus magníficos solos de sax.

Les Paul começou a se interessar por música aos oito anos. Aos 13 era guitarrista profissional em uma banda de música country.Foi a vontade de ter mais do que o som de uma guitarra acústica que o fez dedicar-se ao trabalho de luthier.

Para chegar ao resultado que queria, no início, trabalhava nas horas de folga e em todos os domingos. Em uma de suas tentativas, colocou gesso dentro de um violão para conseguir o som da corda vibrando em um corpo maciço. Foi em 1941 que Les Paul criou a guitarra de corpo sólido que só seria lançada no mercado pela empresa Gibson em 1952.

 Além de acreditar que a eletrificação colocava em risco o valor artístico dos músicos da época, a Gibson achava inviável um músico ter de carregar todo o equipamento (amplificador), além de uma guitarra ainda mais pesada para o ensaio.

“Ver Les Paul tocar uma guitarra é como assistir a Henry Ford dirigir um carro, Thomas Edison trocar uma lâmpada e Alexander Graham Bell atender ao telefone”, disse Jim O’Donnell na biografia de Les Paul. Enfim, nada poderia ser mais exato.