Leitura roqueira obrigatória neste Natal

Estadão

24 de dezembro de 2010 | 08h00

Marcelo Moreira, com Território Eldorado

Presentes de última hora costumam inundar as páginas de jornais e sites noticiosos às vésperas do Natal como um serviço – relevante – àqueles que deixaram para comprar na última hora.

O Combate Rock resolveu fazer diferente em 2010. Os muitos posts deste trataram basicamente de ótimos lançamentos em CD, DVD e formatos digitais de música de extrema qualidade.

A ideia agora é oferecer sugestões do que de melhor tem no mercado em relação à “música escrita”. E coisa boa em livro sobre música, bandas e astros de rock é o que não falta nas livrarias hoje. Nunca se escreveu tanto sobre rock como nos dois últimos anos.

“Led Zeppelin – Quando os Gigantes Caminhavam sobre a Terra”, de Mick Wall – Ed. Larousse

Este livro, elaborado por Mick Wall, percorre a história do Led Zeppelin a partir da íntima convivência com o grupo. Resultado de anos de pesquisa se baseia não apenas em entrevistas individuais com todos os membros do grupo, mas também na visão que só pode ser adquirida por alguém que passou três décadas no meio musical ao lado de vários dos maiores artistas.

Estão lá os primórdios da carreira de Jimmy Page, o mentor do grupo, que reconstruiu um destroçado Yardbirds em 1968 e criou um gigante da música pop. Há detalhes fantásticos da concepção de cada um dos álbuns gravados pelo grupo, assim os bastidores saborosos das malucas turnês do quarteto pelo mundo.

Muito do folclore em torno do Led Zeppelin é desmontado, mas outro tanto é confirmado e tem detalhes acrescentados. O texto é rico e detalhista, embora seja um pouco carregado ou seja, o estilo documentarista do escritor às vezes pode cansar  – são 552 páginas, um tijolaço. Mas a riqueza de informações compejnsa qualquer dissabor.

“O Dia em que James Brown Salvou a Pátria”, de James Sullivan – Ed. Zahar

Vinte e quatro horas após o assassinato de Martin Luther King, em 1968, James Brown fez o que sabia de melhor – pegou o microfone e foi à luta. Embora o clima estivesse quente em Boston – com inúmeros focos de revolta contra a morte do líder pacifista negro, o cantor insistiu em subir ao palco, tentando acalmar os ânimos na cidade.

 O saldo daquele dia, nos Estados Unidos, foi de mais de 40 mortos, centenas de feridos e 20 mil presos. Mas, na capital de Massachusetts, cenário de históricas disputas raciais, James Brown soube fazer prevalecer a paz, em um show corajoso.

Aliás, mais do que um concerto, a apresentação daquele se tornou um marco das artes e da politica. Mais uma vez transformou a palavra em coisa mais poderosa do que qualquer bala e qualquer arma.

Sullivan parte do show histórico de Brown em Bostom para reconstruir no livro a vida e a carreira do pioneiro do funk nos Estados Unidos, com destaque para a relação entre Brown, o movimento pelos direitos humanos e as lideranças negras naquele período conturbado da história americana.

“Iron Maiden – Forografias”, de Ross Halfin – Ed. Madras

O fotógrafo Ross Halfin trabalhou com o o gigante do heavy metal desde o início, no fim dos anos 1970, quando a banda finalmente se estabilizou, e participou da evolução e trajetória do então quinteto. Esta documentação fotográfica traz fotos feitas por Halfin no decorrer de toda a carreira deles, na Europa, na América do Norte e em outros lugares; no palco, nos camarins e onde mais eles estiveram. O trabalho conta com o prefácio de um dos fundadores da banda, Steve Harris, e uma introdução do ex-editor da ‘Sounds’ e da ‘Kerrang!’, Geoff Barton.

“Heavy Metal – A História Completa”, de Ian Christe – Ed. ARX

Muita música, pouca história. Esse era o panorama até a década de 1990 para o fã de heavy metal que queria algo mais do que música alta  boa literatura, por exemplo. Revistas do subgênero sempre existiram aos montes, e de excelente qualidade, como Kerrang!, Rock Hard, Rock Brigade, Roadie Crew, entre outras, mas faltavam bons livros contando a história do movimento e de seus principais representantes.

O suíço Ian Christe resolveu parte do problema com o ótimo “Heavy Metal, A História Completa”. Exageros à parte, já que não é tão completo assim, a obra é um trabalho de fôlego e muito bem escrita e pesquisada. O autor fez o dever de casa e começa observando como o subgênero é descendente direito do blues.

 Num cenário musical e cultural dominado pelos hippies e seu lema de “Paz e Amor”, em meio a um contexto de guerras e conflitos sociais, o rock pesado surgiu no final dos anos 60 para explicitar as insatisfações e obscuridade de uma época, eE permaneceu, conquistando fãs no mundo  inteiro, tendo como ícone inicial o Black Sabbath e seu vocalsta, Ozzy Osbourne.

A história completa do gênero mais pesado de todos os tempos é contada neste livro, dos seus primórdios nos anos 1970 até os desdobramentos do estilo nas décadas que  se seguiram. Repleto de  fotos, o  livro  também  traz  listas dos melhores discos de cada década, das melhores músicas de cada subgênero (glam  rock, death metal, metal melódico), datas importantes, segredos de bastidores, enfim, a memória e o futuro do metal.

“Eu Sou Ozzy”, de Chris Ayres – Ed. Saraiva

Enquanto ainda é retratado como um mero comedor de morcegos e de pombas por muita gente desinformada e mau caráter, Ozzy Osbourne ressurge do limbo em que se meteu com o intragável reality show de sua vida com uma obra monumental.

O livro apresenta em detalhes a vida de John Michael Osbourne desde a infância e dos primórdios do heavy metal até o seu desligamento do Black Sabbath, os momentos de insanidade e a sua vida como pai de família. ‘Eu Sou Ozzy’ é o registro que mostra que nem tudo na vida de Ozzy foi loucura.

E quem imaginava que o cérebro dele estaria cozinhado por quatro décadas de excessos em álcool e drogas, vai se surpreender com a lucidez e com a riqueza de detalhes de muitas passagens importantes da vida do cantor inglês. Franqueza e sinceridade dominam as páginas do livro, que ganha muito em qualidade com prosa fácil e simples de Chris Ayres.

‘Vida’, de Keith Richards e James Fox

Ninguém consegue acreditar que o guitarrista Keith Richards, dos Rolling Stones, conseguiu sobreviver a quatro décadas de excessos em todos os sentidos. Nem seu médico, nem seus filhos. Ele e Ozzy Osbourne são exemplos vivos de como o ser humano é resistente, especialmente a verdadeiros atentados contra a própria vida.

Em “Vida”, Keith Richards conta, de maneira crua e feroz, sua história, vivida de forma intensa no meio do fogo cruzado – desde a primeira infância, quando cresceu num bairro pobre ouvindo obsessivamente os discos de Chuck Berry e Muddy Waters, até o modo como levou a guitarra ao limite absoluto e uniu forças a Mick Jagger para formar os Rolling Stones.

Com honestidade, Keith revela altos e baixos do rock’n’roll, a subida meteórica para a fama, as notórias prisões, as mulheres que teve, o vício em álcool e heroína. A lenda viva reconta como criou os solos envenenados que definiram “Gimme Shelter” e “Honky Tonk Woman”, seus romances e a morte trágica de Brian Jones. cVida foi escrito em parceria com James Fox.

“Bowie – A Biografia”, de Marc Spitz – Ed. Benvira

Nem Ziggy Stardust nem Thin White Duke, os dois personagens misteriosos e hipnotizantes criados por David Bowie, são David Bowie. Com um talento incomum para observar tudo ao redor, o inglês flertou com gente e estilos de toda cor, do glitter ao punk, do hippie ao eletrônico, homens e mulheres.

A reinvenção artística foi uma obsessão do tamanho do seu apetite pelas fileiras de cocaína que o transformariam em um dos artistas que mais consumiram drogas nos anos 70. E que melhor manipulou a própria sexualidade em benefício dos discos que lançava.

O jornalista e fã assumido Marc Spitz começa “Bowie – A Biografia com uma frase convidativa”: “Para ler no volume máximo.” Não é à toa. O livro faz um relato com detalhes de fatos importantes de sua criação e episódios muitas vezes polêmicos, conseguidos por meio de pesquisas e entrevistas com pessoas do círculo íntimo de Bowie, como sua ex-mulher Angie Bowie e os amigos Kenneth Pitt, Siouxsie Sioux, Camille Paglia, Dick Cavett, Todd Haynes, Ricky Gervais e Peter Frampton.


(Divulgação)

‘Bob Dylan – 100 Canções & Fotos’ – Ed. Madras

Bob Dylan é o mais celebrado poeta, cantor e compositor da música popular – uma lenda, um dissidente e um super astro que poucas vezes deixou escapar algo sobre sua vida pessoal. Agora surge “Dylan: 100 Canções e Fotos”, um livro de coleção único sobre o Dylan, apresentando de forma completa as letras e partituras de suas canções mais importantes, além das histórias privadas por trás delas – todas acompanhadas por 100 fotos raras.

Muitas das canções foram escolhidas por companheiros de shows famosos tais como Bruce Springsteen, Bono e Sir Paul MacCartney, e juntas com as fotos algumas vezes evocativas e cativantes, elas propiciam um olhar íntimo para a progressão de Dylan de um herói do folk de boné de veludo a roqueiro eletrificado impenitente.

As canções escolhidas combinam cada estágio da odisséia pessoal e criativa de Dylan e algumas vezes parecem quase tão potentes na página impressa quanto soaram quando Dylan as executa no palco ou em gravações. Cada uma das 100 canções presentes nesta coleção prestigiosa é impressa com a linha de melodia, boxes com as posições de guitarra e as letras completas com sua tradução.

O resultado é um comentário em texto, visual e em música sobre a vida, a música e as influências do primeiro e único Bob Dylan. “Dylan: 100 Canções e Fotos” é tanto uma celebração de um grande artista e um livro de coleção que mostra o trabalho de Dylan no contexto de sua vida e tempo, quanto revelador de sua influência sobre alguns dos grandes que foram seus contemporâneos ou seguidores.


(Divulgação)

‘O Diário dos Beatles’ – Barry Miles – Ed. Madras

A mais famosa banda do mundo existiu oficialmente durante dez anos, e sua extraordinária história tem sido o tema de incontáveis livros, filmes e artigos. Esta é a mais completa crônica sobre os Beatles, escrita pelo notável Barry Miles, que fazia parte do círculo íntimo dos Beatles durante a década de 1960.

Esta obra contém uma minuciosa cronologia dos shows, locais das apresentações, declarações dos membros da banda e datas memoráveis. Revela a história nua e crua dos quatro integrantes da banda e expõe não só as brigas, a vida de sexo e drogas como também suas vitórias pessoais.

 O livro abrange 30 anos, começando durante a Segunda Guerra, em Liverpool, e terminando no final da agitada década de 1960. Poucas pessoas conhecem tão bem a história dos Beatles, e nenhuma teve acesso a tantos detalhes como Miles.

O Diário dos Beatles é muito mais do que uma simples cronologia, retrata a verdadeira história da maior banda pop do mundo – trazendo uma nova visão de sua realidade. Os Beatles foram uma dádiva para o mundo, sendo o maior grupo musical dos anos 1960, ícones de sua época.

Os pontos altos e a rotina da fama são apresentados aqui, da mesma forma que a vida os mostrou aos Beatles – dia a dia. O resultado deste trabalho revela a trajetória dos Beatles de uma forma nunca antes publicada, fascinante para aqueles que cresceram ao som de suas músicas e imprescindível aos que se interessam pelo maior fenômeno do rocknroll. Um livro ricamente ilustrado com centenas de fotos coloridas e em preto e branco.


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‘Michael Jackson, Uma vida na Música’ – Geoff Brown – Ed. Madras

Além de um guia completo para fãs das músicas de Michael Jackson, este livro é uma visão geral e definitiva da carreira singular do inesquecível rei do pop.

 Álbum por álbum, faixa a faixa, ele examina cada canção lançada pelos Jackson 5, bem como o total dos lançamentos solo de Michael a partir de “Off The Wall” em 1979 até seu último álbum de material original, “Invincible”, em 2001. A obra ainda inclui: uma cronologia atualizada; análise detalhada álbum a álbum, faixa a faixa; uma parte sobre as coletâneas; páginas coloridas de uma linha do tempo; dezenas de citações de Michael Jackson. Esta é uma obra que mantém viva a memória de Michael Jackson, um ídolo de várias gerações.


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‘Pink Floyd, Primórdios’ – Barry Miles – Ed. Madras

Um relato revelador do início da carreira do Pink Floyd, de suas raízes em Cambridge ao status de culto na Londres dos anos 1960. Um retrato detalhado de um grupo lendário em sua ascensão.

O autor, Barry Miles, viu a banda tocar quando eles ainda eram chamados The Pink Floyd Sound e escreveu o primeiro artigo feito sobre eles para um jornal alternativo de Nova York em 1966.

Miles acompanhou o progresso deles, de uma banda de covers de R&B até se tornarem a força musical lendária que criaria um dos álbuns de maior sucesso de todos os tempos – The Dark Side of the Moon. Ele também conheceu socialmente os membros da banda, testemunhou o declínio rápido de Syd Barrett e se envolveu ativamente na organização de alguns dos shows mais importantes do grupo.

Então, aqui está a história autêntica e irresistível do grupo que forneceu a primeira trilha sonora da Londres alternativa e iniciou no mundo do rock uma combinação radical de música, espetáculos de luzes e efeitos pirotécnicos no palco.


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‘Freddie Mercury, Memórias do Homem que o Conhecia Melhor’ – Peter Freestone – Ed. Madras

De nomes famosos – incluindo Elton John, Kenny Everett, Elizabeth Taylor e Rod Stewart – ao vago exército de amantes, mediadores e interesseiros, Peter Freestone viu todos eles fazerem parte da tragicomédia que foi a vida fora do comum de Freddie Mercury.

Peter Freestone, autor desta obra, foi o assistente pessoal de Freddie Mercury nos últimos 12 anos de sua vida. Viveu com Mercury em Londres, Munique e Nova York e esteve com o cantor quando ele morreu.

 “Fui faz-tudo, garçom, mordomo, criado pessoal, secretário, camareiro… e conselheiro sentimental de Freddie. Eu viajava pelo mundo com ele, estive presente nos altos e baixos. Agi como seu guarda-costas quando foi necessário e, no final, é claro, fui um de seus enfermeiros”, diz Freestone. Aqui está o relato mais íntimo da vida de Mercury já escrito e a verdade por trás dos boatos sobre a sua vida.

 

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