Legião Urbana, Wagner Moura e o #tributofail

Estadão

30 de maio de 2012 | 22h30

Mauricio Gaia

Sou obrigado a dizer logo de cara: o último álbum da Legião Urbana que eu ouvi direito foi “As Quatro Estações”, lançado em 87. Provavelmente,  não o ouvi mais desde 1989, mais de vinte anos, portanto.

Não ter Legião Urbana como a banda favorita da minha adolescência, ou mais, considerar muitas das letras do Renato Russo constrangedoramente piegas não significa que eu não reconheça o quanto o seu trabalho representou para muitas pessoas. Por isto, eu acredito que certas coisas do legado construído ao longo do tempo deva ser preservado.

E a apresentação de Wagner Moura, Dado Vila-Lobos e Marcelo Bonfá passou longe disto. Em tempos de shows-tributos, esta talvez tenha sido a mais barulhenta, a mais desafinada e a que menos fez jus ao homenageado.

Não que eu tenha visto o show inteiro. Não vi, ou melhor, vi alguns pequenos trechos: uma música (não sei qual) que não consegui ficar trinta segundos assistindo, preferindo assistir um emocionante  jogo entre Boa de Varginha e Atlético Paranaense, na Série B do Campeonato Brasileiro.

Voltei depois, quando alertado pelo Twitter, vi que Andy Gill subiria ao palco. Neste momento, Wagner Moura não participou do show, e a banda foi reforçada, além do guitarrista inglês, por Bi Ribeiro no baixo. Não foi inesquecível, mas também não foi ruim. Assim que se iniciou a canção seguinte, “Ainda é Cedo”, voltei rapidamente para a Série B.

Acompanhando pelo Twitter, as opiniões se dividiam entre pesadas críticas à performance sofrível de Wagner Moura e apaixonadas defesas, com argumentos do tipo “vocês não tiveram adolescência” ou  “ele está fazendo o que todo fã gostaria de fazer”. Ter tido adolescência não deveria impedir ninguém de ter senso crítico.

 E ser fã de alguma banda não significa que se deve subir no palco e fazer um tributo a ela simplesmente por que se é fã. Fosse assim, eu vestiria a 8 do Sócrates e entraria no gramado do Pacaembu em algum jogo homenagem que (dizem) o Corinthians ainda fará ao doutor. Mas não farei isto, justamente porque eu tenho senso crítico.

Mas não se deve criticar Wagner Moura por isto. Ele foi convidado a participar do negócio. E é este o problema. Talvez tudo tenha sido um grande negócio. Terem escolhido o ator para fazer as vezes de vocalista da Legião Urbana me parece mais um golpe de oportunismo do que mero acaso.

Buscaram uma cara famosa, um VIP descolado, que carrega alguns significados além dele  ser (um bom) ator. Além disto, eu não consigo conceber que os responsáveis pelo show-tributo não tenham encontrado UM ÚNICO CANTOR que pudesse cantar de maneira digna as canções (algumas realmente boas) da Legião Urbana.

Para terminar, Daniel Fernandes, neste Combate Rock, afirma: “Wagner Moura desafinou. E daí?”. E daí que, no glorioso Colégio Regina Mundi, a Irmã Lurdinha desafinava pacas nas missas e as pessoas tinham que segurar o riso constrangedor. Mas ela, que Deus a tenha, era a Irmã Lurdinha e não tinha ninguém para defende-la apaixonadamente.

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