Led, Iron Maiden, Metallica e AC/DC de saias

Estadão

16 de outubro de 2010 | 08h17

Marcelo Moreira

A música é bem conhecida. É um hit de uma banda gigante, clássica do rock. De repente, a voz entra e causa uma certa estranheza. A tentativa de imitação em alguns momentos é evidente. Em outros, nem tanto. O instrumental é quase idêntico. Um pouco mais de atenção e ouvinte ficará na dúvida: quem está cantando? Mais um pouco, e começa a achar que é uma mulher. E depois fica estupefato quando descobre que é mesmo uma mulher.

Esse roteiro é unânime entre fãs e curiosos que ouvem as bandas Lez Zeppelin, The Iron Maidens, Misstallica e AC/Dshe e Hell’s Belles. Como os nomes entregam, são bandas covers, que fazem versões, são fomradas somente por mulheres. O curioso é que essas bandas ficaram tão conhecidas e tão importantes que até CDs e DVDs gravaram com suas versões para os clássicos dos ídolos – sem falar nas turnês.

The Iron Maidens é a mais bem-sucedida das quatro até agora. Lançou um álbum em 2005, “World’s Only Female Tribute to Iron Maiden”, e dois EPs em 2007 e 2008.

As meninas que clonam o Iron Maiden são muito boas no que fazem. As duas vocalistas que passaram pela banda são excelentes, acrescentando em algumas passagens musicais toques pessoais, e o instrumental é bastante fiel às versões originais. E o mais importante para elas: têm a aprovação e apoio dos músicos da banda original, que admiram o trabalho.

Formação atual das Iron Maidens

A banda foi formada em 2001 no sul da Califórnia e já excursionou por todo os Etados Unidos, Canadá, Japão, Espanha, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Iraque, México, Grécia, Turquia e Oriente Médio. Abriram shoes para bandas como KISS, Great White, Danzig, Jackyl, Nevermore e Nightwish.

 Fazem parte da banda atualmente as fundadoras Sarah Marsh (guitarra) e Linda McDonald (bateria), Wanda Ortiz (baixo, desde 2002) e as novatas Kirsten Rosenberg (vocal) e Courtney Cox (guitarra), que estão na banda desde o ano pasado. Merece uma menção a vocalista Aja Kim, que saiu há dois anos. Seu trabalho nos três lançamentos até agora é notável.

O Lez Zeppelin tem tanto prestígio quanto as Iron Maidens – e musicalmente são tão boas quanto -, mas são menos ativas, pode-se dizer. Fazendo cópias quase idênticas das músicas do Le Zeppelin, o grupo foi criado em 2004 em Nova York pela virtuosa guitarrista Steph Paynes, que teve problemas com as constantes mudanças de formação

Quando encontrou a excelente vocalista australiana Sarah McLellan, registrou o álbum “Lez Zeppelin”, em 2007. O CD não tem a produção cara e caprichada do álbum das Maidens, mas é bem feito e mostra uma versão mais rústica e interessante das músicas do Led Zeppelin. Merece uma audição.

Formação do Lez Zeppelin de 2007

Entretanto, as mudanças continuaram. Da formação que gravou o CD, apenas Payne permaneceu, mas até que ela se deu bem, pois conseguiu achar uma vocalista ainda melhor, Shannon Conley.

Com voz potente, alcance vocal que impressiona e com recursos que a permitem variar e modular a voz de acordo com a música, algo que poucos vocalistas geniais conseguem – Ian Gillan, Robert Plant, Roger Daltrey, Rob Halford, Glenn Hughes e os falecidos Dio e David Byron (Uriah Heep). 

O primeiro álbum do Lez Zeppelin

Há dois meses as garotas colocaram no mercado “Lez Zeppelin I”, que está sendo vendido pela Amazon.com e pelo iTunes. O trabalho de Conley é primoroso na regravação das nove músicas que compunham o primeiro álbum da banda original, lançado em 1969.

 Hell’s Belles e AC/Dshe fazem versões de músicas dos australianos do AC/DC. A primeira é mais interessante, e surgiu em Seattle, nos Estados Unidos, em 2000. Nenhuma das cinco fundadoras está na banda, o que acabou sendo bom, pois as substitutas são melhores. Gravaram apenas um trabalho até agora, “We Salute You”.

Tecnicamente não se comparam ao The Iron Maidens, mas também as cinco garotas do Hell’s Belles não se levam tão a sério. Elas adoram divulgar em folders e no site da banda uma declaração de Angus Young, o guitarrista solo do AC/DC: “É a melhor banda cover da minha que já ouvi”.

As Hell's Belles em 2009

O AC/Dshe é mais antigo, de 1997, obra da baixista Nici Williams e da vocalista Amy Ward. Não é tão profissional como as Hell’s Belles, tocam mais por diversão, apesar de se equipararem às “rivais” de Seattle em termos técnicos. Para se diferenciar, o AC/Dshe restringe seu repertório à fase do vocalista Bon Scott no AC/DC, ou seja, de 1975 a 1980 (quando morreu em Londres).

As meninas já participaram de festivais em todos os Estados Unidos e têm até fã-clube, mas curiosamente não lançou nenhum álbum, pelo menos nenhum que seja oficial. A vocalista Amy Ward, uma loira bonita, é o destaque, já consegue emular o vocal rasgado de Scott com perfeição.

A nota engraçada é a guitarrista Pamela Ausejo, que encarna o ensandecido guitarrista Angus Young. Vestida como ele, com uniforme escolar britânico dos anos 60, e com longos cabelos pretos, ela tenta de forma desengonçada imitar a performance elétrica do músico no palco, mas o resultado é patético – para sorte dela, até que toca direitinho.

AC/Dshe faz paródia com a capa do álbum 'Haighway to Hell', do AC/DC

 O Misstallica também faz um trabalho honesto ao homenagear o Metallica, mas as meninas são têm o mesmo pique das outras citadas acima. Não que sejam ruins, mas estão abaixo tecnicamente. Há poucas informações sobre o grupo na internet e o perfil delas no MySpace não ajuda muito.

Formado em 2008 na Filadélfia, nos Estados Unidos, tem como formação atual Gigi Gleason (guitarra e vocal), Tiana Jimenez (guitarra), Teddi Tarnoff (baixo) e Kaleen Reading (bateria). Elas ainda fazem também apresentações somente com músicas do cantor dinamarquês King Diamond. Ainda não lançou álbuns de forma oficial.

Atual formação do Misstalica

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