Lançamentos selecionados do primeiro trimestre

Estadão

13 de abril de 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

O primeiro trimestre de 2012 acaba e a veloidade de lançamentos em todos os formatos é enorme, mesmo em tempos de pirataria desenfreada e downloads ilegais. Sinal de que os artistas, pelo menos no exterior, estão encontrando formas alternativas de financiar seus trabalhos com músicas inéditas. Abaixo alguns dos laçamentos selecionados que merecem destaque:

 

– Mustasch – Sounds Like Hell Looks Like Heaven – O AC/DC sueco volta mais pesado e mais raivoso. O álbum tem uma produção primorosa, embora sem qualquer firula e vai direto na veia, como os anteriores.Considerada hoje uma das cinco bandas mais importantes da Escandinávia, esteve por três vezes no topo da lista de mais vendidos desde 2008. Heavy metal tradicional com jeitão de despojado, quase stoner rock. É um dos grandes lançamentos do semestre.

 

– Lana Lane – El Dorado Hotel – A grande cantora californiana de produção insana resolveu dar um tempo em 2008 após o ótimo álbum “Red Planet Boulevard”. Reorganizou os negócios ao lado do marido, o tecladista Erik Norlander, e desacelerou o ritmo dos shows e turnês. Quatro anos depois, “El Dorado Hotel” traz mudanças sutis no trabalho de Lana. O metal progressivo e as longas suítes deram lugar a canções mais acessíveis, com arranjos mais simples, mas sempre à base de teclados de Norlander. Com isso, os trabalhos de guitarra de Mark McCrite e Neil Citron ganham mais destaque, com solos inspirados em quase todas as faixas.

 

– Hysterica – Art of Metal – O quinteto feminino sueco volta bem mais pesado no novo álbum, com nítida influência da diva alemã Doro Pesch (ex-Warlock). O som está mais agressivo e mais maduro, com mais solos  e duelos de guitarra. As letras ainda pecam um pouco, com temas bobinhos e sem muita inspiração, mas a pegada defitivamente é outra.

 

– Napalm Death – Utilitarian – Porrada no último volume. O grupo britânico mantém a agressividade e a velocidade em trégua, trazendo insanidade e pânico aos ouvidos. O metal extremo é o de sempre, sem concessões, cru e pesado, mas com qualidade. Dizer que a produção está melhor seria quase uma heresia, em se tratando de tosqueira anárquica e barulhenta. Um dos grandes nomes do gênero em plena forma mesmo aos 30 anos de carreira.

 

– Overkill – The Electric Age – Excelente álbum de thrash metal, ensinando a nova geração como se faz. É ainda melhor que o anterior, “Ironbound”, com um riffs ortantes e certeiros, sem excessos e muito velozes. O vocal de Bobby Ellsworth está mais limpo, nitidamente por opção da produção, mas isso em nada afeta a qualidade do álbum. Ellsworth vocifera com propriedade, elevando o tom e fazendo com que o trabaho de guitarras soe muito pesado.

 

– Blaze Bayley – The King of Metal – A errática carreira do ex-vocalista do Iron Maiden deu uma derrapada feia dessa vez. Se ele havia reconquistado parte do respeito com o último álbum, o razoável “Promise and Terror”, jogou por terra com este novo trabalho, com produção estranhamente crua e tosca, e músicas sem a menor inspiração. Nem mesmo as duas faixas acústicas, uma delas ao piano, funcionam, soando apenas como um lamento desesperado de um artista em busca do caminho perdido. Para variar, trocou novamente a banda inteira de apoio, mas com resultado ruim. Cuidado.

 

– Dr. John – Locked Down – Um dos pilares do blues norte-americano, o pianista e excelente compositor de New Orleans volta ao trabalho de inéditas com a preciosa ajuda de Dan Auerbach na produção, dando um sopro de jovialidade ao gênero um pouco desgastado no qual Dr. John é mestre: o blues sulista mesclado com o rhythm and blues e a música cajun. Auerbach é guitarrista da dupla queridinha da crítica norte-americana, o Black Keys, que dá nova roupagem ao teclado denso e ao mesmo tempo festivo do veterano músico. Escute com atenção as dramáticas “My Children, My Angels” e “Big Shot”.

 

B.B. King – Live at the Royal Albert Hall – Mais um registro ao vivo do mestre do blues, em CD e DVD. Desta vez os detaques são os convidados de peso – Slash, o casal blueseiro Susan Tedeschi e Derek Trucks, Mick Hucknall (Simply Red) e o stone Ron Wood. O veterano bluesman, aos 86 anos, ainda impressiona ao subir ao palco nesta idade e mandar música da melhor qualidade, mas a saúde está cobrando a dívida agora, o que faz com que os convidados sejam mais do que bem-vindos. Independente disso, como sempre, é uma aula de música boa e de blues de verdade.

 

– Joe Bonamassa – Live at the Beacon Theatre – Um dos garotos-prodígio do blues dos anos 90 chega à segunda década do século XXI beirando os 40 anos como uma estrela do gênero e um dos nomes mais cultuados do hard rock da atualidade. Sua presença na superbanda Black Country Communion ao lado de Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) ampliou decisivamente o seu mercado, transformando em um guitarrista cultuado e reverenciado por nomes como B.B. King e Eric Clapton. O novo pacote CD/DVD tem como grande diferencial as participações especiais: o fantástico Paul Rodgers (ex-Free, Bad Company e Queen), o versátil e eclético guitarrista norte-americano John Hiatt e a excelente cantora americana Beth Hart, com quem dividiu o seu último lançamento inédito, “Don’t Explain”.

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