Kraftwerk é o destaque do festival Sónar

Estadão

05 de maio de 2012 | 06h54

Claudia Assef – ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

Oito anos depois da primeira edição brasileira, o festival espanhol Sónar retorna a São Paulo (dias 11 e 12) tendo como principal atração o grupo alemão Kraftwerk, escalado de última hora para tapar buraco – com estilo, diga-se – da cantora Björk.

Por conta de um problema nas cordas vocais, a cantora cancelou a apresentação que faria na sexta-feira (dia 11), a menos de duas semanas do evento. E o que poderia ter virado um pesadelo para os organizadores acabou deixando boa parte do público feliz.

Num par de dias, o Sónar conseguiu tirar da manga o show 3D do Kraftwerk, apresentação que só foi vista no Museu de Arte Moderna (MoMA), de Nova York. A diferença é que lá foram oito shows, cada um dedicado a um álbum do grupo. Aqui, o show será um pot-pourri da carreira dos “robôs” alemães.

“Num espaço de tempo muito curto conseguimos substituir bem a falta da Björk. Diria que o Kraftwerk não foi um plano B, foi um plano A plus”, diz Marcos Boffa, curador do festival junto com os catalães da Advanced Music, empresa dona da marca Sónar. “Nessas horas o principal é conseguir preservar a qualidade do festival. Acho que isso demonstra bem o cuidado com a programação e com o público que o Sónar tem”, diz Boffa.

Criado em 1994, o Sónar é hoje um dos festivais de música e arte tecnológica mais bem conceituados do mundo. O evento ocorre anualmente em junho em Barcelona e, desde 2002, em várias outras cidades do mundo.

A banda Kraftwerk (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Por mais que tenha crescido ao longo de seus 18 anos de história, chegando a reunir 80 mil pessoas em suas edições catalãs, o Sónar mantém como uma de suas principais características uma mistura de novidades e clássicos da “música avançada”, termo que a direção do festival usa para agrupar artistas dos universos da música eletrônica, indie rock, música experimental e hip-hop menos convencional. Mesmo depois de atingir a maioridade e conseguir sucesso comercial, o Sónar mantém os pés no underground.

“É um festival que tem uma programação muito consistente. Cada festival tem o seu DNA e vai ganhando reputação a partir dele. A característica das 19 edições espanholas, e mesmo da brasileira, de 2004, sempre foi ter uma programação de muita qualidade e com uma gama de estilos e tendências bem diversos”, diz Boffa.

Quando passou por São Paulo em 2004, o festival apresentou ao grande público “novidades”, como o grupo LCD Soundsystem, o funk carioca do DJ Marlboro, o minimal techno de artistas como Ricardo Villalobos e Matthew Dear, além de uma programação vanguardista, com espaço para instalações de arte e shows de artistas totalmente desconhecidos por aqui, apresentada durante o dia no Instituto Tomie Ohtake.

Agora, a programação repete a mistura de tendências e clássicos e chega a flertar com o pop. “Tem de hip-hop a dubstep, passando pelo indie, música de pista de vários estilos, de global beats até o techno classudo de Jeff Mills, além de trabalhos mais experimentais, como o do japonês Ryuichi Sakamoto. E tem ainda espaço para o pop soul de Cee-Lo Green e os insuperáveis alemães do Kraftwerk”, resume Boffa.

Ao contrário da edição de 2004, quando o evento foi divido em dois endereços – a parte diurna no Tomie Ohtake, e a noturna, no Credicard Hall –, o Sónar 2012 vai se concentrar no Parque Anhembi. Lá estarão distribuídos os três palcos (SonarClub, o maior; SonarVillage, o mais “novidadeiro”; e SonarHall, o “cabeçudo”), além de uma área voltada para profissionais da música e da tecnologia audiovisual (SonarPro) e um espaço para projeção de filmes e documentários ligados à música eletrônica e a novas tecnologias (SonarCinema, com destaque para Phase to Face, documentário sobre o músico americano Steve Reich).

“O Sónar vai ocupar o Anhembi de uma maneira nova. Não usaremos a Arena Anhembi, será praticamente um evento indoor. Uma das coisas bacanas é que vamos resgatar o Auditório Elis Regina, onde estará concentrada uma parte sensacional da programação, como, por exemplo, o show da dupla Ryuichi Sakamoto e Alva Noto”, explica Marcos Boffa.

 O auditório, também chamado de “pudim” por seus frequentadores da antiga, faz parte da história da música underground de São Paulo, por ter sido palco dos primeiros shows gringos de bandas como Siouxsie & The Banshees, P.I.L. e Echo & The Bunnymen entre 1986 e 1987.

Para cada uma das duas noites do Sónar SP são esperadas entre 15 e 20 mil pessoas. “O plano é manter o festival anualmente no Brasil. Sem dúvida, é um mercado que tem toda condição de absorver, sobretudo com o crescimento econômico e a perspectiva de eventos de repercussão internacional que vêm por aí, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, acredita Boffa.

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