Korzus, um estilo de vida no rock brasileiro

Estadão

20 Setembro 2013 | 06h50

Geraldo Andrade – site Heavy’n’Roll 

 
KORZUS, esse é um dos maiores nomes do metal brasileiro e mundial. A banda está na ativa desde 1983, fazendo história no Brasil e levando o nome do nosso país para todos os cantos do mundo. Para saber um pouco mais sobre tudo isso, bati um papo muito legal com o baixista Dick Siebert, ele conta um pouco da sua história e da banda. Vale conferir!
 
HEAVYNROLL – Em primeiro lugar, em nome do Heavynroll, quero agradecer a oportunidade de entrevistar uma das maiores lendas do metal brasileiro, obrigado DICK!
 
DICK – Obrigado a vocês pela consideração, e por manter a chama do metal acesa.
 
HEAVYNROLL – No inicio, em 1983, você imaginava que iria tornar-se uma lenda do metal brasileiro?
 
DICK – Nem tinha ideia, fazíamos um som pra nos divertir. Mas com o tempo sabíamos que era isso, ser músico e headbanger é nosso estilo de vida. E essa parada de lenda, é vocês que estão falando.
 
HEAVYNROLL – Para a galera mais nova, como surgiu o Korzus? E a origem do nome KORZUS?
 
DICK – O Korzus surgiu em outubro de 1983 como Mão do Destino para participar do festival de música na escola em que o Pompeu estudava. Um dia antes do festival o Pompeu e o Brian (primeiro batera) trocaram o nome para Korzus.
A origem, veio do nome de um amigo. O Pompeu estava no ensaio do Ethan e leu na porta do armário “Marcos Korzus”, que era o nome artístico do nosso amigo na época. Riscou o Marcos e pegou o Korzus, era esse o nome. Esse brother assistiu a um filme de terror e havia um guardião, um guerreiro, com nome em latim que soava parecido com “Korozum” e ele batizou de Korzus.
 
HEAVYNROLL – Comparando hoje em dia com os anos iniciais da banda, , como era o metal no Brasil?
 
DICK – Era idade da pedra, poucas bandas, pouco público, a informação chegava tarde, nossa mídia eram alguns fanzines de Xerox, dois programas de radio, não tínhamos tecnologia e equipamentos só quando alguém viajava. A parada era orgânica, você tinha de ir atrás. Hoje em dia é a maior moleza.
 
HEAVYNROLL – E como você vê a atual cena rock/metal do Brasil?
 
DICK – Vejo uma cena consolidada, um estilo de música e de vida que cravou sua bandeira. Temos bandas e músicos de nível internacional, somos rota de shows. Só no ano passado tivemos mais de 150 shows internacionais, isto é, um show a cada 3 dias. A única banda que lota um estádio dois dias é o Metallica. O maior público do Iron Maiden com 63 mil pessoas foi aqui. O metal é grande. Sei que temos muito que melhorar em vários aspectos e eliminar este estigma de que underground tem que ser tosco. O artista nacional tem que ser valorizado.
 
HEAVYNROLL – Quais os baixos e equipamentos que você usa?
 
DICK – Uso um Music Man 04 cordas, um Warwick 04 cordas, e dois Music Maker, um de 05 integral e outro de 04 cordas, cordas Elixir, pedal “Bass Pusher” da Fire Custom Shop, cabos Tecniforte, Amplificador Behringer e caixas Marshall.
 
HEAVYNROLL – Quais baixistas você destacaria hoje em dia, independente do estilo ou quem?
 
DICK – Os clássicos sempre se renovam, Geezer Butler está com um som incrível no Black Sabbath novo, gosto do Billy Sheehan e Les Claypool.
 
HEAVYNROLL – Uma vez eu assisti a uma entrevista sua, onde o entrevistador disse que quando ouvia a palavra Korzus, a primeira imagem que vinha na cabeça dele era o do baixista DICK, concordo com ele, o que você acha disso?
 
DICK – Cada banda tem seu personagem marcante, talvez seja a semelhança com o Brad Pitt (risos).
 
HEAVYNROLL – Nesses quase 30 anos, qual o pior e o melhor momento da sua carreira?
 
DICK – O pior prefiro não recordar e o melhor é hoje por saber que ainda estamos em atividade fazendo parte desta história.
 
HEAVYNROLL – Como é estar numa banda de heavy metal no Brasil, há 30 anos?
 
DICK – O sentimento é de felicidade, satisfação. Fazer o que você gosta não tem preço. Mas o metal é isso, muito trabalho, dedicação e atitude. Tem que ser cascudo, coisas que poucos estão ligados.
 
HEAVYNROLL – O “tesão” de estar num palco, de estar gravando, ainda é a mesma aquela do inicio?
 
DICK – Com menos ansiedade e mais experiência, mas “o barato” é sempre o mesmo.
 
HEAVYNROLL – Você tem um trabalho com cenografia, é um pintor, conta um pouco desse outro lado artístico do baixista do Korzus?
 
DICK – Estou envolvido com arte desde os 15 anos , sempre desenhei, pintei e trabalhei com arte. Faço backdrops para as bandas há 20 anos, tenho mais de 500 cenários pra umas 150 bandas. Fiz os primeiros pro Korzus e na época era uma cultura que quase não rolava por aqui. Hoje uma banda sem um backdrop é uma banda pelada no palco.
 
HEAVYNROLL – O ultimo álbum foi “Discipline Of Hate”, de 2010, quando podemos esperar algo novo do Korzus?
 
DICK – Para este ano de 2013.
 
HEAVYNROLL – Qual é a atual formação da banda?
 
DICK – Eu, Pompeu, Rodrigo Oliveira, Heros Trench e Antonio Araújo.

 
HEAVYNROLL – Agora falando em shows, faz um bom tempo que o Korzus não vem ao Rio Grande do Sul, qual a sua lembrança da ultima passada aqui pelo Estado?
 
DICK – Cara, faz tempo…
 
HEAVYNROLL – Como está a agenda da banda?
 
DICK – Estamos no fim da tour do “Discipline…“, temos algumas datas e após o lançamento do novo álbum entraremos em nova tour.
 
HEAVYNROLL – 2011 foi um ano fantástico para o Korzus, uma tour pela Europa e a participação no Rock in Rio. Como foi a participação nesse que é um dos maiores festivais do mundo? 
 
DICK – Sim, foi um ano bom para o Korzus, várias atividades, shows inesquecíveis, incluindo o Rock in Rio que foi irado. Tocamos no palco Sunset que era voltado para jams, e nossos convidados foram o Schmier do Destruction, o Mike do Suicidal Tendencies, East Bbay Ray do Dead Kennedys e o João Gordo do R.D.P., marcamos presença.
 
HEAVYNROLL – Como somos um Blog do Sul, gostaria de saber o que você conhece do rock gaúcho?
 
DICK – O que vem de cara é o Krisium, tem Hibria, Scelerata, Hangar, Rosa Tattooada, e uma pá de banda boa. Mas sem sacanagem o que vem na mente é o “Kleiton e Kledir“.
 

HEAVYNROLL – Essa é uma opinião que peço para todas as bandas e artistas. Queria a tua opinião sobre a internet, tipo redes sociais, Orkut, myspace, Twitter, Facebook, Downloads, isso tudo ajuda na divulgação do Korzus?

 
DICK – Sim, como somos de uma geração que não tinha todo esse recurso e acompanhamos essa evolução na tecnologia, vejo como uma ferramenta que agiliza em tempo real a informação. Mesmo gostando de um formato mais old school você se adapta a nova realidade.
 
HEAVYNROLL – O que o Dick anda escutando hoje em dia?
 
DICK – Estas últimas semanas estava ouvindo o novo do Lamb of God, Hatebreed, Municipal Waste e alguns clássicos de sempre como Exodus, Pantera e algumas bandas novas, Hatriot, Lost Society.
 
HEAVYNROLL – Quais os planos para o ano de 2013?
 
DICK – Lançar o novo álbum é a próxima meta, depois pensaremos nas outras.

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