Korzus: 30 anos de fúria e peso – parte 1

Estadão

18 de maio de 2013 | 07h06

Peso extremo e qualidade no topo no heavy metal têm três grandes nomes no Brasil: Sepultura, Krisiun e Korzus. Enquanto as duas primeiras se tornaram o maior nome do rock brasileiro no exterior, ao lado do Angra, os paulistanos do Korzus – uma das pioneiras do heavy no Brasil, anterior mesmo ao Sepultura -, consolidam uma aura cult que não faz jus ao trabalho de altíssimo nível que desenvolvem há 30 anos. O último álbum, “Discipline of Hate”, foi considerado um dos melhores álbuns do ano em 2011 por várias revistas e sites nacionais e estrangeiros. O Combate Rock faz uma homenagem às três décadas da banda reproduzindo uma interessante entrevista conjunta do baixista Dick Siebert e do guitarrista Antonio Araújo concedida ao ótimo site especializado Wikimetal neste mês de maio. (MARCELO MOREIRA)

WIKIMETAL: Estamos entrevistando o Dick e o Antônio, do Korzus. O Dick obviamente baixista desde o começo da história do Korzus e o Antônio que tá há 3 anos quase na banda que desde 83 estão realmente na estrada levantando essa bandeira quase 30 anos. Fazer uma mesma coisa por 30 anos sei lá, manter o casamento por 30 anos, trabalhar na mesma empresa por 30 anos, qualquer coisa por 30 anos é difícil, é muito difícil, então levar essa bandeira. Eu queria falar, antes de vocês falarem, eu só queria falar de coração, muito obrigado por vocês existirem, muito obrigado por vocês estarem falando aqui no Wikimetal e muito obrigado por tudo que vocês fizeram pelo Metal brasileiro.

(Dick Siebert – DS): Eu que agradeço todo esse elogio aí pô e obrigado de você dar uma continuidade no Metal com o Wikimetal cara, você não abandonou, você tá levando ele para frente, alguém sempre tem que continuar. Um dia a gente vai parar. Um dia minha mão não vai mais tocar, minhas costas, meu pescoço não vai mais querer “bangear”.

W (Daniel Dystyler – DD): Daqui a muito tempo.

(DS): Daí eu vou ter que tocar banquinho e violão né mano? Alguém sempre tem que tá continuando fazendo esse trabalho. Trabalho sujo tem que continuar.

Wikimetal (Rafael Masini): Tem uma coisa que desde moleque que eu acompanho o Korzus, na verdade o Antônio não devia nem ter nascido.

(AA): Ah, possivelmente.

W (Rafael Masini – RM): Possivelmente. Eu tenho um vinil do ao vivo de vocês, aquele vermelho em que o Pompeu chama na chincha “Ô você que estão no fundo aí, vem para frente, headbanger vem para frente”.

(DS): Pô isso daí foi em 85 no SESC Pompéia.

W (RM): Sempre que eu ainda ouço esse vinil o Korzus é isso, é de chamar na chincha, vem para frente mesmo, é “sangue nos olhos”.

W (DD): E já que você tá falando desse tempo né, eu e o Rafael a gente viajou com o Dick, com Pompeu, com o pessoal que ainda tá na banda e os que não tão mais, acho na época tinha o Nicastro, tinha o Silvio, tinha o Betão na bateria, a gente fez vários shows Viper e Korzus, alguns no Rio, alguns em Santos naquele circo, no Caverna 2 lá em Botafogo. Você lembra alguma coisa dessa turnê, alguma lembrança interessante, engraçada?

(DS): Lembro! Lembro! A gente tava na praia de Ipanema, meio dia, sol 40 graus, Nicastrão vira e fala assim “Ó headbanger que é headbanger anda de jaco de couro e coturno no Rio de Janeiro em Ipanema”. E os caras botaram tudo jaco de couro e coturno mano e andando tudo de preto na praia, todo mundo olhando, monte de mulher pelada, um monte de cara fortão, e os caras tudo cabeludo, branquelo para caralho e andando para lá e para cá e a molecada do Viper assim meio assustada “Pô esses caras do Korzus são loucos”. Engraçado para caramba.

W (DD): E o esquema da nossa viagem, lembra? Eles dividiram a gente nas casas dos caras, eu e o Rafael ficamos lá no Leblon, vocês ficaram na casa daquele André Smirnoff.

(DS): É o Smirnoff. Pô, assaltamos a geladeira do cara.

W (DD): Pô, como é que foi isso aí?

(DS): Pô tinha um cadeado até a geladeira porque o cara era gordão né? Então a mãe do cara tinha viajado, ele pegou chamou todo mundo para fazer o show, o cara era dono do Fanzine né? Era Mosh não é?

W (DD): Mosh, isso mesmo, Fanzine Mosh.

(DS): Aí o cara chegou fez um macarrão lá que pô nem meu cachorro comia. Aí o cara falou “Tem um rango aí para rapaziada. Eu tô indo para casa do meu tio que tem uma festa eu volto no final da tarde”. Beleza! Tipo olhou aquilo e “Pô, por que sua geladeira tem cadeado né? No freezer?” O cara falou “É porque eu sou gordo e como tudo, minha mãe tranca quando ela viaja” Beleza! A gente olhou e falou “meu irmão essa geladeira tem cadeado. Ela tem chave. Vamos procurar!” Puta o cara saiu de casa e a gente começou a fuçar o apê do cara inteiro, achamos a chave mano. Achamos a chave do freezer, abrimos o freezer, botamos todos os congelados no forno e batemos o maior rango. O cara chegou em casa e começou a chorar “Minha mãe vai me bater, vai achar que fui eu” e o mais louco o Felipe lembrou um detalhe, o cara tinha a maior coleção de playboy gringa, a gente pegou todas as playboy do cara, tiramos todos os pôster “das mulher” pelada da playboy e atrás de todos os quadros da casa do cara a gente colou na parede os pôster da playboy, quando a mãe do cara fosse limpar o quadro e tirar ia estar cheio de mulher pelada. Puta que pariu, foi muito engraçado, a gente só fazia bosta cara, não tinha jeito cara, até hoje meu. A gente é bem mais contido, mas porra meu quando une todos os vagabundos, não adianta.

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Dick Siebert

W (DD): Vocês mantém contato, com o Betão, o Nicastro?

(DS): Ah às vezes a gente cruza eles. O Nicastro é primo do Silvio né? O Silvio, ele não é da banda, mas ele sabe tudo o que acontece, tá em todas, tem um ensaiozinho ele “Ô vou passar aí para tirar um somzinho”.

(Antonio Araújo – AA): Fica lá, fica tocando comigo véio.

W (DD): Que legal.

(DS): Ele pira, cara.

(AA): Silvão é figuraça.

(DS): Silvão é ainda da banda assim de alma e coração.

W (RM): Deixa eu só fazer, uma dúvida na verdade. Tem até lenda urbana sobre o Korzus né? E eu moleque ouvia porque eu sempre gostei muito de palhetada. É impressionante, falava “o Korzus tem palhetada” e todo mundo fala disso e aproveitando até o Antônio que tá há 2 anos e meio né?

(AA): 3.

W (RM): Eu ouvia uma lenda e aí você pode falar se isso era verdade e se hoje tem isso, que o Nicastro e o Silvio ficavam frente a frente tipo espelho vendo a palhetada. Eu ficava ouvindo isso “Sabe que os caras do Korzus são bons, eles ficam frente a frente e tem que ser espelho a mão, espelho”. Isso é verdade ou é lenda?

(DS): Ah, fazia direto porque era uma época em que a gente tava aprendendo tocar, né? Anos 80. Pô não tinha vídeo aula cara, não existia internet, não tinha vídeo aula, não tinha professor de rock. Tinha professor de bossa nova, de jazz, de escala musical. Não tinha um cara que falava “rock toca assim” a gente ouvia no CD e falava “Que esses caras fazem para fazer esse pram pram pram?”.

(AA): Se virava para fazer igual né meu.

(DS): A gente falava que caralho. Daí a gente ficava maluco. Daí tinha a época do “Topper man’” ele tinha uns pedais que um amigo dele fazia em casa. Daí ele ligava 3, 4 pedal, um no outro, para chegar numa distorção parecida com a do gringo aí a gente “Porra, mas não tá igual”. Daí a gente rasgava o alto-falante da caixa para ele fazer mais puuuuu para peidar mais, caralho. Pô Nicastrão, a gente chegou a fazer palheta de ferro, a gente levou a palheta Fender no serralheiro e falou “Meu irmão faz de ferro assim, mais ou menos nessa espessura”. Eu tenho uma palheta guardada até hoje em casa de ferro cara, para gente ver se saia aquela som cra cra cra e a gente com as guitarra Giannini, não tinha nenhum captador, nem um DiMarzio a gente tinha, então era uma loucura pra fazer isso. Então a gente ficava ouvindo vinil “Como que o cara tá fazendo isso?” Pô primeira vez que a gente ouviu um Slayer a gente falou “Que que é isso?” Os caras “É uma banda de Metal fudida” Não, não é Metal, isso é Punk daí de repente entrava o solo, puta é Punk com solo cara. Muito loco.

W (DD): Aliás, que me leva ao tema que eu queria falar que é o disco novo de vocês que tá sensacional. É um negócio inacreditável, para mim disparado é o melhor disco do Korzus, eu acho muito muito bacana, tanto no ponto de vista de produção, não dá para falar que é melhor, mas é do nível do internacional não deixa nada para ninguém e as músicas? As músicas são muito bacanas. Principalmente o começo, o começo do disco Discipline Of Hate, Truth que vocês fizeram um clipe que também é outra coisa muito bem investida, muito legal o visual, daqueles telões meio redondos assim, ficou um visual muito legal e depois o disco inteiro. Tem 2012 que tem aquela gravação espanhol no começo.

(DS): Aquilo ali é um verdadeiro shaman mesmo.

(AA): Aquilo é um shaman Maia.

(DS): Sobre 2012.

W (DD): Eu ia perguntar isso ai, esse negócio foi feito pro disco? Vocês pegaram de algum lugar?

(AA): Foi. Eu achei isso aí na internet. Eu tava pirando nisso, eu tava pensado “Pô aquela música merecia uma intro”. Aí eu tava olhando na internet e botei lá no Youtube: 2012 Maia. Aí apareceu uma entrevista de um sociólogo que chama Carl Johan e ele tava entrevistando esse shaman Maia. Eu ripei o áudio dele, separei a fala lá e aí pensei “Pô isso pode dar merda tal”. Porque era uma entrevista. Aí eu mandei um email para o cara no outro dia respondeu “Cara que é isso, pode usar, tal, maior prazer” O doutor lá, o sociólogo e aí colocamos isso aí.

W (DD): E a música também é uma música muito legal. Depois tem Slaver que é a maior pedrada assim.

(AA): É porrada né?

W (DD): Muito legal, muito legal. Eu achei o disco…

(DS): E tem algumas que não saíram aqui né, só saíram na versão da Europa e outra que ia sair na versão do Japão e outra que ia sair na versão nos Estados Unidos, mas no final a versão da Europa saiu igual pros Estados Unidos.

(AA): E a do Japão ainda não saiu.

(DS): E do Japão acabou ainda não saindo.

W (DD): Então tem mais música para ser liberada ainda?

(DS): Então a gente tem duas músicas ainda na manga.

(AA): Tem duas músicas na manga ainda.

(DS): Que são bem legais.

W (DD): Muito bom! Legal.

(AA): E a Hipocrisia que só saiu no Brasil.

(DS): Só saiu no Brasil a Hipocrisia.

W (DD): Ah é isso que eu ia falar que é uma música em português né? Disco inteiro em inglês.

(AA): Que só saiu no Brasil.

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