Judas Priest faz show retrospectivo em São Paulo

Estadão

12 de setembro de 2011 | 16h37

Felipe Branco Cruz

Essa dobradinha já havia se apresentado na mesma Arena Anhembi, em São Paulo, em 2005. Mas os shows de sábado à noite das bandas Whitesnake e Judas Priest tiveram um sabor a mais. Enquanto o primeiro grupo, liderado por David Coverdale, ex-vocalista do Deep Purple, fazia um show protocolar, exibindo sucessos e as músicas do álbum Forevermore, lançado no primeiro semestre deste ano, o segundo procurou fazer uma despedida digna do seu apelido “deuses do metal”.

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Judas Priest fez despedida digna do apelido 'deuses do metal' - JF Diorio/ AE
JF Diorio/ AE
Judas Priest fez despedida digna do apelido ‘deuses do metal’ 

Não que Rob Halford e companhia, do Judas Priest, vão pendurar as guitarras e viver no campo. Nada disso. A banda, inclusive, faz questão de afirmar que possui um novo disco saindo do forno. A apresentação em São Paulo, no entanto, faz parte da turnê Epitaph, um adeus aos grandes shows pelo mundo afora. 

A noite roqueira no Anhembi começou com o glam e o hard rock da Cobra Branca. As guitarras afiadas e os gritinhos de Coverdale saíam fracos dos alto-falantes. O público também estava longe dos 25 mil que se reuniriam, mais tarde, para ver os músicos do Judas Priest. O Whitesnake abriu sua apresentação com Best Years, do penúltimo disco, Good to Be Bad, de 2008, que marcou o fim de um hiato de 11 anos da banda. 

Era a hora da grande atração da noite. Às 22h11, a bandeira que cobria o palco subiu. E o público, agora por volta de 25 mil pessoas, urrou aos gritos de “Priest! Priest!”. Halford surgiu com um sobretudo preto, coberto de espinhos, e os tradicionais óculos escuros. Foram necessários 15 minutos de show até que sua voz conseguisse ser ajustada e se sobressaísse em meio à potência sonora da banda.

Isso enfraqueceu a trinca poderosa selecionada para o início da apresentação: Rapid Fire e Metal Gods, do clássico British Steel (1980), e Heading Out to the Highway, do igualmente clássico Point of Entry (1981). Eram uma amostra de que o show teria um caráter retrospectivo. Vieram, na sequência, a rara Never Satisfied, de 1976, e a mais recente Judas Rising, de 2005. Foi uma viagem de 42 anos pela história da banda – e do metal.

Os clássicos ficaram para o final do show. A arrebatadora Breaking The Law foi inteiramente cantada pela plateia: Halford apenas regeu o coro. Veio Painkiller e a apresentação chegou ao fim, às 23h52. A banda voltou ao palco mais duas vezes. A primeira foi icônica. Glenn Tipton e Richie Faulkner solavam juntos com suas guitarras, o baixista Ian Hill exibia uma dancinha no ritmo da música e Scott Travis esmurrava a bateria com suas baquetas.

 E, liderando tudo isso, Halford surgiu no palco montado numa motocicleta Harley-Davidson, vestido com outro sobretudo, com lantejoulas prateadas, quepe policial e um chicote nas mãos. Tudo ao som de ótimos exemplos de heavy metal: Electric Eye, Hell Bent for Leather e You’ve Got Another Thing Comin’.Eles ainda voltaram para mais um bis, com Living After Midnight.

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