Joss Stone dá as cartas

Estadão

08 de agosto de 2011 | 17h00

Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo

Ela foi chamada pelo insuspeito Smokey Robinson de “Aretha Joplin”, alusão a duas das maiores cantoras da História: Aretha Franklin e Janis Joplin. Aos 16 anos já era um fenômeno. Foi indicada para 5 prêmios Grammy e ganhou um, além de dois Brit Awards. Com fortuna estimada em 9 milhões de libras (R$ 22 milhões), tornou-se dona do próprio nariz: seu novo disco, LP1, com forte sabor de R&B urbano, que chega às lojas do mundo todo na terça (no Brasil, no dia 5), está sendo lançado por selo próprio, Stone’d Records. A caminho do Brasil para o Rock In Rio, em setembro, a britânica Joscelyn Eve Stoker, a Joss Stone, 24 anos, abre seu novo disco com a canção Newborn (Recém-nascida), retrato de seu estado de espírito atual. Ela falou ao Estado sobre essa condição.

Sony Music/Divulgação
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Diva. Aos 24 anos, rica e famosa, cantora quer se divertir

 

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Ouça faixas de LP1:
somNewborn
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somDon’t Start Lying to Me Now

Você está iniciando nova fase na carreira, com seu próprio selo. É chefe de si mesma. Tem algum arrependimento a respeito dos contratos antigos?

Não sei. Tem tanta coisa acontecendo agora, não parei para pensar no passado. Definitivamente, é um bom momento, mas não estou começando de novo não. É só uma nova perspectiva. Nos primeiros discos, aquilo tudo era muito novo em minha vida, mas agora estou mais experiente. Ao mesmo tempo, estou me sentindo como uma criança, é um momento muito especial.

Você tem como produtor desse disco, LP1, o guitarrista Dave Stewart, do Eurythmics. Você sabe, ele é parceiro de uma das grandes cantoras pop, Annie Lennox.

Amo Annie. Ela mudou a forma de se interpretar músicas pop. E Dave é muito divertido, tem um coração eternamente jovem. Não há efeitos, não há tentativas de se provocar alguma coisa, apenas a busca de uma boa música pop. É o jeito como a gente pensa que está no disco, uma coisa mais natural. Estou totalmente satisfeita. Hoje, tenho mais liberdade num estúdio, e ele potencializou essa alegria. Ele se tornou parte de cada música. Falava pouco no início, ouvia tudo, ouvia a orquestração, e depois vinha e dizia: OK, vamos gravar, vamos sentir a vibração. Ele entrou com a própria energia, e basicamente tocou guitarra o tempo todo.

Você sente uma responsabilidade demasiada com esse negócio de ser chefe de si mesma?

Eu me sinto bem. Para ser honesta, não acho que tenha de fazer coisas diferentes das que eu já fazia, não creio que tenha de fazer coisas demais. A regra número um, para mim, é: vai ser divertido? Muita gente achava que eu era intensa demais, mas eu não sou desse jeito. Sou feliz, brincalhona. Quero que as pessoas sintam as coisas com profundidade, mas no fim do dia eu quero rir, quero andar despreocupada por aí. E agora já quero fazer um disco novo.

Por que o disco se chama LP1? Você concorda que é mais ligado às raízes da soul e do blues?

Na verdade, quando eu estava para gravar um disco novo na EMI, antes de sair da gravadora (ela pagou para romper contrato), eles se referiam ao projeto novo como LP1, um nome provisório. Gostei e acabei adotando. Bom, houve esse mergulho em Nashville, nós gravamos no Blackbird Studios, que foi uma ideia de Dave, ficar lá durante 6 dias. Mas eu acho que o álbum é também muito pop, tem um equilíbrio legal, não acho que seja uma leitura retrô – embora tenha sempre influências que são muito fortes para mim.

Há canções que, a exemplo de sucessos anteriores, parecem autobiográficas, como por exemplo Don”t Start Lying to me Now! (Não comece a mentir para mim agora), que é bem bluesy, com um baixo forte por baixo.

É um sentimento inteiro, fala de tudo que eu queria dizer. E o arranjo é de fato bom pra caramba (“Fucking cool!”). Não é nada sobre um relacionamento pessoal, é apenas algo que caiu no meu colo e eu consegui achar um jeito direto de dizer. Espero que as pessoas gostem, eu gosto muito.

Você foi chamada de Aretha Joplin pelo Smokey Robinson, que é uma lenda ele próprio. O que achou disso?

Não foi um doce, o Smokey? Olha, ele acertou em cheio: eu amo Aretha Franklin. É a cantora que eu mais ouço em minha vida, é a maior influência que tive. Marcou minha vida, e não passa uma semana sem que eu ouça as gravações dela. Gosto também da Janis, mas quem me marcou mesmo foi Aretha.

Vi um vídeo do making of do novo disco em que você aparece com um cigarro na mão, no final. Seu estilo é copiado, sua vida privada é vasculhada. Acha que tem maior responsabilidade por isso?

Eu não fumo habitualmente, era só uma onda. Sou a favor da liberdade, de as pessoas serem aquilo que são de verdade, e não personagens. Eu só faço o que realmente gosto, e prezo muito minha privacidade.

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