John Cale traz novos sopros do Velvet Underground

Estadão

26 de dezembro de 2012 | 07h08

Jotabê Medeiros

John Cale, uma das mentes criativas do Velvet Underground, após 6 anos sem dar as caras, lança um disco novo, Shifty Adventures in Nookie Wood. Um dos caras que revolucionou a música nos anos 1960, não se esperava dele outra coisa que não uma música inquieta, diferentona.

O disco já abre com uma incursão do setentão pelo que há de mais moderno na música hoje, a cabeça elétrica de Danger Mouse (do Gnarls Barkley). Eles compõem e tocam juntos a canção I Wanna Talk 2 U, talvez a mais balançante do disco – que é meio déjà vu, evoca uma sensação de que John Cale nunca ouviu o New Order e acabou fazendo algo que o New Order teria feito – só que em 1984.

A voz gutural de Cale, a viola eletrificada, mais uma velha batida sintética e sintetizadores a granel surtem efeito, mas em sentido retrô, em vez de avant garde. Na lírica, Cale continua forçando os limites. Em December Rain, adverte contra o cerco da vida online à privacidade existencial.

Nookie Wood é uma ode ao pessimismo de autopreservação. “Nas cozinhas do Mardi Gras / Os cozinheiros da refeição pestilenta / Bebem da sua fruta amarga”.

A bela Eden Cale, sua filha, participa nos vocais de Hemingway, um tributo ao delírio em meio a pinas coladas, Guernicas e ruas de Havana. Há grandes achados melódicos, como Living With You, que tem uma instrumentação indolente, percussiva. John Cale prova que um sopro de Velvet Underground ainda vale mais do que 90% do pop vivente.

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