Joe Bonamassa surpreende e lança mais um ótimo álbum

Estadão

29 de maio de 2012 | 15h48

Marcelo Moreira

O workaholic Joe Bonamassa não quer perder tempo. Se não está nos palcos, está no estúdio gravando seus álbuns solo ou com quem for. Além de produzir muito e bem rápido – com bastante qualidade –, encontra tempo para fazer turnês mundiais e fazer participações especiais em shows e CDs de amigos e ídolos.

“Driving Towards the Daylight” consegue a proeza de ser melhor do que “Dust Bowl”, de 2011, que já era excelente. Menos blueseiro, tem uma pegada roqueira menos pesada do que o seu trabalho com a superbanda Black Country Communion. Passeia com desenvoltura por gêneros tão diferentes como o country e o folk, além de brincar com o soft rock quase blues em algumas canções.

O grande destaque é a faixa-título, que é um épico nos moldes de “Mountain Time”, “Dust Bowl”, “A New Day Yesterday”,“Heartbreaker”, esta com a participação do grande amigo Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath, companheiro de Black Country Comunion), além do parentesco com as excelentes “Song for Yesterday” e “Battle of Hadrian’s Wall”, de sua banda com Hughes. Lenta e densa, “Driving Towards the Daylight”tem um refrão bem construído e uma levada bluesy contagiante.

Aos 35 anos, se tornou o principal nome do blues rock da atual geração, superando os então gênios precoces Jonny Lang, Kenny Wayne Shepherd e Derek Trucks, que apareceram com tudo nos anos 90, mas não estouraram como se esperava, e nem perto chegaram de aranhar o legado de Stevie Ray Vaughan. Bonamassa é o que mais chega perto disso.

“Driving Towards the Daylight”, faixa e álbum, serão os destaques dos dois shows que o guitarrista norte-americano fará no Brasil em 31 de maio e 2 de junho, no Rio e em São Paulo. A se lamentar apenas que este álbum, recém-lançado nos Estados Unidos e na Europa, ainda não tenha data para ganhar uma edição nacional.

Por outro lado, há boa notícia neste pacote: a Som Livre, que está dando suporte para a vinda do guitarrista ao Brasil, acaba de colocar no mercado nacional mais um álbum antigo de Bonamassa  jpa havia lançado por aqui “Dust Bowl” e “Live at Royal Albert Hall”.

“The Ballad of John Henry” é de 2009 e traz o músico mais introspectivo e sombrio, orientado para um blues mais soturno e o folk tradicional. Não é exagero dizer que foi esse álbum que o transformou em uma estrela de primeira grandeza na música pop, extrapolando o cenário do blues.

Ficou seis meses no topo das paradas da revista norte-americana Billboard, no segmento blues, embasado em canções ótimas como “From the Valley”, “Happier Times”, “Lonesome Raod Blues” e a faixa-título, e serviu de base para a pedrada que veio em seguida, “Black Rock”, de 2010, mais orientado para o hard rock e para o blues pesado.  Foi “Black rock” o ponto de partida para a criação do Black Country Communion, com Glenn Hughes, Derek Sherinian (teclados, exDream Theater) e Jason Bonham (filho de John Bonham, do Led Zeppelin, na bateria).

Os últimos dois anos foram intensos para o guitarrista: seis lançamentos com o seu nome chegaram ao mercado.  Na carreira solo, lançou  “Black Rock” em 2010,   “Dust Bowl” no começo de 2011 e o excelente “Don’t Explain” em agosto do mesmo ano, em parceria com a cantora de pop/blues Beth Hart revisitando clássicos do jazz, do próprio blues e da música gospel.

 

Enquanto gravava alucinadamente seus dois álbuns solo mais recentes conheceu o mestre Glenn Hughes.  A identificação foi imediata, com o baixista participando dos dois álbuns solo do guitarrista norte-americano. 

 A parceria foi mais além e Hughes o convenceu a montar uma banda de hard rock com pegada dos anos 70, mesclando Led Zeppelin (uma paixão de Bonamassa), blues pesado à la Humble Pie e soul music e funk bem ao gosto de Glenn Hughes. Nascia o Black Country Communion, que gravou dois álbuns entre 2010 e 2011. O sexto lançamento, ocorrido em abril deste ano, é “Live at the Beacon Theatre”, em CD e DVD.

“Workaholic? Não, apenas gosto de tocar. Não gosto de desperdiçar tempo jogando golfe ou olhando a paisagem em uma fazenda qualquer. Tempo é música”, disse Bonamassa antes de um show histórico em Nova York, no ano passado. E ele tem toda a razão.

 

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