Joe Bonamassa não é mais guitarrista do Black Country Communion

Estadão

14 de março de 2013 | 17h00

Imagem

Marcelo Moreira

Joe Bonamassa adiou o anúncio o quanto pôde, pressionado por seus companheiros de banda, mas finalmente decidiu que era hora de contar o que todos já sabiam: ele está fora do Black Country Communion. O supergrupo formado em 2010 com ele nas guitarras, Glenn Hughes no baixo e vocais (ex-Deep Purple e Black Sabbath), Jason Bonham (bateria, filho de John Bonham, do Led Zeppelin) e Derek Sherinian (ex-Dream Theater) foi uma bênção a quem gosta de rock bem tocado, mas a agenda do guitarrista atrapalhou a continuidade da banda.

Em um comunicado oficial, Bonamassa não diz claramente que o grupo acabou. Informa apenas que está fora do projeto, mas dá indícios de que o Black Country Communion não voltará à ativa, nem mesmo com um substituto. E não fugiu do assunto quando demonstrou ressentimento por conta das acusações de Hughes de que ele, Bonamassa, seria o motivo de um eventual fim do grupo.

E a questão realmente foi a agenda carregada do guitarrista. Workaholic assumido, desde 2010 ele lançou ou participou ativamente de pelo menos oito álbuns e DVDs da banda, de sua carreira solo e dos projetos ao lado da cantora Beth Hart e do Rock Candy Funky Party. Ele  se recusou a fazer uma turnê de divulgação dos álbuns “Balck Country Communion 2” e “Afertglow”, ambos do supergrupo, por falta de tempo, o que provocou a ira de Hughes.

“Eu preciso fazer parte de uma banda para manter minha carreira em alta, em tenho de sentir que faço parte de um grupo sólido e comprometido. Quando isso não acontece, torna-se apenas um projeto, e esse nunca foi o intuito do Black Country. Desde o começo era uma banda, mas se não houver turnês e atividades de um grupo de verdade, perde-se todo o sentido”, reclamou o baixista e vocalista em outubro de 2012, após uma discussão áspera pelo telefone com Bonamassa.

No final do ano passado os dois voltaram a conversar em tons mais amenos. Hughes disse em uma entrevista a uma emissora de rádio norte-americana que os dois renovaram os votos de amizade mútua, riram e trataram de assuntos pendentes em relação ao CD “Afterglow”, lançado em outubro de 2012, mas evitou dizer se a conversa enveredou pelo futuro da banda.

Leia abaixo o comunicado de Joe Bonamassa, em tradução realizada por Nacho Belgrande e publicada nos sites Playa del Nacho e Whiplash:

“Até onde eu sei, meu envolvimento está encerrado, e eu vou lhe dizer por quê: originalmente, eu fiz isso pelas mesmas razões pelas quais eu fiz o lance com Beth Hart e Rock Candy Funk Party – era uma desculpa pra tocar um tipo diferente de música que eu geralmente não toco”, disse Bonamassa ao site Premiere Guitar.

“Os dois primeiros discos foram do caralho – a banda é fantástica quando a Ritalina faz efeito, e o distúrbio de déficit de atenção vai embora, e todo mundo está concentrado”, ele continuou. ”É uma banda de rock devastadoramente boa do tipo do começo dos anos 70, e Glenn é um vocalista fantástico – simplesmente um dos melhores de todos os tempo.Então eu fiz isso e fiz uma turnê de nove semanas em 2011, que, na real,no fim dela já não era mais divertida pra mim. Não porque eu não gostasse dos caras da banda, mas era demais – muita coisa envolvida em levar as pessoas de um canto para o outro e colocar a banda no palco. Todo mundo parecia muito tenso, e isso deixou minha equipe muito tensa, e não é esse o jeito que eu gosto de excursionar. Eu comando uma família – eu tenho 21 pessoas que vão na estrada comigo o tempo todo, e se você perguntasse a eles quem era a causa dos problemas deles, eles diriam que era eu. A menos que não houvesse Coca-Cola Diet – daí é uma baita duma porra dum problema, e daí ou eu vou ao mercado, ou alguém vai [risos].”

“Mas não era mais divertido pra mim”, explicou o guitarrista. “Tudo que o Glenn diz na mídia, basicamente me culpando- que eu fui a razão pela falta de turnê da banda e da falta de futuro da banda. Isso ficou rapidamente sem graça alguma. Seria desonesto de minha parte subir ao palco e fingir que estou me divertindo para agradar a banda. Eu não sou o guitarrista praquela banda, mas, infelizmente, parece não haver nenhum guitarrista desempregado em Los Angeles que eles possam arrumar. Há tantos caras que podem desempenhar esse papel e eu seria o primeiro a entrar na fila e comprar um ingresso. Então é essa minha história com a banda. Felizmente, eu não estou mais envolvido, mas estou feliz com o legado que deixei com o grupo e feliz com os discos que fizemos. Foram três ótimos anos pra mim.”

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: