Jimmy Page pensa em lançar álbum com show do fim dos Yardbirds

Estadão

25 Fevereiro 2013 | 06h53

Marcelo Moreira

Desinteresse de todo mundo, shows ruins, condições precárias de alimentação e hospedagem. A última turnê dos Yardbirds era um enorme pesadelo, mas o guitarrista Jimmy Page e o empresário Peter Grant engoliam as provocações e reclamações dos outros músicos e seguiam em frente.

Era o começo de 1968 e os dois, tomando uísque barato em um hotel de terceira categoria no interior dos Estados Unidos, se iludiam, se recusando a deixar um gigante como os Yardbirds morrer – m,as que na verdade já estava morto havia pelo menos seis meses.

A falta de perspectivas agravou o descontentamento e a banda implodiu no fim de março daquele ano, em plea turnê norte-americana. Todo mundo debandou: Keith Relf (vocals) e Jim McCarthy (bateria) arrumaram dinheiro e voltaram para a Inglaterra, para depois formar o Renaissance.

O baixista Chris Dreja também foi embora, mas voltou pouco depois, para sair em definitivo em agosto. Page e Grant carregavam um nome importante e sem banda, sendo que ainda teriam de cumprir pelo menos dez datas na Europa, que foram reagendadas.

Esse “pesadelo” é o que se pode chamar de o começo do Led Zeppelin. Sem a implosão dos Yardbirds não haveria uma das bandas mais famosas de todos os tempos.

Depois de 45 anos, parece que finalmente Jimmy Page está disposto a permitir e preparar o lançamento de um CD ao vivo dos Yardbirds daquela turnê, segundo declaração que foi dada pelo músico à revista Rolling Stone americana em janeiro passado – reportagem reproduzida pela Rolling Stone Brasil no mesmo mês.

Não se trata de uma magnanimidade do músico. Ele detesta falar no assunto, bem como detestou quase todos os shows daquela turnê norte-americana. E fica mais furioso ainda quando tem de falar a respeito do álbum “Live at the Anderson Theatre – The Yardbirds featuring Jimmy Page”.

Surgido em princípio como um álbum pirata em 1970, reapareceu nos Estados Unidos no ano seguinte como se fosse um álbum ao vivo normal, com selo e tudo. Era picaretagem pois tinha sido editado sem autorização dos músicos.

O show daquele dia tinha sido gravado e arquivado pelo selo/gravadora Epic. Alguém, no entanto desenterrou as fitas três anos depois e decidiu lançar sem autorização. Page imediatamente entrou na Justiça e conseguiu recolher as poucas cópias prensadas do então LP. Desde então a peça se tornou muito rara, assim como as gravações piradas.

O guitarrista declarou á revista que estava revirando no ano passado algumas fitas em seu arquivo e que encontrou a master (gravação original com um primeiro tratamento) daquele show em Nova York, em março de 1968.

“O material original era bom, acho que a banda estava bem e aproveitando o momento, mas a gravadora decidiu pegar o conteúdo e modificá-lo. Enxertou ruídos de público, mas ficou péssimo, ficou parecendo que era uma banda de boteco de esquina. Em alguns momentos, parece que o pesosal comemora um gol de um time”, disse Page.

Apesar das queixas e reclamações, é um material bastante interessante. Existem gravações oficiais ao vivo dos Yardbirds com Eric Clapton e Jeff Beck, mas não com Page. Demorou demais para que os shows de Nova York em 1968 sejam lançados.

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