Jeff Beck, a resistência do mito da guitarra

Estadão

25 de novembro de 2010 | 08h11

Jotabê Medeiros

Último herói da guitarra, Jeff Beck chega hoje ao Brasil. Remanescente de uma estirpe de guitar heroes que inclui Jimi Hendrix e Duane Allman (mortos) e Eric Clapton e Jimmy Page (vivos, mas semiaposentados), um clube fechadíssimo, o ativo guitarrista britânico de 66 anos desembarca a bordo de um novo álbum, “Emotion and Commotion”, seu primeiro trabalho de estúdio em sete anos.

“A coisa que mais tenho ouvido nos últimos tempos é Django Reinhardt”, disse o guitarrista, em entrevista por telefone, na tarde de segunda-feira. “Observar o que Django fez, no tempo em que fez, e da forma que fez, é algo que tem me deixado boquiaberto”, afirmou o músico, que esteve no Brasil há 12 anos . Ele toca hoje no Rio e amanhã em São Paulo, no Via Funchal.

Ao JT, colegas de guitarra não foram econômicos ao elogiá-lo. “Jeff é um onipresente homem da Renascença”, disse Billy Gibbons, do ZZ Top. “O maior de todos os guitar heroes é Jeff Beck, que ouvi quando tinha 12 anos. Ele me fascina por continuar se desenvolvendo ano após ano, criando uma linguagem para guitarra. Sim, é certo que é uma linguagem que ninguém fala…”, brincou Brian Ray, o guitarrista loiro metálico de sir Paul McCartney. Clapton já chegou a dizer que Jeff é “o melhor de todos”.

Jeff Beck em ação em Nova York, em outubro passado ( FOTO: REUTERS/Lucas Jackson UNITED STATES ENTERTAINMENT)

Em seu disco, há a participação de orquestra. Como você faz para mostrar essas músicas ao vivo?

A orquestra está apenas em algumas. Num show como o de São Paulo, fazemos essa parte com um sintetizador de cordas.

O que achou da declaração de Brian Ray, de que você faz canções fantásticas, mas que somente você consegue tocá-las?

(Risos) Não é uma coisa de todo má. Eu venho tocando há tanto tempo, desenvolvendo meu estilo, que às vezes pode parecer que é difícil, mas não acho assim. Por outro lado, ainda estou vivo, então há quem as toque.

Você é sempre mencionado como um dos últimos guitar heroes, como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Jimmy Page…

Legal que você esteja mencionando meu nome ao lado de Jimi Hendrix, é muito gentil, não sei se mereço. Quer dizer, é lisonjeiro, é claro, mas uma das diversões preferidas das pessoas é ficarem formulando listas. Mas não levo a sério.

Por que você demorou sete anos para fazer um disco?

Não sei. Acho que a gente faz as coisas por oportunidades – as ideias certas, a banda certa, o momento adequado.

Como vê as mudanças na indústria fonográfica?

É sempre excitante a mudança. Hoje, o público decide o que acontece e o que não acontece, não é mais um departamento de marketing. Isso é bom. É divertido ver que as companhias de discos hoje estão vendendo ingressos. 

DIVIRTA-SE

 Jeff Beck.
Show hoje, às 22h.
Via Funchal.
Rua Funchal, 65. 
 Tel.: (0/xx/11)  3846-2300
Ingressos de R$ 200 a R$ 300.
Censura: 16 anos.

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