Iron Maiden, uma instituição do metal

Estadão

02 de abril de 2012 | 06h40

Marcelo Moreira

Uma corporação cada vez maior, mas que se preocupa em estar o mais perto possível dos fãs. A mensagem é piegas, mas o Iron Maiden em nenhum momento se preocupou com isso ao produzir e lançar o documentário “Behind the Beast”. Ainda bem, já que tal postura permitiu que o trabalho preservasse a espontaneidade e a honestidade durante a produção.

O documentário está sendo promovido como o diferencial do pacote CD duplo/DVD duplo que chegou ontem às lojas brasileiras, em lançamento mundial de “En Vivo!”. O carro-chefe é o show filmado em 10 de abril de 2011 no Estádio Nacional, em Santiago, no Chile. Foi a melhor apresentação da banda na turnê e se tornou a primeira superprodução do Iron Maiden em termos técnicos, superior a ao DVD “Rock in Rio”, de 2001.

Filmado com 22 câmeras de alta definição e com ousados efeitos de edição, “En Vivo!” trata o show chileno como uma autêntica celebração, embora não haja nenhum bônus em relação ao repertório – é praticamente o mesmo de toda a turnê, com destaque para cinco músicas do último álbum, “Final Frontier”, que funcionaram bem ao vivo.

O documentário “Behind the Beast”, produzido pela equipe técnica da banda lideradapor Andy Matthews, é tratado como um disco-bônus do DVD, embora seja claramente um produto muito bem feito e bem dirigido.

Por mais que se perca em detalhes irrelevantes e seja excessivamente longo (88 minutos), a obra tem o mérito de mostrar o Iron Maiden como uma corporação eficiente e altamente profissional que consegue manter o espírito espontâneo e divertido em meio a muito trabalho.

Se o comprometimento dos integrantes do grupo com o trabalho é o maior trunfo para explicar a devoção que os fãs têm pelo Iron Maiden, o documentário explica como isso foi alcançado. Que toda a equipe de bastidores e de administração é competente já era de conhecimento do público, sob comando do empresário inglês Rod Smallwood.

“Behind the Beast” deixa clara a participação dos músicos em praticamente todas as áreas de produção de uma turnê mundial que teve 98 shows em 38 países, com público estimado em 2 milhões de pessoas. O baixista Steve Harris, o líder, aparece diversas vezes dando palpites no material de promoção, na montagem dos equipamentos e do palco e discutindo a logística dos deslocamentos por todos os continentes.

Ele e o guitarrista Dave Murray também aparecem nos testes da decoração de palco, com uma reprodução mecânica da versão futurista do monstro Eddie, o mascote do grupo.

No palco, o profissionalismo se traduz em um show bem executado, embora os ares de superprodução possam, em alguns momentos, desviar o foco da música, mas é louvável o comprometimento em fazer a máquina funcionar.

 O baterista Nicko McBrain, por exemplo, é de uma precisão assustadora na execução de temas intrincados aos 60 anos de idade. O vocalista Bruce Dickinson, em forma aos 54 anos, corre bastante e deixou de abusar de certa teatralidade forçada de anos atrás.

O DVD mostra um show com a competência de sempre do Iron Maiden, sem novidades, mas que demonstra na prática, em um documentário extra, que o grupo é, antes de uma ser uma corporação, uma instituição.

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