Iron Maiden faz grande show em SP, apesar do péssimo lugar e do descaso dos produtores com o público

Estadão

23 Setembro 2013 | 17h00

Flávio Leonel – blog Roque Reverso

O Iron Maiden fez grande show na sexta-feira, dia 20, na cidade de São Paulo. A despeito do péssimo lugar escolhido para a apresentação, a horrenda Arena Anhembi, a banda agradou e muito o público paulistano, mesmo com todo o descaso dos produtores, evidenciado especialmente com o péssimo som do local, que estava completamente lotado, com todos os ingressos vendidos.

Depois de trazer em 2008 e 2009 os históricos shows da “Somewhere in Time World Tour” e, em 2011, a apresentação da turnê de divulgação do álbum “The Final Frontier”, a bola da vez do Iron são agora os shows da ”Maiden England Tour”.

A atual turnê esbanja tecnologia e recria o legendário espetáculo  da “Seventh Son Tour”, de 1988, aprimorado por incríveis efeitos de luz, cenografia, pirotecnia e várias encarnações do mascote Eddie. O set list é marcado por canções do show Maiden England, de 1989, cuja versão em DVD foi lançada pela primeira vez em março deste ano.

O descaso

Tudo poderia ter sido ainda melhor do que foi, se o som do Anhembi não estivesse tão embolado e baixo em vários locais, principalmente na Pista Comum. Em vários momentos, o público não suportou e gritou para que o volume fosse maior, já que havia pago por um ingresso caro e estava vendo ali a maior banda de heavy metal da história.

A Arena Anhembi já provou várias vezes que não tem condições de receber grandes shows que exigem tecnologia, mas os produtores insistem. É, aliás uma vergonha que uma cidade como São Paulo, uma das maiores metrópoles do mundo, ainda não tenha um local aberto de alto nível para esses eventos.

O Estádio do Pacaembu sempre foi um dos melhores locais, mas a implicância dos velhinhos do bairro vem impedindo que seja visto naquele local coisas históricas, como o que já aconteceu nos shows dos Rolling Stones, AC/DC e três Monsters of Rock, entre vários espetáculos. Resta a esperança de que, com a inauguração em 2014 da nova Arena do Palmeiras, o Allianz Parque, o público tenha aquilo que realmente merece por pagar ingressos altíssimos.

Outra coisa incrível: será que precisa ser formado na Nasa para sacar que é ruim para as pessoas que trabalham marcar shows em plena sexta-feira numa cidade como São Paulo? Tudo piora ainda mais quando há duas bandas de abertura, como o Ghost e o Slayer, começando a tocar a partir do ”sensacional” horário de 18h30!!!

Se você, simples mortal, por exemplo, saiu do trabalho às 18 horas, simplesmente perdeu esses dois shows. Na verdade, o que parece é que os produtores estão pouco se lixando para o público e preocupados apenas no dinheiro que vão embolsar. “Se o público pagou R$ 300,00 para entrar (juntando o preço do ingresso com taxa de conveniência), mas não conseguiu chegar a tempo, problema dele.”

Portanto, se você pretende ir a qualquer show na Arena Anhembi numa sexta-feira depois do trabalho, fique tranquilo que enfrentará dores de cabeça como, por exemplo, na chegada aos estacionamentos.

O show

Descontado aquilo que os fãs nas redes sociais classificaram como “amadorismo” da produtora, a apresentação do Iron Maiden foi excelente. Com um set list bem melhor do que aquele que se viu na turnê que passou por aqui em 2011, o grupo britânico mostrou que continua sendo o maior da história do heavy metal.

Com um palco espetacular, a banda iniciou o show com uma sequência matadora: “Moonchild”, ”Can I Play with Madness”, “The Prisoner” e “2 Minutes to Midnight”. Cantando muito, como sempre, Bruce Dickinson agitava demais o público, correndo para todos os lados e fazendo aquilo que um verdadeiro frontman deve realizar nos shows de heavy metal.

Após os primeiros quatro petardos, a banda trouxe uma música que há um bom tempo não era executada no Brasil: “Afraid to Shoot Strangers”, do álbum “Fear of the Dark”. Com sua melodia inconfundível e a bela junção das guitarras de Adrian Smith, Dave Murray e Jenick Gers, a canção deve ter ficado durante horas na mente das pessoas presentes após o show.

Na sequência, com “The Trooper”, o público inteiro berrou a plenos pulmões o sucesso intocável dos shows do Iron Maiden. Dickinson, mantendo a tradição, usou as vestimentas de cavaleiro britânico e empunhou a bandeira de seu país.

Logo em seguida, o clássico dos clássicos “The Number of the Beast” foi tocado no meio do show, fato raro nas mais recentes passagens do Iron Maiden pelo Brasil, já que o grupo sempre deixou a música para a parte final do show. Independentemente da mudança, a plateia presente vibrou muito.

As ótimas “Phantom of the Opera”, “Run to the Hills” e ”Wasted Years” também vieram, transformando aquele momento como um dos maiores do show. Em “Run to the Hills”, o eterno mascote Eddie subiu ao palco trajando uma roupa que deixou alguns em dúvida se era um mosqueteiro ou um pirata. O fato é que, mais uma vez, o boneco empolgou demais o público, reforçando o tom teatral da apresentação do Maiden.

Entre as principais músicas da turnê, “Seventh Son of a Seventh Son” trouxe um fundo de palco simplesmente espetacular, com mais um boneco do Eddie extremamente bem produzido, encantando a plateia, que notou uma ligeira melhora no som neste momento do show. Na sequência, a matadora “The Clairvoyant”, tendo na introdução o baixo sensacional do mestre Steve Harris.

Tradicional momento de catarse coletiva, “Fear of the Dark” fez o público inteiro cantar o sucesso e emocionou. Vale destacar que Bruce Dickinson elogiou a plateia paulistana e chegou a provocar, lembrando do Rock in Rio. “Por que não Rock in São Paulo”, brincou, sabedor da rivalidade entre cariocas e paulistas.

Última antes do bis, nada menos que “Iron Maiden” enlouqueceu o Anhembi inteiro, não somente porque é muito boa, mas também porque foi nesse momento que o palco do show se transformou numas das coisas mais espetaculares vistas em São Paulo. Realizando um sonho de muito fã antigo da banda, a capa do álbum “Seventh Son of a Seventh Son” foi reproduzida no palco, com a figura clássica de Eddie segurando um bebê Eddie que se mexia.

Depois de toda a pirotecnia que foi vista na música, a certeza que, apesar dos problemas enfrentados (até encanamento de água chegou a estourar e inundar uma parte da pista), valeu a pena presenciar aquele momento do show.

No bis, o começo com a ótima “Aces High”, seguida nada menos por “The Evil That Men Do” e “Running Free”, que fizeram o público inteiro cantar com a máxima energia.

O show de 2013 superou o de 2011 e, sem a menor dúvida, se tivesse condições de som melhores, estaria entre os melhores feitos pelo Iron Maiden no Brasil. Com a conhecida qualidade de CD que geralmente é notada no Palco Mundo do Rock in Rio, a apresentação da banda é forte candidata a entrar para a história.

Quanto à Arena Anhembi, ou os organizadores se tocam de melhorar o som nos próximos shows, como o Monsters of Rock, ou provocarão a ira dos fãs de metal. Ou você acha que a galera fã de Slipknot ficará quietinha se não tiver algo de qualidade?

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