'Inner Monster Out', do Shadowside, vira referência de qualidade no Brasil

Estadão

29 Agosto 2011 | 16h40

Marcelo Moreira

Uma produção de primeiro mundo faz toda a diferença no rock, e ainda mais no heavy metal. A banda santista Shadowside entendeu isso e não teve medo de investir no sonho e procurar um estúdio europeu. O resultado é que o grupo criou o seu melhor trabalho e um dos candidatos a melhor do ano em 2011.

Combate Rock teve acesso às músicas do novo álbum, “Inner Monster Out”, que será lançado em setembro, e constatou o óbvio: uma grande produção profissional, com um produtor especializado, faz uma diferença gigantesca. “Inner Monster Out” é o terceiro disco da carreira da Shadowside. Este trabalho foi gravado, mixado e masterizado por Fredrik Nordström, um dos principais produtores de Heavy Metal da atualidade, no Fredman Studio, em Gotemburgo, Suécia.

O CD traz a participação dos vocalistas Mikael Stanne (Dark Tranquillity), Björn “Speed” Strid (Soilwork), Niklas Isfeldt (Dream Evil) e Roger Moreira, líder do grupo Ultraje a Rigor!, em uma versão bem humorada e pesada da música “Inútil”, que é um bônus na edição brasileira.

Existem excelentes estúdios no Brasil, que há pelo menos 25 anos nada devem aos dos Estados Unidos ou da Europa. Digo o mesmo em relação aos profissionais que dirigem, gravam e mixam por aqui, especialmente nos gêneros ligados à música brasileira ou rock nacional.

Entretanto, ainda falta uma cultura para se gravar com competência rock pesado no Brasil. O resultado obtido pelo Shadowside é maravilhoso neste aspecto.

Mesmo correndo o risco de cometer injustiças, afirmo: se fosse gravado no Brasil, ouso dizer que somente Marcello Pompeu e Heros Trench, integrantes do Korzus e responsáveis pelo ótimo estúdio Mr. Som, e o pessoal do Dr. Sin têm know-how e experiência suficientes para fazer um trabalho no heavy metal no nível do registrado por Nordström.

O som em “Inner Monster Out” está moderno e com guitarras mais “na cara”, mas sem resvalar nas modernidades obscenas que muitas bandas norte-americanas de emocore ou metalcore adoram, como barulhinhos eletrônicos e bateria pasteurizada.

O som do Shadowside ficou mais potente, mais forte, e reforça mais ainda a linha de heavy metal tradicional que a banda nunca abandonou. A vocalista Dani Nolden já tinha mostrado talento e competência no álbum anterior, “Dare To Dream”, mas agora está mais desenvolta e segura.

Consegue explorar com mais vigor a versatilidade de sua voz, ora soando agressiva (cada vez mais) e ora dando ênfase ao bom sentido melódico que possui. Os trabalhos de guitarra merecem muitos elogios também, alcançando um equilíbrio maior entre base e solos. A timbragem também está diferente, para melhor, ressaltando o peso das músicas.

O destaque é a faixa-título, “Inner Monster Out”, que é rápida e agressiva, com ótimo refrão e participação mais do que especiais de um verdadeiro “dream team” de vocalistas suecos.

“Gag Order”, que abre o álbum, também mostra um peso absurdo, indo direto na cara do ouvinte. “Angels with Horns” e “I’m Your Mind” são mais cadenciadas, mas conseguem um efeito interessante ao misturar peso e arranjos mais elaborados. Já “Wasted of Life”, que fecha o trabalho, traz a vocalista emulando, de certa forma, uma Angela Gossow (Arch Enemy) menos energética ao investir em vocais mais rasgados e graves no começo, e em agudos possantes ao final, resultando em um power metal bastante vigoroso.

O Shadowside é um bom exemplo para as bandas sul-americanas que desejam trilhar pelos caminhos internacionais mesmo em tempos não muito propícios para a indústria fonográfica. Realizou um trabalho de alta qualidade e que já chamou a atenção nos Estados Unidos, onde será lançado nesta semana pela SHP Records. O sonho até agora está dando muito certo.

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