Incidente com Ultraje soterra qualquer mérito do SWU

Estadão

14 de novembro de 2011 | 06h36

Marcelo Moreira *

O terceiromundismo imperou nos bastidores do SWU, festival em Paulínia que tinha tudo para ser melhor do que o Rock in Rio (musicalmente falando), mas que teve shows fracos e que vai ficar marcado pela lamentável briga entre as equipes de produção do Ultraje a Rigor e de Peter Gabriel.

É inaceitável que um festival desse porte quase sucumba a uma chuva de verão e mais ainda inaceitável que artistas brasileiros desrespeitados nos palcos por arrogantes técnicos e artistas internacionais. Já não bastam os cachês muito inferiores?

Em todos os Rock in Rio já realizados no Brasil os brasileiros foram relegados ao terceiro plano, tanto em cachê, como em respeito e em infraestrutura. Entretanto, se em 1985 havia pouco ou quase nenhum respaldo aos brasileiros, em 2011 a conversa é outra.

Roger Rocha Moreira, o líder do Ultraje a Rigor, demonstrou toda a sua Ira! ao dedicar a música “Filha da Puta” ao cantor inglês, ex-integrante do Genesis e um dos artistas mais inteligentes, criativos e respeitados da história do rock. A equipe de suporte dos brasileiros, liderada por Ricardo Moreira, irmão do cantor e guitarrista do Ultraje, assumiu a linha de frente da confusão e chegou a trocar socos e agressões com técnicos ingleses.

Ricardo, irmão de Roger Moreira, é contido na confusão com a equipe Peter Gabriel (FOTO DANIEL TEIXEIRA/AE)

A apresentação da banda brasileira estava atrasada, por causa da chuva. O grupo só subiu ao palco às 18h15, duas horas depois do previsto.

Nos bastidores, Peter Gabriel teria dito que, se seu show não começasse às 20h55, ele não se apresentaria mais. Seus produtores, então, pressionaram para que os brasileiros encerrassem o show mais cedo, mas Roger não quis.

“Eles disseram que, se não saíssemos no horário, eles iriam embora. Que peninha!”, ironizou Roger no show. Depois, ele escreveu no Twitter: “Hey, @itspetergabriel! Boa sorte na sua viagem de volta. Eu achava que você era um artista; quando você virou um babaca?”

Alguém da produção do SWU ou mesmo da cúpula da organização do evento apareceu para resolver a questão? Até onde os repórteres do Grupo Estado puderam observar, não.

O fato é que a banda Ultraje a Rigor foi desrespeitada pela organização e pela equipe de Peter Gabriel. Na verdade, todos os artistas brasileiros foram desrespeitados diante de tal atitude vergonhosa.

E Roger Moreira precisa ser enaltecido, assim como os músicos de sua banda e a trupe que dá suporte à banda por não se sujeitar diante da falta de respeito e da omissão da organização do festival.

Para o Combate Rock, o saldo do SWU é profundamente lamentável após o incidente que nos remete a um passado longínquo, de 26 anos atrás, no Rock in Rio 1. Não dá para tolerar esse tipo de comportamento e esse tipo de desrespeito.

Os méritos do evento – se é que houve algum – foram soterrados por esse episódio deplorável envolvendo a banda Ultraje a Rigor. E que isso serva de símbolo e de exemplo para todos os artistas brasileiros que novamente se virem desrespeitados em festivais, principalmente os realizados no Brasil.

* com informações de Felipe Branco Cruz, do Jornal da Tarde

Técnicos e roadies ro Ultraje a Rigor brigaram com integrantes da produção de Peter Gabriel (FOTO: DANIEL TEIXEIRA/AE)

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