Igor Prado brilha revivendo o blues dos anos 60

Estadão

15 de novembro de 2012 | 16h04

Gabriel Vituri – ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

Em dezembro de 2010, um grupo brasileiro de blues com alguns bons anos de estrada – mas pouco conhecido por aqui – alcançou um patamar digno de nota. Acompanhando o gaitista e cantor Lynwood Slim, a Igor Prado Blues Band chegou onde nem seus próprios integrantes poderiam imaginar: o disco recém lançado com o músico norte-americano havia atingido o topo das paradas nos Estados Unidos.

Rankeado pela ‘Living Blues’, uma revista que é considerada a maior representante do gênero, Brazilian Kicks “perdia” a taça apenas para Living Proof, de ninguém menos que Buddy Guy.

Dois anos depois do repentino sucesso lá fora, a banda lança nesta semana o que pode ser considerado seu maior projeto até o momento: um combo CD + DVD com faixas que remetem ao blues da década de 1960, marcadas pelos ritmos do Rhythmn & Blues e da Soul Music.

A cereja de Igor Prado Band: Blues & Soul Sessions, no entanto, não é apenas a escolha do repertório, mas sim o time de medalhões convocados para a gig – entre eles o gaitista Curtis Salgado, o pianista Donny Nichilo e o saxofonista Sax Gordon Beadle.

Boa parte das parcerias surgiu justamente na estrada, como é o caso da cantora de soul Tia Carroll, com quem a Igor Prado Band fez uma pequena turnê pelo País. Segundo o guitarrista, as faixas em que há convidados foram gravadas em um estúdio antigo na capital paulista.

“Fizemos as sessões com todos na mesma sala, inclusive os cantores; é o que chamam de ‘Old School Recording’ nos Estados Unidos”, contou em entrevista ao Estado. Além de algumas músicas de sua autoria, o tracklist tem também composições de Al Green, Lowell Fulson e Etta James.

“O bom de gravar tudo ao vivo é que não é possível fazer grandes edições, arrumar imperfeições, e isso torna o álbum uma coisa mais verdadeira, entrosada”, defende Igor Prado.

Apesar de não ter uma formação engessada – “é difícil explicar, porque tocamos em diferentes projetos e diferentes formações”, diz ele –, pode-se considerar que a Igor Prado Blues Band, desde 2006, é um trio do qual também fazem parte Yuri Prado (bateria) e Rodrigo Mantovani (contrabaixo). Mesmo assim, a falta de definição faz bastante sentido, uma vez que os shows costumam ser acompanhados por músicos convidados e variam de acordo com a proposta da vez.

Nascido em São Bernardo, Igor Prado – e seu irmão, Yuri – cresceram no ABC escutando o blues. “Comecei com um violão para destros, aí virava ele de cabeça para baixo para poder tocar”, lembra.

Foto: JB NETO / AE

 Como era canhoto, durante os estudos no Conservatório de São Caetano do Sul, foi instruído a inverter as cordas, mas não se adaptou ao jeito convencional. “Depois de um ano apanhando para tocar do jeito ‘certo’, desisti e criei minha própria forma”, explica o músico. Hoje em dia, assim como Otis Rush e Albert King (morto em 1992), ele usa as cordas mais agudas na parte de cima da guitarra.

Atualmente, além da função na banda e da produção de discos, o guitarrista de 30 anos tem se empenhado em trazer artistas estrangeiros para o Brasil. “Faço toda a parte contratual e burocrática, e é um trabalho maluco, mas ao mesmo tempo é muito bom para absorver coisas diferentes”, diz Igor.

 “Não somos americanos, não colhemos algodão no Mississippi e mesmo assim já tocamos o blues em quase tudo o que é canto”, completa. Embora admita que o gênero não seja dos mais populares no Brasil, o bluesman do ABC reconhece que o número de festivais e lançamentos brasileiros tem aumentado consideravelmente.

Blues & Soul Sessions foi dirigido junto com Chico Blues, amigo da banda que coordena os lançamentos e a divulgação da Igor Prado Band. Desde a formação, o conjunto já passou por vários países da América Latina e da Europa, para onde deve voltar em 2013. “Fechei nossa próxima turnê, e teremos um show em Oslo, na Noruega”, revelou o músico. “Existem muitos festivais por lá, e acreditem ou não, o Brasil se tornou um dos celeiros de novos artistas do blues de uns tempos pra cá”.

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