Iced Earth: metal de alta qualidade em São Bernardo

Estadão

28 de março de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Jon Schaeffer é um músico batalhador. É difícil ver em qualquer segmento artístico alguém trabalhar tão intensamente para viabilizar seu projeto de vida, a bada de heavy metal Iced Earth, um dos principais nomes do gênero nos Estados Unidos. Ainda que permaneça no underground – como quase todas as bandas de metal, à exceção de meia dúzia -, acrfedita de forma insana no que faz e na qualidade do que oferece ao público.

Um show comandado por um cidadão como esse tem poucos riscos de sere ruim. Curitiba e São Bernardo do Campo (SP) comprovaram isso: receberam duas ótimas apresentações da World Under Ice Tour, turnê mundial que promove o mais novo álbum da banda, “Dystopia” – e desde já um dos três melhores da longa carreira de 25 anos da banda.

A turnê que começou na Europa caminha para o seu final, mas que esperava por músicos cansados e burocráticos com tanto tempo na estrada se enganou. Em um Espaço Lux lotado, o Iced Earth tocou com profissionalismo e bastante descontração. Bastante animados com a ótima receptividade em Curitiba, na noite anterior, o quinteto resolveu mostrar que ao vivo é melhor ainda do que nos excelentes álbuns.

 

Peso e velocidade marcaram a apresentação do Iced Earth em São Bernardo (FOTO: JULIANA NEGRI/DIVULGAÇÃO)

Apesar das ótimas referências paranaenses, havia um temor a respeito da performance do novo vocalista, o canadense Stu Block, que tinha a missão difícil de substituir o ídolo Matt Barlow – nem mesmo o ícone Tim Owens, ex-vocal do Judas Priest e com passagem pelo Iced Earth entre 2004 e 2008, conseguiu ofuscar o cantor de voz potente que decidiu virar policial e trabalhar com advocacia.

O trabalho de Block em “Dystopia” espantou a todos, sendo responsável quase que direto pela entrada do álbum em várias listas de melhores de 2011 no segmento metal. E o cidadão superou qualquer desconfiança no pequeno mas confortável palco de São Bernardo do Campo.

Impecável, conseguiu equilibrar de forma quase inacreditável os tons mais altos e e as passagens rápidas das músicas novas, reproduzindo-as com perfeição ao vivo. Nem mesmo ocasionais problemas com os microfones o abalaram: mostrou-se um eficiente líder de palco, conduzindo a apresentação de forma espontânea e aparentemente empolgada.

 

O guitarrista Jon Shaeffer (FOTO: JULIANA NEGRI/DIVULGAÇÃO)

Jon Schaeffer, o mentor, cérebro e alma da banda, manteve-se discreto do lado direito do palco com sua guitarra precisa e pesada, fazendo os vocais de apoio de forma perfeita. Foi prazeroso perceber que o guitarrista consegue reproduzir de forma precisa as passagens densas e climáticas da maioria das músicas do Iced Earth, tudo isso sem a necessidade de um tecladista.

O disco novo era o foco da apresentação e a pancadaria começou com “Dystopia”, pesada e difícil faixa-título. A partir de então a banda engatou uma sequência veloz e ensurdecedora, mesmo com um pouco de dificuldades com o som nas primeiras três músicas – as guitarras embolaram em vários momentos, com os solos pouco audíveis, embora o baixo estivesse perfeito.

Por mais que as músicas novas tenham agradado, foram os clássicos que alucinaram o público: “Ange’ls Holocaust”, “Burning Times”, “Days of Rage”, “Declaration Day”, uma versão fantástica de “Watching Over Me”, que emocionou Schaeffer, que fez a banda tocar por mais três minutos os refrão da música a pós o fim desta, e a maravilhosa “Iced Earth” encerrando o show.

Um show excelente, com impecável organização da Negri Concerts, exceto pelo fato de a apresentação ter terminado por volta de 23h30 de um domingo. Por mais que o Espaço Lux fique próximo a um terminal de trólebus, ainda assim é complicado para quem depende do transporte público voltar para casa.

 

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