Hurtsmile, a nova tentativa de Gary Cherone

Estadão

05 de maio de 2011 | 18h00

Marcelo Moreira

Gary Cherone foi tido por muito tempo como um sujeito de muita sorte, e apenas isso. Ao lado do guitarrista Nuno Bettencourt, teve uma carreira bem-sucedida com Extreme nos anos 90, praticando um hard rock festivo e honesto, remetendo aos ano 80, embora com menos excesso.

O vocal do cidadão era potente, mas em nada diferia de outros cantores de hard rock. Passou por Extreme, Tribe of Judah e Van Halen, para voltar ao Extreme e se lançar agora em um novo projeto, o Hurtsmile.

O desgate criativo do Extreme ocorreu de forma precoce, seguido de desentendimentos entre Cherone e Bettencourt – o primeiro se ressentia do fato de que a imprensa e os fãs somente ressaltavam a qualidade e o talento do guitarrista.
Quando procurava uma maneira de seguir a carreira, eis que um telefonema de Eddie Van Halen mudou o seu destino.

Sammy Hagar tinha sido demitido do Van Halen no começo de 1996, prenunciando que a banda se reuniria em breve com o vocalista original, David Lee Roth. Isso deveria acontecer, mas Eddie e Roth entraram em rota de colisão antes mesmo de entrarem em estúdio para compor novas músicas.

Na correria para cumprir compromissos assumidos com gravadoras e promotores de shows, Eddie saiu á caça de um cantor sem ter de passar pela humilhação de chamar Hagar de volta. A sugestão mais a mão era Cherone. No estúdio da banda, em Los Angeles, o vocalista caiu imediatamente nas graças de todos e em pouco tempo foi efetivado.

Se internamete tudo estava bem, externamente a coisa não rolou. “Van Halen III”, o álbum de 1998 com Cherone, e a turnê norte-americana e australiana que se seguiu, foram massacrados pela crítica e pelos fãs.

Demitido do Van Halen a contragosto – por ordem da Warner, a gravadora da banda –, tentou montar o Tribe of Judah, sem muito sucesso, até que Bettencourt novamente o salvou neste século ao propor a volta do Extreme, que foi bem-sucedida.

Enquanto a banda dá um tempo, Gary Cherone chamou o irmão Mark e criou o Hurtsmile sem muita pretensão, lançando seu primeiro trabalho agora. É hard rock básico, cru e direto, sem as firulas do Extreme.

Algumas faixas são muito boas, mas não passa disso. A descompromissada “Just War Theory” abre o CD, que apresenta um riff nervoso e atraente. “Love Thy Neighbor” traz um andamento lento e funkeado. “Stillborn” é também é lenta, cheia de elementos modernosos, e acaba irritando.

Há duas faixas acústicas,  “The Murder Of Daniel Faulkner (4699)” e “Jesus Would Meet Me”, bem executadas e certinhas, mas sem grandes novidades. “Set Me Free” é a música que mais se aproxima do hard rock que Cherone está acostumado a fazer.

O álbum traz um competente trabalho de guitarras de Mark Cherone, mas deixa claro que ele é limitado, pouco afeito a solos intrincados e apreciador de bases secas e retas. O trabalho deve agradar aos fãs do Extreme, mas apenas a eles.

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