Howler, a nova sensação do ock

Estadão

23 de fevereiro de 2012 | 17h03

Pedro Antunes

Era 1979 quando o grupo Replacements começou sua trajetória, em Minneapolis, no estado de Minnesota (EUA), esmiuçando suas guitarras no que depois seria conhecido como punk rock. Na linha de frente, Paul Westerberg e sua entusiasmante voz calibrada no álcool. Em 86, os Mats (como eles também eram chamados) foram banidos do programa de TV Saturday Night Live, porque estavam bêbados demais. Jordan Gate-smith sequer havia nascido.

Hoje aos 20 anos, ele é vocalista e guitarrista da sensação do rock, o Howler (leia-se ‘ráuler’). E quer ocupar o posto de Westerberg como o novo amalucado que saiu de Minneapolis para chacoalhar o mundo. “Ele é demais! Tanto seu trabalho no Replacements como a carreira solo. O maior dos bastardos. É o meu cara”, diz Gatesmith, por telefone ao JT, direto de Amsterdã, na primeira turnê europeia.

Antes de voltar aos EUA, o Howler fará uma parada no Brasil para duas apresentações no Beco 203, amanhã na filial paulistana e sábado em Porto Alegre. A perna brasileira da turnê foi incluída graças à iniciativa de financiamento coletivo do site Playbook, que reuniu um total de R$ 31 mil para a realização dos shows.

Tudo soa surreal para uma banda que nasceu há dois anos, com shows em bares pequenos. Em fevereiro do ano passado, veio o EP This One’s Different e, com ele, o apelido de “Strokes do grunge”, dado pela revista americana Q. O jornal inglês The Guardian foi além, e colocou a turma de Minneapolis como um híbrido da banda liderada por Julian Casablancas, com The Drums (sensação de 2010) e Vaccines (sensação de 2011).

Comparações não faltam para tentar explicar uma banda que tem como suas principais características duas guitarras ligadas no máximo volume, um teclado que traz alguma luz às melodias e um dos vocalistas com a voz mais desleixada a surgir nos últimos anos, azeitada num tratamento que inclui cervejas e cigarros.

Tudo para tentar entender o que faz o Howler ser tão comentado e ouvido pelos mais antenados. Gatesmith ainda se diz assustado com todo o hype que se formou envolta dele e de seu grupo – todos garotos de 20 e poucos anos. “É muito louco pensar que estamos indo para o Brasil. Estou agora na Holanda. Tudo isso é um pouco assustador”, explica o vocalista. “Mas, ao mesmo tempo, vou passar os próximos cinco ou seis meses longe de casa, morando em hotéis, por causa da turnê. E sou muito feliz por isso.”

O primeiro álbum veio em janeiro desse ano, o America Give Up, que será lançado aqui pela gravadora carioca LAB 344, em março. Nos EUA, o selo é o mesmo que lançou Is This It (2001), dos Strokes, coincidência que começou todo o falatório. O que acontece é que logo que a banda de Casablancas despontou, em 2000, o rock precisava voltar às raízes (no caso, voltar às guitarras), e os Strokes parecia trazer isso na essência: desleixo misturado com a vontade inerente dos jovens por aventura, letras sacanas, gravações sujas e borradas.

Viraram os “salvadores do rock”. E, desde então, entra ano e sai ano, novos rostos surgem com essa alcunha. “Isso é algo que as pessoas procuram, mas eu não consigo entender”, diz Gatesmith. “São poucas as bandas realmente icônicas: Beatles, The Clash, Rolling Stones, The Who. Eles ditavam regras, mudaram pensamentos. O Howler não chegaria a esse ponto, não.”

O vocalista sabe que as comparações vão sempre existir e diz não ligar. “Os Strokes também foram importantes. Mas as comparações são algo que os jornalistas gostam de fazer. Todas as bandas novas serão comparadas com eles. Recebo como elogio.”

Nem bem o primeiro disco rodou o mundo, o Howler já planeja um segundo álbum, com uma sonoridade mais “clean”, segundo Gatesmith. “Hoje nos aproximamos de uma banda de punk rock, mas estamos experimentando outra coisa.” Ele acredita, no entanto, que o grupo terá no máximo mais quatro anos de existência. “Temos de ser relevantes. Depois, não sei”, diz. Quatro anos, para um garoto de 20, pode ser uma eternidade (ou um quinto da sua vida). É tempo suficiente para, pelo menos, ser banido do Saturday Night Live, como Paul Westerberg e seu Replacements.

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