'Hoje só é preciso fazer barulho', diz Stewart Copeland

Estadão

15 de novembro de 2011 | 06h00

Pedro Antunes

As baquetas superpoderosas de Stewart Copeland lhe garantiram a eleição de 5º melhor baterista e todos os tempos, pela revista americana Rolling Stone. Ele é o responsável pelo ritmo alucinante que elevou o The Police ao auge nos anos 80, com mais de 60 milhões de discos vendidos pelo mundo.

O trio formato por Copeland, Sting (baixo e vocal) e Andy Summers (guitarra) se despediu de vez dos palcos numa turnê mundial entre 2007 a 2008. Mas, desde sempre, o baterista é um inquieto. Já trabalhou com trilha sonora de filmes de tipos como Francis Ford Coppola (O Selvagem da Motocicleta, de 1983) e Oliver Stone (Wall Street – Poder e Cobiça, de 1987). Também experimentou a música para TV e videogames.

Agora prefere criar para orquestras, como contou em entrevista na tarde de ontem, por telefone do hotel em que está hospedado para a participação no festival de música percussiva PercPan, que também terá o rapper Criolo e B’Net Marrakech. Copeland se apresentou em novembro em São Paulo, no Festival Percpan, com a orquestra italiana La Notte Della Taranta, para tocar pizzica, música folclórica do sul da Itália:

 

Stewart Copeland (foto:REUTERS/Brendan McDermid )

 

A sua primeira experiência com a La Notte Della Taranta foi em 2003, certo? Como foi?

Tudo aconteceu no festival que é bem no sul da Itália. É uma festa centenária, datada de anos antes de Cristo. E eles falam um dialeto que mistura grego com italiano. Fui chamado para participar e tudo funcionou muito bem. No ano seguinte, fizemos uma turnê pela Itália inteira. É engraçado o contraste da modernidade das grandes cidades italianas com essas músicas antigas. Vou ao festival todos os anos, já me tornaram um cidadão de lá; teve cerimônia, beijei bebês (risos).

Foi difícil entender o ritmo da pizzica? Como foi a adaptação?

Foi difícil. Estudo vários tipos de música, e tenho muita técnica. Então, consigo ser flexível a novas coisas. Mas o pessoal de lá teve muita paciência e me ensinaram o básico. Eu cresci no Líbano e a música de lá tem alguma referência com a pizzica. Lá essa cultura é muito forte, os jovens ainda cortejam as meninas com uma espécie de tamborim. E, se os jovens ainda consomem isso, a cultura ainda está viva.

Em 1985, você viajou para a África para buscar as raízes do rock. O que encontrou?

Não encontrei nada. Mas vi outra coisa muito interessante: a música caribenha, que também tem origem na África, voltou para lá. O samba brasileiro também. Vi no Zaire, por exemplo, pessoas tocando guitarra elétrica, tocando R&B! Procurei alguns acordes de blues, mas acabei descobrindo compassos musicais que eu não tinha ideia que existiam.

Hoje é mais fácil para alguém ter acesso ao som de outro país. Se o The Police começasse hoje, seria afetado por isso? Talvez não trouxesse tanta novidade…

É muito difícil saber medir isso. A maneira de se fazer sucesso, hoje, está muito pluralizada. Novos modelos estão em vigor. Não é preciso apenas ter uma gravadora e tocar nas rádios. Não precisa mais ser assim. Hoje só precisa fazer barulho.

Você parou de trabalhar com trilhas sonoras de filmes, mas chegou a trabalhar com o Coppola e o Oliver Stone. Eles se intrometiam na trilha?

Eles tinham estilos diferentes. O Oliver Stone questionava tudo, todos os graves e agudos. Já o Coppola teve uma grande conversa comigo e depois me deixou livre para criar. Eu deveria entregar o material e, se ele aprovasse, seria usado. Simples assim. Mas fiz isso por 20 anos. Agora estou fora da indústria de Hollywood. Outras oportunidades começaram a ser mais interessantes pra mim, como óperas e orquestras.

 

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