Helter Skelter: a música que Charles Manson "roubou" dos Beatles – parte 1

Estadão

19 de janeiro de 2013 | 14h00

Doctor Robert – publicado originalmente no site Whiplash

“Helter Skelter”. Uma das mais famosas canções do álbum homônimo dos  Beatles lançado em 1968 (também conhecido como o “Álbum Branco”), regravada por  vários artistas, entre eles Aerosmith, U2 e Oasis. Para muitos, o marco inicial  do heavy metal. Como foi que uma música concebida apenas para ser uma diversão  barulhenta, acabou se tornando uma fonte de inspiração de alguns dos crimes mais  chocantes dos Estados Unidos no século passado? Vamos recapitular brevemente  este trágico episódio, desde a concepção da canção até os trágicos crimes  liderados por Charles Manson.

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“Esta é música mais barulhenta, crua e suja que já  gravamos”Pete Townshend, do The Who, sobre sua música “I Can See For  Miles”.

“Seria ótimo fazer uma música assim…” Paul McCartney, ao ler a  entrevista de Townshend.

“É totalmente Paul… não tem nada a ver com nada, e menos ainda  comigo…” John Lennon, sobre “Helter Skelter”.

“Estou com bolhas nos meus dedos!!!” Ringo Starr, baterista dos Beatles,  gritando ao final de “Helter Skelter”.

“Por causa desta música eu perdi minha mulher” Roman Polanski,  cineasta, sobre “Helter Skelter”.

“Esta é uma canção que Charles Manson roubou dos Beatles,  e nós estamos roubando de volta” Bono, vocalista do U2, ao anunciar “Helter Skelter”, no filme “Rattle And Hum”.

UMA “RESPOSTA” AO THE WHO

Nos idos de 1968, os Beatles  haviam definitivamente deixado de ser aquela banda de composições inocentes de  seu começo de carreira.  Gradativamente, o experimentalismo passa a fazer parte de seu som. A essa  altura, já haviam lançado os maravilhosos “Revolver” e “Sgt. Pepper’s Lonely  Hearts Club Band”, que fugiam totalmente dos padrões do “iê-iê-iê” de seus  primeiros anos.

Paul McCartney admite que a idéia de fazer um álbum como “Sgt.  Pepper’s” surgiu após ele ter ouvido a obra-prima dos Beach Boys, “Pet Sounds” – Paul teria se sentido desafiado a fazer um álbum ainda melhor do que aquele da  banda norte-americana.

Pois o mesmo sentimento de necessidade de “se sobrepor à  concorrência” apareceu durante as gravações do famigerado “Álbum Branco”, onde a  idéia agora era de superar um feito do The Who.

Em entrevista à revista Guitar Player, Pete Townshend, guitarrista e líder do  The Who, afirmava que “I Can See For Miles”, do álbum “The Who Sell Out”, era a  canção mais “barulhenta, crua e suja” que eles já haviam gravado.

Instigado pela  declaração, sir Paul resolveu ouvi-la mais atentamente, pensando em como seria  divertido fazer uma canção seguindo tais parâmetros. Em seu modo de ver, a  música do The Who era até que bem sofisticada e estruturada, longe do caos que a  tal declaração poderia sugerir.

Desafiado a gravar algo realmente barulhento,  ele escreve “Helter Skelter” (que foi creditada à dupla Lennon – McCartney, como  todas as canções que qualquer um deles compusesse, mesmo que isoladamente,  dentro da banda).

O termo em inglês significa “confusão fora de controle”. Mas  para os britânicos era também o nome de um popular tobogã que era sucesso em  parques de diversões.

A letra da música traz em sua primeira estrofe justamente  uma descrição do que seria uma volta no tal brinquedo: “When I get to the bottom  I go back to the top of slide, where I stop, and I turn, and I go for a ride,  till I get to the bottom, and I see you again…” (“Quando eu chego ao fundo, eu  volto ao topo do escorregador, então eu paro e me viro e dou uma volta, até que  eu chegue ao fundo e lhe veja de novo…”).

Uma letra boba e despretensiosa, mas que gerou ao longo dos anos as mais  diversas interpretações. Segundo Paul, a princípio a idéia seria de uma música  sobre a ascensão e queda do Império Romano, usando metaforicamente a imagem do  escorregador, mas que no final acabou sendo “apenas uma canção ridícula e  divertida, que nós gravamos por gostar do barulho”.

Para alguns grupos radicais  religiosos, a canção abordava a descendência ao inferno, mostrando alguém numa  tentativa de escapar de suas profundezas e não conseguindo – baseando tal teoria  em metáforas estapafúrdias e no vocal “desesperado” de Paul. Já para o sociopata  Charles Manson, os tais versos iam bem mais além, como veremos mais adiante.

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