Helter Skelter – A canção que Charles Manson roubou dos Beatles

Estadão

01 de setembro de 2012 | 23h04

Paulo Severo da costa

Em nove de agosto de 1969, a casa do cineasta ROMAN POLANSKI foi invadida por um grupo pseudo-religioso de fanáticos conhecidos como Família Manson, resultando no espancamento e assassinato de seus ocupantes, entre eles a esposa do diretor, a atriz SHARON TATE.

 O grupo, liderado por CHARLES MANSON, atacou novamente na noite seguinte, matando o casal LENO e ROSEMARY LA BIANCA, escrevendo nas paredes, com o sangue das vítimas, as frases “morte aos porcos” e “Helter Skelter”, título de uma canção dos BEATLES lançada em novembro do ano anterior. 

O caso acabou tomando proporções tão gigantescas que a frase “a canção que Charles Manson roubou dos Beatles” acabou sendo imediatamente identificada, e o simbolismo da ocorrência, juntamente com os acontecimentos do show de Altamont dos STONES, são utilizados por vários historiógrafos como o fim da era flower-power e, o duro início dos anos setenta, marcados por recessões econômicas, consumo voraz de drogas pesadas e a mudança nos rumos sonoros do rock n´roll. 

“Helter Skelter”, lançada no chamado “Àlbum Branco “- que a exemplo do “Álbum Preto” do METALLICA não tem nome e ficaram assim conhecidos – foi acusada de conter mensagens subliminares – e toda espécie de cretinice esperada pela bancada de oposição ao rock n´roll. MANSON, no alto de sua insanidade, declarou que havia entendido o recado da banda de Liverpool – segundo ele, a letra continha a conclamação de uma guerra racial necessária e iminente.

Charles Manson em 1969

 Pirações a parte, a canção foi desenvolvida a partir de uma crítica feita por CHRIS WELCH na revista Melody Maker a respeito de “I Can See for Miles”, em que, entre várias menções elogiosas, disse que a faixa do THE WHO era o “rock n´roll mais alto e rouco, a coisa mais sórdida que já tinham feito”. 

Esse comentário foi o suficiente para cutucar com vara curta o ego colossal de PAUL McCARTNEY. Sempre procurando a superação – louvável, por sinal – de seus pares, o baixista escreveu o grosso da canção, gravado em julho de 68 em um take “bruto” de uma hora, transformado na versão definitiva em setembro daquele ano.

“Helter” é reconhecida como uma das primeiras faixas de proto-metal da história, construída sobre um riff cru e furioso, alicerçado pelo vocal semi-psicótico de PAUL. A bateria desesperada de RINGO fez com que ele jogasse suas baquetas longe, e o grito de “estou com bolha nos meus dedos!”, entrou para o take final da gravação. 

Quarenta e quatro anos depois, a canção ainda é motivo de controvérsia e debate, com muita gente insistente em achar significados ocultos no registro. Mas a melhor das interpretações sobre a faixa, ainda veio de JOHN LENNON: “Para mim era só barulho”.

 

 

 

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