Heavy metal nacional ganha espaço no Rock in Rio

Estadão

17 de abril de 2013 | 07h00

Marcelo Moreira

Foram necessários 28 anos para que o rock underground brasileiro tivesse alguma chance no Rock in Rio. Muitos artistas e produtores nacionais de heavy metal comemoram a escalação dos principais artistas do segmento na edição do festival em 2013. Apenas o Angra ficou de fora – mas já havia tocado em 2011. Será o renascimento do segmento Brasil, após anos de  poucas vendas e público em fuga?

Ainda não dá palar em redenção, mas já é um começo promissor na recuperação do espaço perdido. Sepultura, Almah, Andre Matos, Viper, Hibria, Kiara Rocks e Krisiun são os nomes de peso e do peso para tocar no Rock in Rio deste ano. Nunca um festival, seja no Brasil ou no exterior, reuniu os maiores nomes do heavy nacional em um mesmo festival. Ok, o Angra poderia estar, caso não estivesse passando por uma fase de reformulação… Faltou o Dr. Sin, o maior injustiçado, assim como o Korzus, que obrigatoriamente tinha de estar nesta edição.

A escalação do “dream team” brasileiro agradou à maioria dos fãs do gênero. Para contrabalançar as porcarias que nada têm a ver com o rock, na melhor do que muito peso e barulho feito por brasileiros mais do que competentes. O mercado roqueiro considera que finalmente o evento abriu os olhos para o que é feito no Brasil além do que está consagrado pela internet ou pelas emissoras de rádio.

Houve também quem visse a escalação com reservas e até um certo ceticismo, embora reconhecendo a importância do espaço aberto e conquistado. “Por que só os medalhões?”, reclamou um vocalista de uma banda emergente de São Paulo. Pedindo anonimado, até para não parecer hostil, criticou o fato de sempre os mesmos participarem dos eventos maiores. “O Sepultura tocou em três dos quatro Rock in Rio até agora, e vai tocar de novo. Andre Matos, Viper, Almah, Edu Falaschi, Krisiun, todos estão aí há quase ou mais de 20 anos, já têm carreiras consolidadas. Precisam dar espaço para quem está começando.”

Edu Falaschi, do Almah, contemporiza e prefere valorizar os artistas escalados. “Se essas bandas que estão no festival são ‘medalhões’ é porque fizeram alguma coisa para merecer tal deferência. A verdade é que o Rock in Rio é o auge para muitos de nós depois de anos de batalha e esforço. O espaço de quem está começando vem naturalmente com muito trabalho e qualidade da música. Sem isso não há festival grande que sustente.”

Agenda Rock in Rio 2013

Ele comenta também a presença da banda Kiara Rocks, criticada por ser uma “desconhecida”, mas que vai estar no palco principal. “Quem diz que os caras surgiram do nada desconhece como funciona o mundo da música. O Kiara Rocks é formado por músicos que estão ralando há anos, são veteranos da cena musical de São Paulo. Estão tendo a chance agora graças a muito trabalho e música de qualidade.”

Na verdade, quem critica os medalhões e exige espaço para bandas novas confunde as coisas. Existe alguma dúvida sobre o caráter estritamente comercial do Rock in Rio?

O Wacken Open Air, na Alemanha, o maior festival de metal do mundo, pode se dar ao luxo de manter um espaço/concurso mundial para revelar bandas novas e dar espaço a desconhecidos. É um festival rentável, mas segmentado e focado no rock pesado. Jamais haveria espaço para iniciativa parecida no Rock in Rio. A preocupação é fazer um evento grandioso que seja capaz de vender muitos ingressos para um público diversificado.

Escalar gente como Ivete Sangalo, Claudia Leitte e DJs para a música eletrônica é asqueroso quando se fala em um festival de rock, mas é isso  o que virou o Rock in Rio – e ainda bem que o rock tem algum espaço, pois vai chegar o dia em que o rock vai ser banido do evento.

O Combate Rock  acredita que quem gosta de rock e apoia o metal nacional só tem a comemorar. Ainda que tardio, é o reconhecimento de que heavy metal nacional tem espaço e qualidade para figurar em um evento planetário. Assim como o retorno do Live’n’Louder, os brasileiros do rock pesado no Rock in Rio servem de alento para um segmento musical brasileiro ainda abalado pelo fracasso, um ano atrás, do Metal Open Air, em São Luís, no Maranhão.

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