Heavy metal made in Maranhão

Estadão

16 de janeiro de 2012 | 06h39

Marcelo Moreira

A capital brasileira do reggae vai trocar o vermelho, amarelo e verde característicos da Jamaica pelo preto do heavy metal. Algo impensável há dois anos, São Luís, capital do Maranhão, receberá o maior festival de rock pesado já realizado no Brasil.

A confirmação da realização do Metal Open Air na capital maranhense ocorreu somente em novembro passado envolta em mistérios e causando apreensão no meio musical. Apesar de ter recebido alguns shows esporádicos de metal nos últimos quatro anos, a cidade não faz parte do roteiro tradicional de grandes shows e festivais no Brasil. O pouco tempo entre a confirmação e as datas dos shows – 20, 21 e 22 de abril de 2012 – também é motivo de preocupação.

O festival maranhense também é inusitado porque desencadeou um autêntico Big Brother nas redes sociais. Várias bandas brasileiras iniciaram verdadeiras campanhas eleitorais para chamar a atenção dos organizadores e conseguir uma chance de participar da festa. Grupos emergentes como Shadowside, Madame Saatan e Holiness não estão economizando tempo e agressividade em busca de apoio, assinaturas de fãs e internautas para garantir ao menos meia hora nos palcos do imenso Parque da Independência.

Alheios às críticas e às desconfianças, os organizadores partiram para o ataque e pensaram grande: a primeira grande atração anunciada foi o Anthrax, banda norte-americana que há anos não pisa no Brasil. O evento está a cargo da paulistana Negri Concerts, liderada por Felipe Negri, e pela Lamparina Produções, de São Luís, do empresário Nathanael Júnior.

Infraestrutura. Nas redes sociais houve manifestações de incredulidade em relação à sede do Metal Open Air, não só pela falta de tradição no som pesado, mas principalmente pela infraestrutura hoteleira e de transportes necessária para receber um evento com três dias de duração e público total de mais de 200 mil pessoas.

“Desenvolvemos uma série de estudos sobre a capacidade da infraestrutura de São Luís para receber esse número de turistas. De acordo com o que estamos prevendo, a cidade deve atender perfeitamente a fãs de todo o País que desejarem participar desse evento histórico no Nordeste brasileiro”, disse Felipe Negri esbanjando confiança.

Ainda que o evento maranhense provoque estupefação, os organizadores optaram por não inventar na hora de formatar o festival. É rock pesado e fim de papo, sem qualquer espaço para experimentações ou “sons alternativos”.

Todos os subgêneros do metal serão contemplados, mas o foco é o heavy tradicional e o thrash, tanto que estarão no mesmo palco lendas como Exodus, Destruction e Venom, ao lado de bandas grandes do heavy tradicional europeu, como os alemães do Blind Guardian e Grave Digger.

Entre os brasileiros, a nata do gênero: Korzus, Krisiun, Torture Squad, André Matos e Hangar, entre outros. São 40 atrações nacionais e internacionais, sendo que algumas devem ser confirmadas ainda este mês de janeiro.

A banda Anthrax: da esq. para a dir., Frank Bello, Scott Ian, Charlie Benante , Rob Caggiano e Joey Belladonna

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