Gustavo Sazes: um brasileiro mestre das capas de álbuns

Estadão

16 de junho de 2013 | 08h16

Rubens Herbst – do blog Orelhada
Gustavo Sazes tem uma política pessoal rígida: não divulgar fotos suas ou de familiares. Uma busca pelo nome dele nas redes sociais ou no Google mostra que a imagem de seu trabalho é o que conta, e isso é fundamentalpara um artista visual cuja principal fatia de trabalho vem do mercado musical, mais especificamente, do rock pesado. Seguidor do gênero, o carioca radicado em Portugal é requisitado por bandas, selos e gravadoras do mundo inteiro para produzir capas e outros materiais gráficos, incluindo “marcas” do tamanho de Sepultura, Angra, Vinnie Moore, Morbid Angel, Sony Music e a revista Guitar Player. Agora, um nome joinvilense se junta a essa nobre e extensa lista de trabalhos: a banda de metal clássico Symmetrya, cuja capa do segundo disco, The Last Dawn, é assinada por Sazes. Um bom “gancho” para falar com o sujeito, que gentilmente respondeu às perguntas da coluna direto de Vila Nova de Gaia, onde mora.

Como começou seu envolvimento com a arte/desenho?
Gustavo Sazes –
 Tudo começou quando eu era bem garoto, lendo revistas, quadrinhos, e tentando copiar aquelas formas usando papel vegetal, lápis e canetas.  Lembro-me de ter vários cadernos de desenho repletos de rabiscos dos mais variados tamanhos.

E música, é coisa que já vem de anos?
Gustavo – 
Vem desde sempre, mesmo minha família não tendo muita tradição nesse sentido. Meu interesse surgiu mesmo aos 12 anos, quando comprei meus primeiros LPs. Sendo colacionador, ouvinte ou criativo, a música teve, tem e tera papel fundamental na minha formação, isso é inegável.

Metal é seu gênero favorito?
Gustavo 
– Sim, claro! Mas eu escuto muitas coisas dentro e fora do metal. Na minha coleção pessoal, você vai encontrar desde At The Gates e The Gathering até Tears For Fears e Dimmu Borgir.

Como você começou a fazer capas de discos? Tem ideia de quantas já fez?
Gustavo Sazes 
– Começou de forma muito amadora, fazendo capas para bandas em que eu tocava, bandas de amigos etc. Com o tempo, fui fazendo mais trabalhos, criando um network, e aqui estou, ainda fazendo tudo isso e mais um pouco. Sobre o número de capas, nunca parei para contar, mas acho que já passaram de 500, incluindo CD, DVD e LP. Já fiz trabalhos para clientes no mundo todo, em mais de 30 países. Fica difícil contabilizar o número exato.

Qual o seu ponto de partida para bolar uma capa?
Gustavo –
 Uma boa frase que resume bem toda a ideia. Boas ideias se resumem em poucas palavras, e isso influencia muito na criação.

Parece que você tem um bom trânsito entre as bandas gringas…
Gustavo 
– Realmente, hoje tenho mais clientes pelo mundo do que no Brasil. Acho que algo em torno de 70% a 80%, provavelmente, são bandas na Europa, Ásia ou América do Norte.

Você já fez algum tipo de trabalho para alguma “banda de cabeceira” sua? Ficou nervoso?
Gustavo
 – Já fiz varios. Aliás, estou fazendo um agora que me tira o sono (risos). O lance do nervosismo é efêmero, o pior é a pressão pessoal. Nesse tipo de trabalho, tudo fica um pouco mais tenso.

Levando em conta que o heavy é o seu gênero preferido, rola algum tipo de problema quando você é chamado para fazer capas de artistas de outros estilos?
Gustavo –
 Não, de jeito nenhum. Para mim, o processo criativo é extremamente similar.

Mas você precisa mudar radicalmente seu estilo, ou não?
Gustavo 
– Ele já muda quando eu faço trabalhos para diferentes vertentes do metal. Fazer algo fora disso, para mim, é supernatural. Adoro poder trabalhar com música pop e outros estilos.

Falando nisso, você conseguiria descrever seu estilo, ou os elementos visuais/gráficos que mais o agradam?
Gustavo 
– Gosto de capas com algum movimento, cores pontuais e elementos icônicos. Curtia muito de semóotica na faculdade, e isso também influencia o meu trabalho. Busco algumas influências no surrealismo e em outros movimentos. Tento fazer algo bem orgânico, o menos plástico possível.

Qual a sua capa de disco preferida de todos os tempos?
Gustavo 
– Pergunta extremamente difícil. É o tipo de resposta que muda toda semana. É realmente dificil escolher “a capa”. Sendo assim, minha predileta de hoje seria a de “The 2nd Law”, do Muse.

Em matéria de apresentação visual: LP ou CD?
Gustavo
 – Lp, sempre!

O que pode dizer sobre a arte que fez para o Symmetrya? O que achou do resultado?
Gutavo
 – Todas as capas sao difíceis, cada qual em algum nível. O importante mesmo é o resultado final ser o melhor possível, para mim, para a banda e para os fãs. O trabalho do Symmetrya ficou dentro da proposta da banda, acho que casou muito bem com o som atual deles. Foi um prazer trabalhar com eles.

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