Grave Digger: o coveiro não tem descanso

Estadão

30 de maio de 2013 | 08h00

Hometo Pivotto Jr. – publicado originalmente no site Abstratti

Se o som pesado vindo da Alemanha conseguiu destaque planeta afora por meio de nomes como Sodom, Kreator e Destruction, por exemplo, é preciso lembrar que outra banda, por vezes injustiçada, também ajudou a cavar esse espaço dentro do mercado musical: o Grave Digger. Formado em 1980, o hoje quinteto – formado por Chris Boltendahl (voz), Axel Ritt (guitarra), H.P. Katzenburg (teclado), Stefan Arnold (bateria) e Jens Becker (baixo) – ajudou a definir os parâmetros da música heavy germânica. E a torná-la uma referência mundial no gênero.

Com uma carreira contínua, a banda coleciona mais de 20 registros, entre discos de estúdio, EPs e álbuns ao vivo. Um pouco desse trabalho incansável será apresentando em Porto Alegre nesta quinta-feira, dia 30 de maio, às 20h, no Beco (Av. Independência, 936). Antes de desembarcar pela segunda vez no Rio Grande do Sul, o vocalista e líder do grupo, Chris Boltendahl, concedeu uma entrevista exclusiva para a Abstratti Produtora. Nela, falou sobre lembranças do Brasil, sua paixão pelo metal e algumas curiosidades. A banda ainda no Roça’n’Roll, em Varginha (MG) e em São Paulo.

Grave Digger

Essa não é a primeira vez que a banda toca no Brasil. Quando foi a estreia do Grave Digger no país e quais suas lembranças dela?

Chris Boltendahl – Acho que a primeira vez que tocamos no Brasil foi em 1997, após o lançamento do disco Tunes of War. Foi uma turnê mal organizada e com poucas pessoas nos shows.

E em Porto Alegre, será a primeira vez do Grave Digger? Sabe alguma coisa sobre a cidade?

Chris Boltendahl – Não, será a segunda vez. O primeiro show em Porto Alegre rolou em 2003. A cidade tem uma pista de golf muito legal!

Bom, vamos falar sobre o Grave Digger. A banda começou em 1980, mas seu primeiro álbum saiu somente em 1984. Por que demorou tanto tempo para lançarem um disco?

Chris Boltendahl – No começo, era um projeto divertido. Mas, depois dos dois primeiros anos, tornou-se uma banda de verdade. Então, levou mais dois anos para conseguirmos um contrato.

A banda é considerada uma das pioneiras do FWOGHM (First Wave of German Heavy Metal) – Primeira Onda do Heavy Metal Germânico. Pode nos explicar o que é esse movimento e por que acredita que o Grave Digger foi enquadrado nela?

Chris Boltendahl – Somos uma das primeiras bandas depois do Accept e do Scorpions. Temos nossa própria sonoridade e marca registrada, isso fez de nós uma banda bem-sucedida.

O Grave Digger é influência para inúmeras bandas ao redor do mundo, mas quem são as suas referências musicais? Quais artistas inspiraram o grupo?

Chris Boltendahl – Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath… e a maioria das bandas de hard rock dos anos 70 e 80.

Qual a importância da música pesada em sua vida e o que significa tocar esse tipo de som por mais de 30 anos?

Chris Boltendahl – Vivemos para o metal! Essa tipo de música mora em nossos corações e almas. Sem o metal não seríamos nada.

Como a ideia da caveira que virou uma espécie de símbolo da banda surgiu?

Chris Boltendahl – Durante os últimos 20 anos nós aperfeiçoamos o logo mais e mais até o que ele é hoje.

Atualmente, o tecladista da banda (H.P. Katzenburg) continua encarnando o personagem da caveira ao vivo? Como é a reação da plateia a esse pequeno teatro de horror?

Chris Boltendahl – Hahahah… Isso rola só porque Katzenburg não quer mostrar sua verdadeira face (risos).

Sobre seus discos: o que você diria que mudou desde o primeiro registro, Heavy Metal Breakdown(1984), até Clash of the Gods (2012)?

Chris Boltendahl – Hoje em dia a banda soa mais madura e malvada.

As diferentes formações influenciaram na sonoridade da banda? Caso sim, como?

Chris Boltendahl – Sim, cada guitarrista novo trouxe seu próprio estilo para a nosso som.  Apesar de tudo, o negócio é 120% Grave Digger.

Acredito que você tenha presenciado o crescimento da música pesada na Alemanha desde a criação do Grave Digger. Como era o cenário no começo dos anos 80 e no meio dessa mesma década, quando bandas mais extremas (como Sodom, Destruction, Kreator, Tankard…) começaram a aparecer?

Chris Boltendahl – Cada década teve sua própria atmosfera.  Os anos 80 foram jovens e selvagens. Os 90, foram mais rock’n’roll. Já os anos 2000, foram de diversão sem álcool (risos).  De 2010 até agora… a melhor parte da história.

Para celebrar o 30º aniversário do Grave digger, a banda promoveu uma grande festa no palco do festival Wacken Open Air 2010, convidando alguns amigos para participar do show (como Hansi Kürsch, do Blind Guardian, e Doro Pesch). Como foi isso?

Chris Boltendahl – Inacreditável, ótimo, fantástico… sem palavras.

Essa apresentação virou o MCD The Ballad of Mary e o DVD The Clans Are Still MarchingJá estava nos planos da banda gravar esses materiais ou a ideia surgiu depois, quando todos perceberam que o show foi fenomenal?

Chris Boltendahl – Não, tudo estava planejado desde o primeiro minuto.

Para finalizar: quais são os planos do Grave Digger para este ano e quando ouviremos um novo trabalho da banda?

Chris Boltendahl – Novo disco no ano que vem, pois em 2013 temos muitos shows.

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