Grateful Dead: improviso inventariado

Estadão

17 de dezembro de 2011 | 07h00

O texto abaixo é uma prova de que o mundo do rock pode ser muito estranho e reunir seres completamente alucinados em torno de uma ou várias ideias. Publicado originalmente no ótimo blog Roquer Reverso, mostra que fã de banda de rock pdoe ultrapassar qualquer limite de sanidade. Os do Grateful Dead são assim. De vez em quando dá medo de conviver no mesmo mundo que esses seres – vai que eles resolvem dar uma de estudante americano e sair atirando em todo mundo… Mas não deixa de ser admirável a dedicação que mantêm em relação aos seus ídolos.

Por Marcelo Galli*

Lançada originalmente como single em abril de 1968, “Dark Star”, do Grateful Dead, tem 2 minutos e 44 segundos na versão de estúdio. A letra é de Robert Hunter e a melodia do guitarrista solo do grupo, Jerry Garcia, cabeça da banda de São Francisco. A música entrou para a lista das 500 que forjaram o rock, do Rock and Roll Hall of Fame, além de ser a mais aguardada nos shows.

No primeiro álbum oficial ao vivo da banda, o “Live/Dead”, de 1969, uma versão de “Dark Star” tem duração de 23 minutos e 18. O registro foi feito na tradicional casa de shows Fillmore West em fevereiro daquele ano, em São Francisco. Parênteses: trecho dessa versão faz parte da trilha do filme “Zabriskie Point”, do italiano Michelangelo Antonioni, rodado nos Estados Unidos e que retrata a contracultura na costa oeste do país.

Naquela versão, a estrofe inicial, “Dark star crashes pouring its light into ashes, reason tattersthe forces tear loose from the axis”, começa após seis minutos de viagem e improviso.

Já em uma versão gravada no ano de 1972, no Winterland Ballroom, também na cidade símbolo do Verão do Amor, o canto do sabiá psicodélico só aparece aos 16 minutos e nove segundos. A extensão total dessa versão é de 33 minutos e 26 segundos!!!

Os fãs, autorizados a registrar os shows da banda, contribuíram para a montagem de um curioso inventário que reúne informações sobre as ocasiões em que a música foi tocada e a duração do clássico. Uma página de aficionados pela banda na internet lista um total de 219 apresentações ao vivo até 1994 – mais quatro de estúdio.

A mais longa dessas ocorreu em Roterdã, Holanda, em novembro de 1972. Segundo o inventário, 48 minutos e 38 segundos. Várias versões podem ser escutadas no YouTube. Outras estão perdidas e são mencionadas na listagem.

Cicando aqui, você pode ouvir a versão original de estúdio. Além dela, há uma versão mais longa e outra mais extensa, de mais de 33 minutos!

*Marcelo Galli é jornalista da Agência Estado e amante do bom e velho rock ‘n’ roll

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