Grammy é incapaz de identificar uma banda de heavy metal

Estadão

14 de fevereiro de 2012 | 06h49

Marcelo Moreira

O Jethro Tull ganhou do Judas Priest o Grammy de “melhor banda de heavy metal” (!!!!). Por que tamanha idiotice não poderia ocorrer de novo? O Foo Fighters é uma banda interessante e faz grande sucesso desde que Dave Grohl ressurgiu das cinzas do Nirvana e formou o grupo. Transita entre o pop-rock e uma espécie de hard-pop, sempre com as guitarras à frente. Mas considerar que o grupo de Grohl é “hard rock” ou “heavy metal” é mais do que miopia ou idiotice. É burrice.

Pois um dos prêmios que  Foo Fighters ganhou no Grammy 2012, o chamado Oscar da música, foi o de melhor banda “hard rock/heavy metal”, deixando para trás o Dream Theater, banda de metal progressivo e uma das melhores da atualidade, Megadeth, Mastodon e Sum 41.

Foo Fighters melhor do que Mastodon? Do que Dream Theater?  Tudo isso é medo de dar um prêmio a uma bda mais pesado, de som “agressivo e subversivo”? Está comprovado que os membros da tal academia que vota neste lixo de “gincana” não têm medo de passar vexame ou de se expor ao ridículo.

Dave Grohl, do Foo Fighters

Não e trata aqui de analisar se o Foo Fighters mereceu ou não ganhar. A questão é que foi incluido em uma categoria à qual não pertence. Pode ser qualquer coisa, menos heavy metal, por mais que o Dave Grohl adore som pesado – escute o seu projeto Probot, cheio de convidados especiais. Eleger o Foo Fighters na categoria heavy meta – assim como ocorreu com Jethro Tull – é um insulto à inteligência de quem gosta de rock de verdade.

Credibilidade não é uma palavra muito usada entre os integrantes do colégio eleitoral do Grammy.portanto, não deveria surpreender que tais barbeiragens continuem sendo cometidas, ainda que tenhamos um Paul McCartney fazendo jus à fama de gênio em umevento de 2012 recheado de artistas medíocres – à exceção, é claro, dos concorrentes da categoria hard rock/heavy metal.

Em tempo: não coloco o Foo Fighters no saco da imensa mediocridade que dominou o evento. A banda não é lá essas coisas, mas tem méritos, principalmente por ser infinitamente melhor do que a sua banda de origem, o péssimo Nirvana, no qual Grohl tocou bateria. A opinião do Combate Rock a respeito do Foo Fighters pode ser acessada aqui, em texto de Roberto Capisano Filho.

 

 

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