Gov't Mule resgata o blues pesado

Estadão

23 de dezembro de 2010 | 08h27

Marcelo Moreira

Hard blues. Isso existe? Sim, e quem inventou foi a banda norte-americana Gov’t Mule, provavelmente a maior novidade da música daquele país. O agora quarteto lançou nos Estdos Unidos mais um disco ao vivo, “Mullenium”, gravado em show na virada do ano em 31 de dezembro de 1999, em Atlanta.

Esse é o primeiro lançamento oficial com o falecido baixista Allen Woody em dez anos – ele morreu aos 44 anos de ataque cardíaco em Nova York, no ano 2000.

“Mullenium” é um álbum triplo e registra uma apresentação da banda durante a turnê do álbum “Life Before Insanity”, de 2000. Traz bombásticas versões para clássicos do próprio grupo, como “Blind Man in the Dark”, “Bad Little Doogie” e “Towering Fool”, além de clássicos do blues, como “When the Blues ComesKnocking”, eternizada por Little MIlton, e “I Can’t Quit You Baby”, de Willie Dixon e imortalizada pelo Led Zeppelin.

Como suas apresentações não têm menos de três horas, costumam rechear os shows com versões de artistas dos mais diversos. “Mullenium” traz pérolas como “Sometimes Salvation” (Black Crowes), “Helter Skelter” (Beatles), “We’re Not Gonna Take It” (The Who), “21st First Schizoid Man” (King Crimson), “Dazed and Confused” (Led Zeppelin), “30 Days in the Hole” (Humble Pie), “I Shall Be Released” (Bob Dylan) e “Simple Man” (Lynyrd Skynyrd).

govt - mullenium

O grupo ainda está em turnê pelos Estados Unidos promovendo o mais recente álbum, “By a Thread”, lançado no final do ano passado e que resgata a veia blueseira do começo da carreira da banda. O novo álbum conta com músicas maravilhosas como “Inside Outside Woman Blues”, “Railroad Boy” e “Broken down on the Brazos”, entre outras.

Formado em 1994 pelo guitarrista Warren Haynes, insatisfeito com o pouco espaço na formação dos Allman Brothers da época, o então trio era composto também por Allen Woody no baixo, que tambpem passou pelos Allman Brothers, e pelo baterista Matt Abts, conhecido músico da cena sulista americana e requisitado instrumentista de estúdio.

O primeiro álbum, “Govt Mule”, lançado em 1995, traz o que se convencionou chamar de hard blues, com músicas muito pesadas, com baixo com timbre grosso e “gordo” e bateria forte e marcante. Frequentemente o trio esbarrava no hard rock setentista, com muito peso e melodia, como na faixa “Mr. Big”, original da banda ingelsa Free. Ou então na pesadíssima “World of Difference”.

O blues tradicional apareceu com “Mother Earth” e seu peso absurdo, com uma levada de guitarra típica de Jimmy Page (ex-Led Zeppelin). O jazz aparece nas suingadas “Mule” e “Rocking Horse”.

Com sucesso crescente, virarma referência para uma série de artistas norte-americanos e seus shows se tornaram imensas jam sessions, com a presença constante de estrelas do rock. De tão gente boa que são considerados, ninguém consegue recusar um convite para gravar.

Basta ver a constelação de baixistas convidados para tocar nos projetos “Deep End I” e “Deep End II”, lançados após a morte de Woody. Os dois álbuns, cada um duplo, contam com um baixista diferente em cada faixa. tocara, entre outros, Chris Squire (Yes), Jack Bruce (ex-Cream), John Entwistle (Who), Jason Newsted (então no Metallica), Roger Glover (Deep Purple), entre muitos outros, além do guitarrista James Hetfield na música “Drivin’ Rain”.

O substituto definitivo de Woody foi Andy Hess, conhecido músico de estúdio, mas também com passagens importantes na estrada com bandas de rock e jazz. Junto com ele veio Danny Louis, tecladista com larga experiência no meio musical do leste americano.

Como quarteto, o Gov’t Mule ganhou em técnica e expandiu os horizontes, apostando mais no jazz, no rhythm and blues e até mesmo no reggae. Tais influências ficaram patentes nos CDs “Déja Voodoo” (2004) e “HIgh and Mighty” (2006).

Os fãs em geral começaram a chiar com os experimentalismos – que cultminaram no álbum de remixes e músicas inéditas com tratamento reggae “Mighty High” (2007) e o grupo resolveu voltar às origens. Andy Hess, considerado muito técnico e jazzístico, deixa a banda para a chegafa de Jorgen Carlsson, que tem o boues como uma das principais influências.

Com mão grande e timbre “gordo”, foi o baixista ideal para reeditar o clima de blues pesado dos anos 90. Os fãs agradeceram.

Como curiosidade, o Gov’t Mule tocou em São Paulo em 1996, no festival Nescafé Blues, na casa que então se chamava Palace (como se chama hoje?). Quem assistiu não esquece o trio de caipiras simplórios fazendo um som à la Led Zeppelin, mais lento, mas muito pesado e suingado. Abaixo techos do show paulistano:

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