Golpe de Estado ressurge revigorado e show descontraído

Estadão

23 de dezembro de 2012 | 22h17

Marcelo Moreira

O guitarrista Hélcio Aguirra o baixista Nelson Brito carregam todo o peso do rock nacional neste final de 2012. A abnegação e a paixão pela música explicam as expressões sérias e compenetradas antes de uma apresentação festiva na cidade de Santo André no último dia 22 de dezembro.

São profissionais veteranos, mas com pique de quem ainda tem de carregar seu próprio equipamento. E ainda conseguem fazer um show que em muitos momentos remete aos gloriosos anos 80.

O Golpe de Estado celebrou em Santo André o fim de um período importante em sua história, o de sua redenção após quase 30 anos de carreira. O grupo ressurgiu forte em 2012 com nova formação e um ótimo álbum com canções inéditas, após oito anos de ausência no mercado.

“Direto do Fronte”, lançado pela Substancial Music há três meses, surpreendeu pela qualidade, pelas vendas e pelo resgate do bom humor, do alto astral e de uma atmosfera oitentista de comprometimento e satisfação pelo trabalho realizado. “Feira do Rato” e “Um de Nós”, por exemplo, foram ovacionadas e cantadas pelos fãs que lotaram o Asgard Pub no último sábado.

Dino Linardi é o cantor que ocupa o lugar que já foi de Catalau, Rogério Fernandes e Kiko Müller. Além de bom músico, tem o mérito de ter um timbre de voz muito parecido com o de Catalau, sem no entanto imitá-lo. Sua presença de palco é boa, consegue até mesmo de vez em quando, emular Paul Rodgers (Bad Comany, Free, Queen). Caiu de forma perfeita na banda.

A nova formação: da esq. parra a dir., Linardi, Brito, Pontes e Aguirra

Já Roby Pontes injetou o gás necessário a uma banda de hard rock que teve um dos maiores bateristas do Brasil, Paulo Zinner – que demonstrou desinteresse nos últimos anos pelo estilo e pelo próprio Golpe de Estado.

Assim como Zinner, Pontes é muito técnico, mas não tão virtuosdo, o que é uma boa coisa no atual estágio da banda. Sua pegada é pesada, forte, energética, pulsante, exatamente o que o Golpe precisava voltar a ocupar um lugar legal no mercado roqueiro nacional tão debilitado.

Embora o Asgard Pub seja pequeno, acabou se transformando em um bom local para a celebração do Golpe de Estado: uma apresentação alegre, pulsante, sem nervosismo, quase informal e com os músicos felizes e curtindo bastante estar ali. Até mesmo o gélido Nelson Brito, com seu jeitão John Entwistle (ex-baixista do Who morto em 2002) mostrou que era uma ocasião especial, interagindo bastante com os músicos.

Pontes e Linardi conseguiram renovar alguns hits cansados do repertório do grupo. “Caso Sério” e “Nem Polícia Nem Bandido” soavam totalmente obsoletas há alguns anos, e hoje voltaram a ser o que foram e são – grandes hits e grandes composições do pop rock nacional, com peso e pegada hard rock.

Aguirra parece ter se inspirado nos novos companheiros e buscou no fundo da mente os riffs e timbres únicos que criou nos anos 80 e 90 para adicionar à sua performance atual, cada vez mais suingada e bluesy.

O Golpe de Estado é hoje – ou voltou a ser – a melhor banda de rock nacional em atividade. E tudo isso sem alarde, sem estrondo. Apenas com música e shows de muito boa qualidade.

Não foi à toa que os CDs vendidos no shows de Santo André quase se esgotaram – além do novo “Direto do Fronte”, estavam à venda os ótimos “Nem Polícia Nem Bandido” e “Quarto Golpe), além do mediano “Zumbi”, todos relançados e remasterizados também pela gravadora-selo Substancial Music.

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