Gloria refuta o rótulo 'emo': 'ouçam nossa música'

Estadão

04 de novembro de 2012 | 16h30

Costábile Salzano Jr. – The Ultimate Press – especial para o Combate Rock

Amado por muitos, odiado por outros tantos. Querendo ou não, o Glória é um dos principais expoentes da música nacional. Desde 2006, a banda é considerada um dos nomes mais importantes do underground brasileiro, faz shows em praticamente todas as capitais e arrasta uma legião por onde passa.
O grupo formado por Mi (vocal), Elliot Reis (guitarra/vocal), Peres (guitarra), Johnny (baixo) e Ricky Machado (bateria) está em plena turnê promocional do aclamado álbum “[Re]nascido”. O disco teve excelente feedback entre os fãs antigos e conquistou de vez um novo público, os fãs do heavy metal e metalcore.
O guitarrista Peres comenta sobre o sucesso do novo disco, o rompimento da parceria com Rick Bonadio, a experiência de tocar no Rock in Rio e SWU, de conviver com o fantasma de serem taxados de emos erroneamente, a gravação do DVD no “Sampa Music Fest”, além de outras impressionantes curiosidades.
 

 

Desde 2006, o Gloria tem sido visto como uma das principais bandas do underground brasileiro. Como vocês analisam a carreira da banda daquele momento aos dias atuais?

Peres: Nós crescemos muito nesse período. Passamos por muitas experiências boas. Agora temos uma estrutura maior, um alcance maior. Acredito que estamos em um constante processo de evolução.
O Glória é um grupo o qual podemos perceber a influencia de várias vertentes, desde o mais pop até com o extremo metal. Quais são as principais influências de vocês?
Peres: Nossas últimas influências são basicamente: Pantera, Metallica, Black Label Society, Mastodon, Lamb of God, As I Lay Dying, Trivium, Killswitch Engage, Soilwork, Rammstein, Deftones. Ouvimos muitas coisas diferentes do rock/metal, como Rap e música eletrônica. De certa maneira acabam nos influenciando também!
Desde o inicio, o Gloria é uma banda que sempre esteve presente na internet e surgiu justamente no auge dos downloads, podemos até pensar que este advento se tornou uma grande alavanca pra sua carreira. É por isso que vocês resolveram disponibilizar o novo álbum para download?
Peres: Sempre acreditamos na força de alcance da internet! Decidimos disponibilizar o CD pra quem quisesse ouvir. Qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode baixar e ouvir nosso CD. Se a pessoa gostar e quiser comprar, temos o álbum físico à venda também.
Em menos de 15 dias, [Re]nascido atingiu a expressiva marca de 70 mil downloads. Como vocês analisaram este excelente feedback naquele momento?
Peres: Esse é um disco muito esperado pelos fãs da banda. Há três anos não lançávamos nada inédito. Ficamos muito satisfeitos com a marca que alcançamos. É a sensação de dever cumprido, pois o CD foi produzido e lançado completamente independente.
[Re]nascido é o primeiro álbum do Glória após o desligamento da Arsenal Music, do produtor Rick Bonadio, que projetou a banda no cenário nacional. Como está sendo essa nova fase para a banda, que volta a ser independente? O que mudou no processo de produção e gravação do [Re]nascido mediante aos fatos?
Peres: A fase da banda na Arsenal foi positiva e nós crescemos muito lá! Sempre fomos uma banda da filosofia “faça você mesmo”. A diferença agora é que nós podemos cuidar diretamente de todos assuntos da banda. O [Re]nascido foi inteiramente produzido por nós e gravado por nosso grande amigo João Milliet (Estúdio Cada Instante).
[Re]nascido é um disco cheio de energia, com partes pesadas, melodias marcantes, letras até que relativamente fortes, direto e sem frescura. Com suas letras que vão do amor ao ódio, qual é mensagem por trás deste trabalho?
Peres: Nós falamos o que sentimos na hora. Durante a fase de composição do disco, passamos por muitas mudanças e experiências. Falamos sobre as nossas vidas de uma maneira direta, para todos entenderem a mensagem da música.
Por que o nome [Re]nascido? É justamente pelo fato de hoje vocês serem donos do seu próprio destino?
Peres: O nome [Re]nascido marca a nova fase do Gloria. Novas idéias e muita evolução pessoal. Acredito que renascemos como músicos e pessoas. É o melhor trabalho que já nos envolvemos!
Vocês tocaram em dois grandes festivais como SWU e Rock in Rio. Na sua opinião, qual foi o show mais marcante do Gloria?
Peres: Os dois foram muito marcantes. Dividir o palco e ver as bandas que você ouve desde criança, não tem preço! Nos dois festivais, conseguimos atingir muitas pessoas, que talvez nunca teriam a chance de conhecer a banda. Foram duas experiências que mudaram as nossas vidas.
Qual foi a sua reação ao público do Rock in Rio, quando começaram a vaiar a banda durante a apresentação? Vocês já estavam preparados para este tipo infeliz de acontecimento?
Peres: Nós nos preparamos e subimos no palco, para dar o nosso melhor. Ensaiamos meses para fazer o melhor show possível. Sabíamos que tinha muita gente que não conhecia a banda ou que tinha preconceito. Acredito que conseguimos mostrar de verdade como é a banda.
NX Zero não é igual ao Fresno, que não é nada parecido com Glória, que não lembra o Restart que por sinal é parecido com o Cine e vice-versa. Por que insistem em misturá-los ou associá-los ao mesmo gênero musical? Será que isto acontece porque vocês conseguem atingir o público de todas essas bandas?
Peres: As pessoas costumam associar bandas da mesma geração, cena, etc. Também dividimos o palco com essas bandas por muitas vezes. Muitos integrantes dessas bandas são nossos amigos.  Quem associa essas bandas, nunca ouviu e nem prestou atenção! Cada banda tem sua identidade!
Você acredita que pelo fato da banda estar linkada a esses nomes, o pessoal do heavy metal tenha preconceito com vocês?
Peres: Acredito que a galera que tem preconceito, nunca ouviu a banda direito. Nós temos influências de muitas bandas de heavy metal. Eu gosto de todas as vertentes do metal e acho que o Brasil poderia ser uma potência no estilo. Devemos apoiar e valorizar as bandas nacionais!
Atualmente, a maioria das bandas esqueceram de fazer música, de criar uma carreira sólida, uma história, e pensam apenas em ganhar dinheiro, e ser famoso. Você acredita que essa ambição pela fama prejudicou principalmente o pessoal que batalha no underground. Como você analisa o cenário do rock nacional?
Peres: A ambição do Gloria é marcar a banda na história do rock/metal brasileiro.
Eu acredito que quem é fã de rock/metal, é fiel! Sempre existirá rock se as bandas forem verdadeiras!
 O Glória é uma das poucas bandas que toca música pesada e mesmo assim consegue espaço na mídia… No entanto, as músicas do Glória não tocam nas emissoras de rádio, fato que acontece bastante com bandas mais moderninhas. Qual é o segredo para manter o público fiel e os shows lotados?
Peres: Nós acreditamos que uma banda não precisa de rádio para sobreviver. Se você fizer um trabalho sólido e verdadeiro, os fãs se manterão fiéis.
A grande maioria das bandas brasileiras de heavy metal visam o mercado externo e o Glória tem apostado justamente no caminho inverso. Vocês já pensaram em atingir o mercado internacional? No entanto, vocês vão esbarrar no dificuldade pelo fato das músicas da banda serem cantadas em português. Vocês tem algum tipo de feedback do exterior?
Peres: Nós queremos fazer algo pela música pesada aqui no Brasil. Queremos difundir o estilo e fazer as pessoas aceitarem a música pesada novamente! Nós pensamos em tocar fora, é um grande sonho. Nunca se sabe o que pode acontecer! Esses dias chegou um pedido da China na nossa loja virtual!
É comum alguém relacionar a banda com algo gospel, white ou coisa parecida justamente pelo fato do nome Glória?
Peres: As pessoas já nos perguntaram se éramos gospel ou algo do tipo! Mas assim que ouvem a banda, percebem que não somos!
Quais são os próximos projetos do Gloria?
Peres: Nosso próximo projeto é o primeiro DVD ao vivo. Será gravado dia 25 de novembro, no “Sampa Music Festival”. Será a realização de um grande sonho da banda, de gravar ao vivo com a energia dos nossos fãs!

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