Ghost fala de satanismo e catolicismo

Estadão

21 Setembro 2013 | 21h22

 

Jotabê Medeiros

Surpresa do heavy metal até agora no Rock in Rio, o grupo Ghost B.C., da Suécia, alia um senso de teatralidade com grande conhecimento do rock clássico. Eles são cinco, mas ninguém sabe quem é quem. O líder é o cantor, Papa Emeritus The Second (que se veste como um papa do Além). Os outros músicos, extraordinários, são chamados apenas de “almas penadas sem nome”. Vestem uma fantasia meio bizarra – parecem Darth Vaders de missa satânica.

O Estado conversou com exclusividade com uma dessas almas penadas, no camarim, logo após seu show no Palco Mundo do Rock in Rio. O músico reclamou do extravio de bagagens na turnê, entre Europa e México, que os fez inclusive pensar em cancelar apresentações. Só não o fizeram porque queriam muito vir à América do Sul e todos os promotores da região tinham sido muito legais com a banda. O papa, confidenciou Nameless Ghoul, estava já descansando porque sua rotina tem sido dura (na verdade, pode ter sido o próprio papa a falar, porque eles costumam inverter os papéis, segundo sua empresária).

“Nosso principal inimigo são as religiões lineares. Elas são três, essencialmente: católica, judaica e muçulmana. Mas, como fui criado na Europa, como cristão, sei o peso que tem uma escolha estática religiosa. Não sou judeu, não sou muçulmano, então também essa é a explicação pela qual o alvo é a religião católica. Das três religiões, é a que tem uma tradição muito forte, seus dogmas são claros e bem documentados, assim como as blasfêmias. Mas é preciso lembrar que, no fim das contas, o que fazemos é entretenimento”, disse Nameless Ghoul.

O músico lembrou que, há dois anos, eles estavam dando os primeiros passos no sentido de se estabelecerem como uma banda, e que subitamente o conceito que criaram, de banda sem rosto, ficou mais e mais conhecido. Ele acredita que os passos seguintes poderão levá-los a se aproximar da superfície”, ou seja: abandonar as máscaras. “A gente se expõe todo dia. Todo dia fãs nos reconhecem. Não usamos máscaras porque somos tímidos ou porque não gostamos de falar sobre alguma coisa”, afirmou.

Ele também falou de músicas que contém satanismo, e disse que a banda já sofreu com perseguições de grupos religiosos e da própria igreja católica por sua abordagem.  A TV Estadão exibe amanhã a conversa na íntegra.