Genesis bate Yes e Pink Floyd com o melhor álbum do rock progressivo

Estadão

20 de dezembro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

O mago da guitarra Robert Fripp, no auge do sucesso da segundas encarnação de seu King Crimson, nos anos 80, definiu bem em uma entrevista o conceito primordial da música de sua banda – e do rock progressivo, por extensão: “nós fazemos música para a cabeça, não para os pés”.

A pretensão dos músicos de rock progressivo sempre foi imensamente proporcional à arrogância, ousadia, genialidade e talento dos mesmos. Entre os críticos, é consenso que as primeiras obras do subgênero do rock surgiram entre 1966 e 1967, com os primeiros shows e gravações de bandas inglesas como Pink Floyd, The Move e The Moody Blues.

A formatação dos “progressivos”, entretanto, só engrenou mesmo a partir de 1969, com o surgimento dos ingleses Yes e do King Crimson e da consolidação da banda The Nice, o embrião de Emerson, Lake and Palmer. O auge ocorreu entre 1970 e 1975, quandas as bandas já citadas, mais o Genesis, o Jethro Tull e os holandeses do Focus, entre outros, lançaram seus melhores trabalhos.

O subgênero perdeu força ao final da década de 70, soterrado pela abominável disco music e pelo efêmero furacão punk rock, para ressurgir com força nos anos 80 também na Inglaterra com bandas excelentes – Marillion, IQ, Pendragon, e Pallas, entre muitas outras.

O bastão foi entregue com méritos para os americanos que deram forma ao chamado metal progressivo, como os gigantes Queensryche, Fates Warning, Dream Theater e Symphony X.

Mesmo assim, a grande imprensa ainda trata o rock progressivo como uma coisa “cult”, “underground”, quase colocando-o na mesma prateleira do jazz e do blues, mas no pior sentido – o de coisa ultrapassada e de gueto, quando não “elitizado” e “antipopular”.

Seja como for, e alheia a todo esse contexto, a revista inglesa Classic Rock Magazine republicou em seu site recentemente uma lista elaborada em 2009 com os 50 maiores discos da história do rock progressivo, baseada na escolha feita com leitores da revista.

Muita gente acha que o Pink Floyd é o ícone do subgênero, como sua maior expressão e sinônimo de qualidade. Pois a publicação apurou que os destaques da lista são Genesis e Yes, com seis álbuns cada entre os 50 primeiros, superando o próprio Floyd e o Rush, que emplacaram quatro álbuns.

A relação é muito interessante e contempla as principais obras do rock progressivo, mas não está livre de contestação. Para mim, por exemplo, o melhor álbum apontado, “Selling England by the Pound”, do Genesis, não figuraria entre os 10 mais. Minha lista seria encabeçada por “The Dark Side of the Moon”, do Pink Floyd, o terceiro colocado, seguido do segundo, “Close to the Edge”, do Yes.

Veja a lista completa da Classic Rock Magazine (agradecimentos especiais ao site Whiplash, o melhor sobre rock em língua portuguesa, por ter alertado sobre o texto e resgatado-o):

A capa do campeão, “Selling England by the Pound”, do Genesis, de 1973

01. “Selling England by the Pound”(1973) – Genesis
02. “Close to the Edge”(1972) – Yes
03. “Dark Side of the Moon” (1973) – Pink Floyd
04. “The Lamb Lies Down on Broadway”(1974) – Genesis
05. “Wish You Were Here” (1975) – Pink Floyd
06. “In the Court of the Crimson King” (1969) – King Crimson
07. “Foxtrot” (1972) – Genesis
08. “Relayer” (1974) – Yes
09. “The Wall” (1979) – Pink Floyd
10. “In Absentia” (2002) – Porcupine Tree
11. “Going for the One” (1977) – Yes
12. “Red” (1974) – King Crimson
13.“Brain Salad Surgery”(1973) – Emerson, Lake & Palmer
14. “Brave” (1994) – Marillion
15. “Pawn Hearts” (1971) – Van Der Graaf Generator
16. “A Trick of the Tail” (1976) – Genesis
17. “Misplaced Childhood (1985) – Marillion
18. “Watershed” (2008) – Opeth
19. “Music Inspired by the Snow Goose” (1975) – Camel
20. “Systematic Chaos” (2007) – Dream Theater
21. “In the Land of Grey and Pink” (1971) – Caravan
22. “The Yes Album” (1971) – Yes
23. “Tubular Bells” (1973) – Mike Oldfield
24. “Tales from Topographic Oceans” (1973) – Yes
25. “Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory” (1999) – Dream Theater
26. “Thick as a Brick” (1972) – Jethro Tull
27. “2112” (1976) – Rush
28. “The Wake” (1985) – IQ
29. “Moving Pictures” (1981) – Rush
30. “Fear of a Blank Planet” (2007) – Porcupine Tree
31. “Operation: Mindcrime” (1988) – Queensryche
32. “Snow” (2002) – Spock’s Beard
33. “Subterranea” (1997) – IQ
34. “Snakes & Arrows” (2007) – Rush
35. “Moonmadness” (1976) – Camel
36. “Deadwing” (2005) – Porcupine Tree
37. “Fugazi”(1984) – Marillion
38. “Meddle” (1971) – Pink Floyd
39. “A Farewell to Kings” (1977) – Rush
40. “Lateralus” (2001) – Tool
41. “Fragile” (1971) – Yes
42. “UK” (1978) – UK
43. “Duke” (1980) – Genesis
44. “Rock Bottom” (1974) – Robert Wyatt
45. “Trilogy” (1972) – Emerson, Lake & Palmer
46. “Seven” (2004) – Magenta
47. “Nursery Cryme” (1971) – Genesis
48. “Radio Gnome Invisible Pt 2: Angel’s Egg” (1973) – Gong
49. “Afraid of Sunlight”(1995) – Marillion
50. “Space Ritual” (1973) – Hawkwind

 

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