Funky, rock e groove no timbre único de Edú Marron

Estadão

18 de outubro de 2013 | 06h39

Marcelo Moreira

Pouca gente prestou a atenção no rapaz negro, de visual à la Jimi Hendrix, montando seu equipamento no estande pequeno da Acedo Áudio na ExpoMusic 2013, uma das boas fábricas de amplificadores do Brasil. Ignorando o calor, Edú Marron empunhou sua guitarra de forma invertida – canhoto como o ídolo Hendrix – e mandou ver um funky rock instrumental der primeira qualidade com seu quinteto, com direito a intervenções precisas do bom gaitista Alberto Alves. Imediatamente um pequeno público se amontoou para ver a música com timbres cristalinos e limpos. E tudo ali, de graça…

Ex-skatista profissional, Marron tem sua trajetória musical parecida com a do ex-surfista Jack Johnson, hoje um nome gigante do mercado internacional fazendo uma mistura de folk e pop ao violão acústico. O brasileiro, entretanto, gosta mesmo é de eletricidade.

Ainda que Hendrix seja uma referência óbvia e celebrada, o guitarrista faz questão de destacar a sua versatilidade. “Algum Lugar”, seu mais recente álbum, que é duplo, traz uma mistura bem variada de funk, samba, groove e o que ele chama de swing brasileiro, incluindo música eletrônica, hip hop, groove/rock.


Edú Marron – Festival Alma Surf 2010

“Amo andar de skate, apavorei muito nas pistas de São Caetano do Sul e São Bernardo, no ABC, mas a guitarra falou mais alto em um determinado momento da minha vida. Foi a hora de misturar tudo o que aprendi ouvindo mestres como Hendrix, Buddy Guy, George Benson, James Brown, Djavan e também Bob Marley. Creio que a versatilidade e o ecletismo são algumas de minhas marcas como artista”, diz o guitarrista.

O segundo disco acentua ainda mais a mistura de ritmos, timbres considerados vintage misturados com samplers, guitarras, percussão, baixo acústico e muita sonoridade diferente entre vários estilos, com músicas incluídas na trilha sonora do filme “Oakley Retratum”. Marron também trabalha com design gráfico, gosta de misturar ilustração com fotografia e colagens.

Recentemente participou de um festival na Itália, onde tocou ao lado de gente como o trio norte-americano Medeski, Martin & Wood. Anteriormente, dividiu o palco com Joe Buttler Trio, Donavon Frankenheiter, Falcão e os Loucomotivos, Natiruts, Hurtmold, Malú Magalhães, entre outros.

“Algum Lugar” é bem variado, e mostra algo difícil de se conseguir no mundo musical: o timbre reconhecível da guitarra. É possível ver um estilo próprio no trabalho de Edú Marron, em especial quando ele parte para o ataque nos grooves, onde descamba para um funk alucinado, mas de extremo bom gosto. Mais uma das gratas surpresas da ExpoMusic 2013.

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