Filho de Renato Russo comenta restrição a tributo ao Legião

Estadão

19 de maio de 2012 | 17h00

Jotabê Medeiros 
 
 O produtor Giuliano Manfredini - Divulgação
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O produtor Giuliano Manfredini

O produtor Giuliano Manfredini, de 23 anos, achou meio caro o preço do ingresso (R$ 200) para o Tributo ao Legião Urbana que a MTV fará no Espaço das Américas, dias 29 e 30 de maio, às 21h. Acha que isso só contribui para elitizar o legado do seu pai, Renato Russo – ele considera que o prestígio do Legião Urbana desafia qualquer tipo de compartimentação social.

O problema é que, como Renato Russo era o dono de 100% da marca Legião Urbana, e como os remanescentes do grupo, Dado Villa-Lobos e Renato Bonfá, não podem realizar nada sem pedir autorização a Giuliano, a celebração acabou na mesa de negociação, com monitoramento de advogados. Um litígio que deve ser resolvido sem grandes traumas, pelo jeito, já que Manfredini diz que não quer impedir nada.

O preço alto não é a única discordância de Manfredini em relação ao show. Embora fã de Wagner Moura, ele não acha suficiente a presença do ator como frontman do tributo. “O que eu queria era botar artistas contemporâneos, Criolo, Emicida, para novas releituras, para alcançar as novas gerações”, explicou. “Nenhuma obra em conjunto pode ser decidida unilateralmente”, afirma o produtor. Segundo os representantes da família, os Manfredini foram procurados depois que já estava tudo formatado.

Filho de Renato com a modelo Raphaela Manuel Bueno (que morreu quando ele nasceu), Giuliano foi criado pela avó materna, Carminha. Já tocou guitarra numa banda de rock chamada Síndrome, mas, hoje, jogou a toalha nas pretensões de ser artista e passou para o outro lado do balcão: agora administra (foi estudante de Direito e Administração) o legado do pai, que morreu em 1996.

Mas o rapaz afirma que, embora não descuide da divulgação da obra de Russo, também tem suas próprias aspirações profissionais e anunciou, com sua produtora Mundano, um festival no Autódromo de Brasília, no início de junho de 2013, com um time de peso: o retorno dos Sex Pistols (“As negociações estão bem adiantadas”, informa), além do Cypress Hill e uma reunião do Planet Hemp.

Manfredini também sonha em construir um circuito de festivais que integre mostras brasileiras com outras latino-americanas. Crê que Brasília tem artistas em número suficiente e diversidade bastante para bancar um mercado de show biz, mas que o amadorismo ainda campeia pelo País.

Este ano, comemoram-se 30 anos do Legião Urbana. É a maior banda brasileira até hoje – só no ano passado, vendeu 3 milhões de discos, mesmo após 16 anos da morte de Russo. Há dois longas-metragens para estrear no segundo semestre, Faroeste Caboclo e Somos Tão Jovens. Há um seriado em negociação com a HBO.

 Há um concerto com a orquestra de Brasília, o Renato Russo Sinfônico, em ensaios. Outro projeto é lançar um disco só com as canções inéditas que Renato Russo fez para sua primeira banda, Aborto Elétrico. “Trinta anos de Legião Urbana não podem se limitar a um único show, e essa história está ganhando muito destaque”, lamenta o produtor.

O show em questão está de fato causando controvérsia. A escolha de Wagner Moura pelos legionários remanescentes, Dado e Bonfá, tem causado reações enfurecidas dos fãs da banda.

Moura não é, entretanto, um aventureiro. Já se apresentou no Studio SP com a banda que encabeça, Sua Mãe, e o próprio Giuliano Manfredini já autorizou que ele interpretasse Renato Russo em dois filmes – a canção Será, no filme Vips (2011), e Tempo Perdido, em O Homem do Futuro (2011).

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