Fernanda Takai volta à bossa nova pelas mãos de Andy Summers

Estadão

26 de agosto de 2012 | 18h00

Emanuel Bomfim

Deve ser difícil recusar uma proposta de alguém como Andy Summers, guitarrista do Police. Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, assim pensou e declarou seu “sim” de imediato. Em momento algum, imaginou que poderia desembocar em algo maior. “No início da nossa conversa, eu não tinha entendido que iríamos fazer um disco inteiro”, relata a cantora em conversa com a reportagem do Estado de S. Paulo.

Recebeu dele um lote inicial com dezoito músicas inéditas. Achou que era para escolher uma ou duas, a exemplo do que fez no DVD de Roberto Menescal, United Kingdom of Ipanema, quando cantou com eles Insensatez.

Andy, no entanto, já tinha o plano estipulado: queria Takai como a intérprete do álbum mais bossa nova de sua carreira. Tinha como referência Onde Brilhem os Olhos Seus, disco voltado para o repertório de Nara Leão e que marcou a estreia solo da artista mineira, em 2007.

“Ele queria que eu cantasse daquele jeito”, explica. “Andy gosta de cantoras sem malabarismos, objetivas.” Fernanda concorda com a avaliação de seu novo e experiente parceiro. Admite não fazer parte de um time de intérpretes de forte personalidade à frente do microfone. “Sou um híbrido de um monte de coisas que escuto. Ele entende essa minha impureza. Sou do mesmo time da Rosa Passos, Nara Leão, Tracey Thorn, Suzanne Vega e da Astrud Gilberto”, declara.

Fundamental, à venda no Brasil e em breve no Japão, EUA e em grande parte dos países da Europa, fechou com onze músicas, após corte proposto pela própria Takai. Na versão nacional, cinco faixas ganharam versões em português, feitas em parceria com Zélia Duncan e com o marido e companheiro de banda, John Ulhoa.

A novidade, parcialmente desvendada no processo do disco-tributo à Nara, foi encarar uma gama de letras tão românticas. “Faço isso raramente. Se você olhar no meu repertório de Pato Fu, têm algumas músicas sobre relacionamentos, mas não como neste disco”, pondera.

O esforço lírico tem suas recompensas. Nem mesmo com a sua banda de origem, nestes 20 anos de estrada, Takai considerou ir tão longe. “Vou ser escutada pelas credenciais do Andy em vários países, tenho certeza. Pode ser muito bom, se o disco for bem, se as pessoas gostarem… Mas pode ser muito ruim também, e arruinar meu plano de conquistar o mundo”, brinca.

 

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